Publicado em: 30/11/2015 10h17 - Atualizado em 09/12/2015 17h54

Cidade verticalizada: a evolução imobiliária

Se antes as construções eram totalmente horizontais, agora o skyline toma conta de Indaiatuba

Anieli Barboni
Se antes a construção vertical em Indaiatuba parecia exagero, hoje é essencial para abrigar o número crescente de moradores. A cidade evoluiu, o número de habitantes aumentou - em 1950, havia 11.253 habitantes no município; em 2000, foram registrados 146.829; em 2015, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou 231.033 habitantes - e, consequentemente, aumentaram os bairros, números de casas e começaram a surgir prédios residenciais.
O primeiro prédio construído em Indaiatuba foi o edifício Oscar Tonin, na Rua Candelária, esquina com a Sete de Setembro, em 1977. No mesmo período, iniciou-se a construção do épico Hotel Alvorada. Depois, surgiu o edifício Ambassador, na Rua Pedro de Toledo, e o edifício Colonial, na Rua Nove de Julho.
O engenheiro civil e ex-
prefeito de Indaiatuba, José Carlos Tonin, (1983 a 1988), proprietário da Tonin Projetos e Obras, que construiu o primeiro prédio, relembra as criticas que recebeu por lançar um edifício na cidade. "Quando construímos o edifício, as pessoas eram contra, falavam que não precisava, que tinha muito terreno e que ninguém iria querer morar nesta gaiola. O meu argumento era que ao invés de abrigar 20 famílias em uma quadra, iria ser possível abrigar 200, com o mesmo asfalto, a mesma rede de água e de esgoto e o mesmo poste de iluminação", conta. "Sempre defendi a verticalização porque podemos aproveitar a infraestrutura e as pessoas podem morar mais perto do trabalho, shopping etc.", acrescenta.
Tonin ressalta que a construção dos prédios residenciais e comerciais foi necessária porque Indaiatuba está bem localizada. "Eu sempre acreditei que Indaiatuba teria esta verticalização, especialmente por causa da sua situação geográfica, estamos perto do aeroporto internacional e estamos ligando Campinas e Sorocaba, que são duas cidades grandes", comenta.
O secretário de Planejamento Urbano e Engenharia, Sandro de Almeida Lopes Coral, enfatiza que o crescimento de edifícios foi ordenado, mas também acredita que as construtoras irão frear o ritmo de lançamentos. "Em 2009 assumi como secretário e, desde então, posso dizer que houve um aumento de construções desse tipo de condomínio, os verticais. Também aumentou o controle da Administração Municipal com relação a essas novas construções, incluindo exigências de medidas mitigadoras por parte dos empreendedores para garantir o crescimento ordenado na cidade, com base nas exigências do nosso Plano Diretor, que foi revisado em 2010", afirma. "Com a valorização das áreas, o preço do metro quadrado ficou mais caro, por isso os prédios são mais vantajosos para o empreendedor do que os condomínios horizontais. Acredito na continuidade dessa tendência de crescimento de condomínios, independente de ser vertical ou horizontal", observa.
Números
Em 2013, existiam 1.957 unidades de apartamentos residenciais. Neste ano, a cidade já contabiliza 209 (9.398 unidades) condomínios verticais, sendo 198 (8.995 unidades) residenciais e 25 (841 unidades) comerciais, de acordo com a Secretaria de Planejamento Urbano e Engenharia. Só neste ano, a secretaria aprovou 13 condomínios verticais e estão em construção 15 prédios residenciais e três comerciais, sem contar os cerca de 2,3 mil apartamentos do Campo Bonito e Vitória Régia.
Do Jardim Esplanada é possível presenciar o skyline do município; maioria dos prédios está na região central e Jardim Pau Preto - primeiro bairro da cidade e, agora, o mais moderno Do Jardim Esplanada é possível presenciar o skyline do município; maioria dos prédios está na região central e Jardim Pau Preto - primeiro bairro da cidade e, agora, o mais moderno (Crédito: Eduardo Turati)
Edifício Oscar Tonin, na Rua Candelária, foi o primeiro prédio de Indaiatuba, contrariando as expectativas da população no final da década de 1970 Edifício Oscar Tonin, na Rua Candelária, foi o primeiro prédio de Indaiatuba, contrariando as expectativas da população no final da década de 1970 (Crédito: Arquivo Pessoal José Carlos Tonin)

Tendência é de mercado mais morno para o setor

Diante da atual situação econômica do país, a tendência para os próximos anos, segundo Tonin, é as construções diminuírem. "Assim como em todo o Brasil, a população está crescendo menos. A valorização dos imóveis também vai estacionar porque tem muita oferta. Indaiatuba está crescendo cerca 4.600 pessoas ao ano, em cada casa tem de três a quatro pessoas, então você precisaria apenas de 1.300 casas por ano", analisa. "Ultimamente, se produziu cinco a seis mil ao ano, então já está sobrando, assim como prédios para escritório. A produção também já diminuiu, eu mesmo estou apostando nas cidades vizinhas", argumenta.
Coral ainda lembra que a continuidade dos condomínios é uma tendência nacional, principalmente porque as pessoas buscam mais segurança. "Mas não podemos esquecer que vivemos um momento de crise econômica no país, o que deve dar uma freada em novos empreendimentos imobiliários. Aqui mesmo na cidade, temos muitos empreendimentos que estão em fase final de construção e que ainda possuem muitas unidades à venda", analisa Coral.

Construtoras analisam crescimento para 2016

Eduardo Turati Do Jardim Esplanada é possível presenciar o skyline do município; maioria dos prédios está na região central e Jardim Pau Preto - primeiro bairro da cidade e, agora, o mais moderno
São várias as construtoras que figuram no cenário municipal. Uma delas é a Jacitara e, segundo seu diretor comercial, Marcelo Fogaça, a estagnação é uma realidade para 2016. "Na última década, Indaiatuba passou por uma intensa expansão imobiliária. Até três ou quatro anos atrás a velocidade de vendas era impressionante, a maioria dos lançamentos da cidade, de diversas incorporadoras, vendiam mais de 70% já no lançamento. Hoje, o cenário é bastante diferente", recorda.
"O perfil de comprador que chamamos de investidor praticamente sumiu e, assim, restou um estoque considerável de apartamentos - de todas as tipologias - e o perfil do comprador atual é o usuário final - famílias ou solteiros que buscam moradia", revela, sem esquecer que as pessoas sempre vão precisar de moradia. "Então, esta fase do mercado imobiliário é passageira e não deve continuar em 2017", acredita.
O primeiro apartamento da Jacitara foi o Torres da Liberdade, em parceria com outra construtora. Ao todo, a Jacitara já entregou 672 apartamentos em Indaiatuba. Hoje, a incorporadora tem mais 277 unidades residenciais em construção no projeto Kennedy Square, sendo 119 apartamentos e 158 unidades long stay.
Já a presidente da Congesa, Adriana Mazzoni, espera que, apesar da crise, o mercado imobiliário deva crescer nos próximos anos. "A Congesa foi fundada em 1993. Naquela época, o Brasil vivia uma instabilidade econômica, com a inflação fora de controle, o que prejudicava todos os setores, em especial a construção civil, que sofria com a escassez de investimentos e recursos. Hoje, nosso segmento está vivendo outro momento e, mesmo com a situação do país não sendo das melhores, Indaiatuba ainda se sobressai por ser um município com excelente índice de qualidade de vida e desenvolvimento, o que atrai investimentos, novas empresas e novos moradores", afirma. "Dessa forma, temos uma situação promissora se compararmos com outras cidades, mantendo a tendência de crescimento, visto que a cidade cresce acima da média entre as paulistas".
O primeiro empreendimento construído pela Congesa em Indaiatuba foi o Residencial Primavera, entregue em 1994. A Congesa tem 18 empreendimentos, somando mais de duas mil unidades. Quatro empreendimentos ainda estão em construção: DUE, Winds, Class e Wise Hotel.
(Aniele Barboni)

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