Publicado em: 10/04/2017 18h00 - Atualizado em 17/04/2017 16h12

Abuso de menina foi denunciado pelo irmão

Após confessar que cometeu o crime por três anos, homem declarou ser uma pessoa doente

Adriana Brumer Lourencini
Werner Münchow Delegada Fernanda Montemor Hetem confirmou que a denúncia à polícia foi feita pela mãe, após pressão da família
A prisão, na última sexta-feira, do homem que abusava sexualmente da filha de 9 anos causou grande repercussão em Indaiatuba. Em depoimentos à Polícia Civil, a mãe da menina alegou desconhecer o fato e o pai, apesar de ter confessado, disse que fazia isso por ser uma pessoa doente.
Durante coletiva de imprensa realizada na tarde de Segunda, dia 10, na Delegacia, a delegada Fernanda Montemor Hetem comentou alguns detalhes adicionais do caso. "O fato foi denunciado pela própria mãe da vítima. Ela veio até a delegacia - infelizmente demorou todo esse tempo (a menina era abusada há cerca de três anos) - pressionada pelos familiares", comentou.
Hetem também disse que a mulher não sabia da ocorrência dos abusos à filha, dentro de sua própria casa. "A mãe declarou desconhecer o fato, contou ainda que faz uso de medicamentos controlados para dormir e nunca percebeu nada", acrescentou a delegada.
De acordo com as informações, foram colhidos depoimentos do pai (autor), da garota de 9 anos (vítima) e de um dos irmãos dela (testemunha), de 12 anos. "O menino disse que sabia dos abusos à irmã, já que ele certa vez flagrou o pai com ela. Finalmente, depois de três anos, ele e a menina tiveram coragem de contar à mãe o que estava acontecendo", completou Hetem.
A delegada admite estranheza no comportamento da garota, já que a mesma admitiu gostar muito do pai, apesar dos abusos. "Não entendo como é o funcionamento da dinâmica desta família, porque a menina disse que não queria que o pai fosse preso", apontou.
Família
O autor, por sua vez, confessou a prática de abuso sexual contra a filha, porém, destacou à polícia que sentia muito remorso após as agressões. "Ele falou que ficava arrependido e chorava muito. Afirmou estar doente e precisando de tratamento", detalhou a delegada.
Ela destacou ainda que o pai confirmou toda a declaração da menina e que em nenhum momento ele negou ser autor do ato. Com base nos autos do processo, a família - composta pelo casal e quatro filhos (além da vítima e do filho de 12 anos, há outros dois meninos, de 2 e 4 anos de idade) - reside no Parque Campo Bonito, e demonstra possuir características disfuncionais.
"As crianças não tinham coragem de contar e só quando eles viram o pai brigar com a mãe decidiram contar tudo a ela. Não posso afirmar se ela sabia de tudo - aqui ela falou que os abusos ocorriam quando ela não estava em casa ou estava dormindo, mas as crianças confirmam que ela nunca viu nada. O depoimento deles é uníssono, inclusive, afirmam que ele sempre foi bom pai, era carinhoso e a menina o adorava", resumiu a delegada.
Ela disse ainda que a mãe da garota nunca fez qualquer denúncia contra o marido. "As crianças confirmaram que ela sempre sofreu violência física e moral durante todo o casamento, mas só agora soubemos disso", reforçou.
Indícios
Sobre o fato, ela chama a atenção das pessoas em relação ao comportamento das crianças. "Veja se a criança está mais tímida, calada. Olhe nos olhos e esteja sempre atento sobre onde o filho vai e com quem. Mesmo quem não tem muito tempo, procure dedicar um período para ficar próximo aos filhos, porque um pequeno tempo de qualidade pode resolver muita coisa", salientou.
"Não falo apenas de abuso sexual, mas é válido verificar se o seu filho não está consumindo ou vendendo drogas, se tem objetos em casa que você não conhecia, entre outros", conclui a delegada.
Caso
O frentista de 29 anos praticava os abusos contra a filha há três anos e disse em depoimento que, após o ato de violência, chorava arrependido. As agressões à criança tiveram início quando a família ainda residia na Vila Brizola e prosseguiram depois que eles se mudaram para o Parque Campo Bonito.
A ação da Polícia Civil foi realizada com o apoio das Rondas Ostensivas Motorizadas de Indaiatuba (ROMI). Devido à gravidade do fato, na sexta-feira a delegada solicitou ao juiz a prisão preventiva do sujeito até o seu julgamento, no que foi prontamente acatada.

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