Publicado em: 24/04/2017 15h37 - Atualizado em 27/04/2017 16h36

Escrivão da Polícia é absolvido da acusação de tráfico de drogas

Márcio Matoso foi preso em ação que também levou investigadores à cadeia

Adriana Brumer Lourencini
Werner Münchow Operação que prendeu o escrivão e mais três investigadores da cidade, em agosto de 2016, foi liderada pelo Gaeco
O escrivão da Polícia Civil, Márcio Matoso, foi inocentado da acusação de tráfico de drogas, em sentença proferida no dia 18 de abril. Após ouvir diversas testemunhas, incluindo colegas de trabalho de Matoso, o juiz Nelson Augusto B. Souza determinou a soltura do réu, que ficou preso por 30 dias.
Durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), em agosto de 2016, foram localizados 66 eppendorfs de entorpecentes em uma das gavetas da mesa de Matoso, no 1º Distrito Policial da cidade. Em um saco plástico havia 36 eppendorfs contendo cocaína e 30 com crack.
De acordo com a denúncia, o escrivão, prevalecendo-se de sua função pública, guardava as drogas para fins de tráfico, sem autorização e em desacordo com determinação legal. Em seu depoimento, Matoso confirmou a presença das drogas em sua sala, porém, explicou que as mesmas foram localizadas em uma caixa de papelão, sem identificação ou lacre. Ele disse ainda que uma funcionária (testemunha de defesa) lhe entregou os entorpecentes, já que ele era o responsável por preparar as drogas que seriam incineradas. Como estas não estavam atreladas a nenhum processo, o escrivão decidiu guardá-las na gaveta para, mais tarde, identificar sua origem.
O réu também declarou que, à época, avisou o delegado Danilo Amâncio Leme de que o material havia sido encontrado. O superior, então, falou ao escrivão que este deveria tentar identificar as drogas, mas, devido à falta de tempo, por acúmulo de serviço, ele se esqueceu da tarefa, deixando os produtos em sua mesa.
Sentença
Em juízo, o acusado negou a acusação de tráfico. As demais testemunhas, no total de seis, confirmaram o depoimento de Matoso de que havia entorpecentes em sua mesa. Uma das duas testemunhas de defesa, inclusive, acrescentou que havia participado da identificação e separação das drogas que seriam incineradas e que ela mesma encontrou o saco plástico com os entorpecentes não identificados, entregando-o ao escrivão.
Outra testemunha de defesa atestou que, em outras ocasiões, haviam surgido drogas sem identificação, e que acreditava que o referido material seria comunicado por Matoso em momento oportuno.
A promotora de Justiça substituta, Evelyn Martins, afirmou ter participado da incineração das drogas e que, em uma de suas visitas à delegacia, ouviu queixas dos funcionários sobre falta de pessoal e de estrutura, e que os entorpecentes ficavam armazenados em uma das celas.
Por fim, o juiz determinou improcedente a acusação de tráfico contra Matoso, embora este tenha confirmado a presença das drogas em sua sala de trabalho. Para Souza, as provas produzidas não evidenciavam a prática de tráfico.
O magistrado reiterou que o comportamento do escrivão chefe foi irregular e causou estranheza, porém, considerou que ninguém pode ser condenado por tráfico devido a mera suposição ou aparência.

Matoso foi preso por guardar entorpecentes na gaveta

Na manhã de 12 de agosto de 2016, o Gaeco, juntamente com a Polícia Civil de Indaiatuba, realizaram uma operação de busca e apreensão de três investigadores. A 2ª Corregedoria da Polícia Civil de Campinas também participou da operação, que teve início em janeiro do mesmo ano, por meio de escutas telefônicas.
Segundo Sander Malaspina, delegado titular da 2ª Corregedoria, as conversas revelaram que alguns membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) se relacionavam com policiais civis de Indaiatuba.
À ocasião foram presos os investigadores Glauco Verdu, Renato Cardoso e Wagner Lima, que foi detido no litoral paulista, pois estava de férias. Além dos três mandados, a ocorrência descobriu os entorpecentes na gaveta da mesa de Matoso, fazendo com que ficasse detido por um mês.
Os três policiais que estavam sendo investigados desde o começo do ano foram levados para um presídio em São Paulo e seguem sendo investigados por associação ao tráfico, contrabando de cigarros e corrupção policial.

Veja Também:

Comentar


Mais lidas
Filmes em cartaz
  • GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2
  • VIDA
  • VELOZES E FURIOSOS 8
  • A CABANA
  • OS SMURFS E A VILA PERDIDA
  • O PODEROSO CHEFINHO
  • A BELA E A FERA
  • SILÊNCIO