Publicado em: 11/07/2016 12h38 - Atualizado em 12/07/2016 09h20

Indaiatuba terá como prever tempestades

Parceria de universidades está instalando aparelhos para acompanhamento do clima na região

Fernanda Bugallo
Indaiatuba vai receber, a partir de agosto, sensores e aparelhos que auxiliarão na previsão de tempestades em um raio de até 20 quilômetros. A cidade terá um sensor de campo elétrico, um pluviômetro e um sensor de vapor d'água que serão instalados na Vila dos Pinheiros.
O projeto denominado SOS Chuva (Sistema de Observação e Previsão de Tempo Severo) é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A iniciativa custa R$ 3,5 milhões e é liderada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) tendo parceira firmada com a Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Uma das envolvidas nesse projeto é Rachel Albrecht, indaiatubana e professora de meteorologia da USP.
O SOS Chuva é realizado por uma equipe de 65 pessoas, entre professores, pesquisadores, doutores, mestres, formandos e colaboradores, sendo 23 pesquisadores e nove doutores. "O projeto terá a duração de 24 meses e a ideia é cobrir os dois próximos verões", anuncia Rachel. "Além disso, por meio do financiamento da Fapesp, a gente vai conseguir pagar o leasing do radar, que já fez parte de experimentos realizados em outras localidades do Brasil".
O radar, que ficará na Unicamp, possui tecnologia alemã e é de dupla polarização: ou seja, capaz de medir a chuva tanto no sentido vertical quanto no sentido horizontal. Dessa forma, garante uma mensuração mais precisa quanto ao tamanho das gotas que caem na superfície da terra, bem como qualquer elemento que poderá vir com a chuva, como pequenos meteoros. "Se ocorre uma chuva com granizo, por conta da dupla polarização do radar, a gente mede o tamanho e sabe se é grande ou pequeno", explica Rachel. Além disso, o radar também consegue prever se terá formação de gelo e, de acordo com a pesquisadora, trata-se de uma previsão de tempo imediato, ou seja, consegue-se prever acontecimentos no intervalo de cinco minutos e uma hora.
Aplicativo para mobile
O projeto SOS Chuva vai ter também um aplicativo para celular. Por meio dele, o usuário poderá ver os dados do radar e acompanhar de forma rápida uma previsão de tempo mais imediata. "Você vai conseguir ver a chuva e os raios, e em quais localidades estão tendo tais fenômenos. Se você está em Indaiatuba e quer chegar em Campinas, você entra e consegue ver no radar se existe chuva naquela região", avisa Rachel.
O aplicativo será desenvolvido pelo Inpe e disponibilizado tanto para Android quanto para IOs.
Radar de dupla polarização, que ficará em Campinas, mede a chuva tanto no sentido vertical quanto no horizontal Radar de dupla polarização, que ficará em Campinas, mede a chuva tanto no sentido vertical quanto no horizontal (Crédito: Divulgação)
Representante de Indaiatuba, a pesquisadora Rachel Albrecht, faz parte da iniciativa Representante de Indaiatuba, a pesquisadora Rachel Albrecht, faz parte da iniciativa

Região receberá sete sensores de campo

Ao todo, sete sensores de campo elétrico serão instalados na região de Campinas. Além do sensor de Indaiatuba, haverá dois em Campinas, um colocado na Unicamp e outro na Avenida Engenheiro Coelho, e o restante em Itatiba, Americana, Santo Antônio de Posse e Tuiuti.
Segundo a pesquisadora, os sensores servem para medir o campo elétrico atmosférico. Isso quer dizer que, quando uma tempestade está se aproximando, por meio do sensor pode-se medir a carga elétrica dentro da nuvem se formando a partir da colisão de gelo que ocorre. "É isso que dá o raio, então, enquanto o campo elétrico está se formando dentro da nuvem antes de acontecerem os raios, ele vai aumentando. E esse instrumento consegue detectar isso já antes de começar a acontecer o fenômeno", revela. "A gente consegue ver até 20 quilômetros de distância com um sensor, assim, se uma tempestade começa em Campinas, a gente já esta sabendo por aqui", completa Rachel.
Granizos
Além dos sensores de campo elétrico e do radar de dupla polarização, o projeto também contempla 500 placas de granizo (healped) que auxiliam na determinação do tamanho do granizo. "Trata-se de um bloco de espuma especial que a gente cobre com papel alumínio para não deteriorar com o sol e, quando o granizo cai, faz uma marca na superfície", simula a pesquisadora.
Também terão disdrômetros, que medem o tamanho da chuva. "No total, teremos cinco desses aparelhos, que ficarão localizados em Campinas e Piracicaba", diz.
Para fechar, a pesquisadora explica que terão diversos pluviômetros espalhados por toda a região para medir a quantidade de chuva.

Desastre em Campinas poderia ser previsto

Rachel comenta que se o projeto SOS Chuva já tivesse começado na região, os aparelhos e o radar conseguiriam prever o evento que aconteceu na cidade de Campinas e afetou a estrutura do Galleria Shopping, diversos telhados no bairro de Sousas e em outras localidades da cidade. "Poderíamos, nesse caso, ter evacuado a área, pois a gente até consegue saber com uns 10 a 15 minutos que isso vai acontecer", lembra Rachel.
Para esses casos, a pesquisadora reforça a parceria com a Defesa Civil. "Estamos em contato diretamente com a Defesa Civil de Campinas, pois são esses profissionais que poderão fazer um bom uso dos resultados que esses aparelhos e o radar podem oferecer. Essa é uma outra vertente do projeto que visa tanto auxiliar na questão de alertar a população, quanto prevenir diversos eventos que possam acontecer na região para que possam ser tomadas medidas antecipadas e auxiliar os moradores", conclui.

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