Publicado em: 01/09/2017 10h39 - Atualizado em 06/09/2017 09h46

HQ Fest: o mundo dos quadrinhos em Indaiatuba

Evento acontece no Parque Mall e recebe 60 quadrinistas de destaque no Brasil e exterior

Fábio Alexandre
O mercado de quadrinhos cresceu muito nos últimos anos, apoiado na criação de editoras independentes e também nas adaptações para o cinema, que hoje movimentam milhões de dólares em bilheteria pelo mundo. No Brasil, o mesmo acontece e profissionais experientes dividem espaço com jovens em busca da oportunidade de levar seu trabalho ao público. Conhecidas do público norte-americano, as comic con ganharam destaque também no Brasil e aproximam artistas do público consumidor de quadrinhos.
Inédita na cidade, a proposta ganha sua primeira edição no dia 16 de setembro, das 9h às 18h, quando acontece a HQ Fest, evento criado e organizado pelo Estúdio EMT, do quadrinista Moacir Torres, e que acontece no Parque Mall, com entrada franca. Durante o evento, o público poderá interagir com mais de 60 quadrinistas, de diversos estilos, de todo o Brasil, que irão apresentar e vender seus trabalhos.
Moacir Torres fala sobre a primeira edição da HQ Fest. "Este é o primeiro evento do gênero realizado em Indaiatuba e o grande diferencial é que no Parque Mall, além de contar com as lojas e a praça de alimentação, a entrada será totalmente gratuita. Outros eventos costumam cobrar ingresso, por isso acredito que teremos muitos visitantes", ressalta.
Painéis
Destaque em qualquer comic con, os painéis reúnem especialistas para debater assuntos relacionados a histórias em quadrinhos, cinema e cultura pop em geral. A HQ Fest conta com uma programação variada, que tem início às 11h, quando o jornalista Marcos Kimura comanda o painel A Influência de Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman no Pop Contemporâneo.
No período da tarde, às 14h, o quadrinista e ilustrador Laudo Ferreira, ganhador dos prêmios de Melhor Roteirista e Edição Especial Nacional por Yeshua: Absoluto, lançado pela Devir, no Troféu HQMIX 2017, se apresenta ao público para contar um pouco mais de seus trabalhos e sobre o mercado de quadrinhos nacional.
Logo em seguida, às 14h30, Abelar Nagil mostrará toda a sua arte em um grafite, que será feito ao vivo para o público. Na sequência, às 15h, o ilustrador Pedro Mauro falará sobre os artistas que produzem HQs para o exterior.
Por volta das 16h, o jornalista Paulo Maffia, editor Disney da Editora Abril, irá falar sobre os lançamentos de quadrinhos da Disney para os próximos meses. Na sequência, outra presença ilustre será do quadrinista brasileiro Luke Ross, artista exclusivo da Marvel no Brasil. Ele irá debater o mercado de quadrinhos no mundo e contar como é feita a criação e desenvolvimento de trabalhos para esta e outras franquias.
Outra atração será a presença de cosplays, fãs que se caracterizam como seus personagens preferidos. Um desfile será realizado por volta das 17h30 e para participar, basta comparecer ao Parque Mall preparado para fazer fotos e se divertir. A primeira edição da HQ Fest conta com apoio do Parque Mall, Editora Abril, site Nerd Interior, Colégio Episteme e Geek's Bar N'Store.
Segundo o administrador do Parque Mall, Antônio Graziano, o shopping está sempre de portas abertas para os eventos da cidade. "A ideia é trazer diversão e opção de entretenimento para nossos clientes e visitantes", salienta. "Por isso oferecemos, além de espaço adequado para este tipo de evento, estrutura com estacionamento e segurança, lojas e praça de alimentação completa".
1ª HQ Fest de Indaiatuba
Data: 16 de setembro
Horário: das 9h às 18h
Local: Parque Mall
Endereço: Rua das Primaveras, 1.050
Entrada franca
Moacir Torres, autor da Turma do Gabi e Papo Amarelo, organiza evento em setembro Moacir Torres, autor da Turma do Gabi e Papo Amarelo, organiza evento em setembro (Crédito: Divulgação)

Artista exclusivo da Marvel desde 2008, Luke Ross revela novos projetos

Divulgação Artista trabalha em novas edições de Star Wars e X-Men
A Tribuna conversou esta semana com Luciano Queiroz, mais conhecido por seu nome artístico, Luke Ross, desenhista exclusivo da Marvel desde 2008 e um dos pioneiros no mercado internacional de quadrinhos. Nesta entrevista, Luke ressalta seu carinho pelo amigo Moacir Torres e revela quais serão os seus próximos trabalhos.
De origem humilde, Luke Ross precisou convencer seus pais de que os quadrinhos eram uma opção viável de profissão e driblou as dificuldades para ampliar seu conhecimento. Seu primeiro trabalho publicado foi em Turma do Arrepio (Editora Globo), em 1991, e a estreia no mercado internacional aconteceu no ano seguinte, com Blood is the Harvest (Eclipse Comics). Já passou por títulos como Espetacular Homem-Aranha, X-O Manowar, Liga da Justiça, Gen13, X-Men, Lanterna Verde, Jonah Hex e Samurai: O Céu e a Terra, entre outros.
Tribuna - Como conheceu o Moacir Torres?
Luke Ross - Minha história com o Moacir é interessante, pois aconteceu bem antes de eu produzir quadrinhos comercialmente. Estava procurando aprender e aprimorar minha técnica e no ABC, onde eu morava na época, não haviam escolas. As que tinham na região, eu e meus pais não podíamos pagar. Então resolvi me infiltrar na cena de fanzines e o Moacir era artista de um encarte dominical no Diário do Grande ABC. Nos conhecemos numa exposição, fizemos amizade e ele me orientou a fazer meu próprio fanzine. Foi importante porque aprendi a produção completa de uma edição, o que me ajudou, anos mais tarde, quando trabalhei em uma agência de publicidade.
Tribuna - Seu começo de carreira foi difícil?
LK - Aos tropeços (risos). Tinha muita vontade, mas meus pais ficavam na cola. Como morava no ABC, acabei me formando em ajustagem mecânica e ferramentaria, mas com o intuito de fazer dinheiro e me inscrever na Escola Panamericana de Artes. Quando terminei o curso no Senai e fui trabalhar na área, vi que não tinha nada a ver com meu futuro. Então fiquei na cola do César Sandoval, que produzia a HQ da Turma do Arrepio, que me ofereceu um estágio. Logo virei coordenador. O César agenciava alguns artistas, como o Mike Deodato, em suas carreiras no exterior, através da Art Comics.
Tribuna - Como foi o início da carreira no exterior?
LK - Cheguei a trabalhar em três títulos simultaneamente, era muita correria. Sempre trabalhei muito e tive o sonho de empreender na área. Assim, junto com o Roger Cruz e o Marcelo Campos, abrimos a Quanta e a Impacto Quadrinhos - que daria origem ao Instituto de Quadrinhos. Me sentia na obrigação de ensinar o que aprendi. Deu muito certo e descobrimos talentos de São Paulo e de outros Estados.
Tribuna - Como quadrinista, no que trabalha atualmente?
LK - Sou artista exclusivo da Marvel desde 2008. Vamos renovando o contrato a cada dois anos. No momento, estou aguardando um novo roteiro de Star Wars, que irá girar em torno do Almirante Thrawn. Acabei há pouco uma edição de X-Men Gold e também estou trabalhando em uma história de Marvel Contesto of Champions. Estou colaborando ainda com um projeto do Felipe Cagno, uma nova edição de Os Poucos & Amaldiçoados, que obteve apoio via Catarse.
Tribuna - Existe espaço para novos talentos no mercado exterior?
LK - Acredito que existe espaço para todo mundo. Nem tenho ideia de quantos artistas brasileiros trabalham atualmente para o mercado dos Estados Unidos e até mesmo Europa e Japão, mas somos muitos. E pelo que ouço, o profissionalismo dos brasileiros sempre se destaca. O aumento no números de escolas e iniciativas como a que tivemos, de passar o conhecimento adiante, fizeram surgir grandes talentos. Sem falar que o universo de títulos de quadrinhos nos Estados Unidos é absurdo. Só a Marvel tem mais de 300.
Tribuna - Como você enxerga o mercado atual de quadrinhos?
LK - Não me lembro de uma época com tantas empresas interessadas. E não apenas ligadas a quadrinhos, mas também a vestuário e tantos outros segmentos. No começo, achei que era temporário, mas os anos estão passando e essa moda não passa (risos). Contudo, a meu ver, o mercado de HQs tem se retraído. Não sei se os leitores não estão se envolvendo ou lendo mais o material digital - e isso não é contabilizado de maneira correta. Mas os quadrinhos são importantes para essa renovação de público que estamos observando.
Tribuna - Eventos como a HQ Fest aproximam os quadrinistas do público do interior, escapando das capitais. Como vê isso?
LK - Vejo como uma oportunidade única. Sempre que posso, visito regiões com as quais não tenho contato com meus fãs, dou um jeito de ir. Os grandes eventos realmente acontecem mais nas capitais, mas isso vêm mudando. Recentemente, lancei um livro de sketchbooks (esboços) em Jaú e muita gente compareceu, foi uma loucura. Em Indaiatuba, vai ser mais uma oportunidade de estar próximo dos fãs e ainda rever o Moacir e outros grandes amigos. Espero todo mundo lá.

PROGRAMAÇÃO

9h - Abertura oficial
11h - A influência de Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman no Pop Contemporâneo, com Marcos Kimura
14h - Produção de Quadrinhos Nacionais e Independentes, com Laudo Ferreira
14h30 - Grafite ao vivo com Abelar Nagil
15h - Artistas que produzem HQs para o exterior, com Pedro Mauro
16h - Lançamentos de quadrinhos Disney, com Paulo Maffia
17h - Criação e Desenvolvimento de Quadrinhos para a Marvel, com Luke Ross
17h30 - Desfile de cosplay
18h - Encerramento

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