Publicado em: 10/04/2017 15h04 - Atualizado em 11/04/2017 10h06

CineClube Indaiatuba apresenta T2 Trainspotting

Clássico indie dos anos 90 ganha continuação após 20 anos e traz equipe e elenco originais

Fábio Alexandre
O ano era 1996. Em um cenário de grandes lançamentos, o diretor Danny Boyle emplacava mais um filme, após o sucesso de Cova Rasa. Feito com um orçamento de apenas dois milhões de libras, Trainspotting superou suas modestas raízes indie para se tornar um autêntico fenômeno cultural. Em pouco tempo, rendeu a seus protagonistas o status de astros e colocou o diretor no alto da lista de produtores e estúdios. Mais de 20 anos depois, eles se reúnem novamente em T2 Trainspotting, atração hoje do CineClube Indaiatuba, no Topázio Cinemas do Shopping Jaraguá.
Primeiro, houve uma oportunidade. Depois, uma traição. Quatro amigos de longa data viajaram para Londres para vender um saco de heroína que conseguiram por acaso. Enquanto os outros dormem, Mark Renton (Ewan McGregor) foge com todo o lucro: 16 mil libras esterlinas em dinheiro vivo.
Ele vai embora sem olhar para trás. Deixa apenas quatro mil libras em um armário para Spud (Ewen Bremner). Um presente gentil, mas uma bênção contraditória para um homem com um vício inabalável por heroína. Sick Boy (Johnny Lee Miller), que não se abala com sentimentos de lealdade, sente uma inveja amarga, tanto quanto sente raiva. Se há alguém que pode trair seus amigos, é ele mesmo, que amaldiçoa sua fraqueza sentimental e sonha com vingança.
Frank Begbie (Robert Carlyle) passou a maior parte de sua vida adulta como uma granada ambulante. Renton somente puxou o pino. Sua ira pode ser autodestrutiva, mas é justo dizer que ele não será a única vítima. Vinte anos se passaram. Muita coisa mudou, mas muita coisa permanece igual.
Retorno
John Hodge retorna como roteirista, trabalhando a partir dos romances de Irvine Welsh, Porno e Trainspotting. Danny Boyle relembra: "Nós meio que esbarramos no primeiro. Nós havíamos acabado de fazer Cova Rasa, que foi muito bem e, de repente, todos queriam que fizéssemos outro. Nós tínhamos o livro extraordinário do Irvine, que continuava a nos assombrar. John Hodge começou a trabalhar no roteiro e, de cara, você sabia que iríamos fazer isso".
O produtor Andrew Macdonald lembra que "nós ficamos preocupados, na época, que o filme não funcionasse, porque lidava com drogas e cultura jovem e parecia, especificamente, escocês. Não tínhamos certeza se as pessoas entenderiam. Mas amamos o livro e estávamos desesperados para fazer o filme". Hodge aponta um detalhe importante. "A melhor coisa foi ser completamente inexperiente. É como se, por você não ter feito tanta coisa antes, não ficaria tão surpreso com o que acontecesse".
Para os fãs, o filme representou um choque de adrenalina num cinema britânico dominado por dramas de época, realismo social e comédias românticas. "Espero que, a forma como humanizamos os heróis e nos distanciamos da representação tradicional da vítima, soe como verdade. E, como no livro, Trainspotting - Sem Limites deu aos personagens um senso de humor e de percepção, que os negou, tradicionalmente. Isso foi controverso. As pessoas gostaram e não gostaram, pelos mesmos motivos", relembra o roteirista. "Se você tem a chance de fazer alguns filmes, você começa a aprender as coisas. Isso não é, necessariamente, uma ajuda. Algumas vezes, os filmes são feitos, no seu melhor, num estado de ignorância abençoada", ressalta Danny Boyle.
Sobre a "demora" para a produção desta continuação, o diretor faz uma revelação. "Já se passaram 21 anos desde o lançamento do primeiro filme e a sabedoria popular diz que estamos 20 anos atrasados", brinca. "O atraso não foi, exatamente, de propósito - falamos em fazer outro filme por anos. Mas, na verdade, é isso que dá ao filme uma razão de ser. Quando você coloca os atores lado a lado com a forma como se pareciam há 20 anos, é brutal. O pessoal lidou bem com isso, foram honestos".
"A questão principal era se John poderia produzir um roteiro", diz Danny Boyle. "Os atores tinham reservas, só queriam fazer algo tão bom quanto o primeiro", conta. "Nós sabíamos que seria agradável ver esses quatro personagens juntos novamente. Mas, a maior surpresa foi o impacto emocional. Há um sofrimento. Tem muita relação com a nossa consciência sobre o que o tempo fez com eles e conosco".
T2 Trainspotting é uma merecida volta ao universo dos personagens de Irvine Welsh. Não existe a necessidade de causar impacto, como da primeira vez, mas apenas buscar respostas, que não são bem aquelas que esperamos. Vale a pena conferir. A sessão acontece às 19h40 e o ingresso tem preço único de R$ 12. Maiores de 60 anos pagam R$ 6.
Spud, Renton, Begbie e Sick Boy se reencontram anos depois para tratar feridas antigas Spud, Renton, Begbie e Sick Boy se reencontram anos depois para tratar feridas antigas (Crédito: Divulgação)
Ewen Bremner, Johnny Lee Miller, Ewan McGregor, Robert Carlyle e Kevin McKidd em 1996 Ewen Bremner, Johnny Lee Miller, Ewan McGregor, Robert Carlyle e Kevin McKidd em 1996 (Crédito: Divulgação)

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