Publicado em: 09/10/2017 15h29 - Atualizado em 11/10/2017 10h57

Casos de leishmaniose crescem na cidade

Bairros da zona rural de Indaiatuba detêm o maior número de registros da zoonose

Adriana Brumer Lourencini
Casos recorrentes de leishmaniose têm preocupado a população de Indaiatuba, especialmente os residentes nas zonas rurais, onde a incidência da doença tem sido maior. Esta é a enfermidade que mais afeta os cães, e é transmitida pela picada do mosquito palha.
Conforme explica o médico veterinário Alex Dirlei de Brum, houve registros da enfermidade em Itaici e no Vale das Laranjeiras. "São lugares de sítios mesmo, porque o mosquito prolifera mais em áreas rurais", reforça.
Entretanto, diferente do que ocorre em relação ao Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, o vetor da leishmaniose não deposita ovos em água parada, e sim em matéria orgânica e locais úmidos e escuros. Portanto, quintais com acúmulo de folhas e frutos formam o ambiente ideal para sua reprodução.
A assessoria da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Sermurb), por sua vez, destaca que o mosquito transmissor gosta de sombra, umidade e matéria orgânica em decomposição, independentemente desse cenário estar em zona rural ou urbana.
"Trata-se de uma zoonose, ou seja, é transmitida a animais e humanos. É uma doença que requer tratamento permanente e, há cerca de cinco meses, indicava-se a eutanásia do animal, pois não havia tratamento", continua Alex.
O veterinário também alerta que, além de cuidar do animal infectado, também é preciso maior atenção ao ambiente. "Fazer a limpeza do quintal, retirando folhas e fezes dos cachorros. O tratamento da leishmaniose é caro - para um cão de 20 ou 30 quilos serão gastos entre R$ 2 mil a R$ 2,5 mil por mês", revela.
"O mosquito hoje é considerado o grande mal do século, já que ele transmite vários tipos de doenças. Além da leishmaniose, há ainda a dirofilariose, uma antropozoonose que ataca o coração do cachorro. Há estudos que indicam que os insetos estão transmitindo até hepatite e HIV", observa Alex.
Imunização
A vacina não é fornecida pelo governo, aponta a Semurb; e é indicada para cães e gatos a partir dos quatro meses de idade, que estejam sadios e soro negativos em relação à leishmaniose. "A imunização deve ser feita com três doses, em intervalos de 21 dias; cada dose custa de R$ 130 a R$ 150", comenta Alex.
Todavia, a assessoria da Sermurb ressalta que a eficácia da vacina ainda é discutida, e que a mesma só deve ser feita após duas provas negativas da doença. É preciso levar em conta critérios de prevenção ambiental, sorologia negativa, quadro clínico do animal, entre outras medidas.
Segundo a Pasta, de julho de 2016 a setembro de 2017 foram confirmados sete casos entre os 230 cães investigados. Quanto à eutanásia, houve duas, com autorização do proprietário, visto que não havia perspectiva de tratamento.
A forma mais efetiva de prevenção ainda é a adoção de medidas para combater o vetor, tais como: recolher folhas e frutos podres e mortos, e não deixar matéria orgânica na sombra (fezes, estrume e compostagem sem cobertura). Vale também o uso de repelentes e a instalação de telas em janelas e portas.
Além de cuidar do animal infectado, é importante também maior atenção ao ambiente Além de cuidar do animal infectado, é importante também maior atenção ao ambiente (Crédito: Fotos: Werner Münchow)
Enfermidade é transmitida pelo mosquito palha ou pólvora Enfermidade é transmitida pelo mosquito palha ou pólvora (Crédito: Werner Münchow)
Acúmulo de folhas e frutos podres e matéria orgânica em área de sombra atraem o vetor Acúmulo de folhas e frutos podres e matéria orgânica em área de sombra atraem o vetor (Crédito: Arquivo TI)

Doença está entre as seis endemias prioritárias no mundo, alerta Ministério

Arquivo TI Acúmulo de folhas e frutos podres e matéria orgânica em área de sombra atraem o vetor
A leishmaniose foi classificada pelo Ministério da Saúde entre as seis endemias prioritárias no mundo, acometendo principalmente os cachorros, gatos e humanos. A transmissão se dá pela picada do Lutzomyia longipalpis (conhecido como mosquito palha ou pólvora). O inseto (vetor) pica o animal já infectado e ingere a leishmania; esta se transforma no intestino do vetor, que irá transmiti-la a humanos e novos animais, destruindo seu sistema imunológico.
"Não é o animal quem transmite a leishmaniose para humanos, e sim, o mosquito", alerta Alex. "Lambidas, mordidas, arranhões ou contato físico de cães infectados não representam riscos. O responsável pela transmissão e transformação do parasita é o flebótomo, que é o pernilongo que irá picar o animal infectado, e depois outros bichos e as pessoas", completa.
Entre os problemas causados pela enfermidade nos animais estão os dermatológicos, por meio da perda de pelos nas regiões das orelhas, focinho e olhos; crescimento ostensivo das unhas; emagrecimento exagerado.
"Caso o animal esteja com a doença, e também como método de prevenção, o ideal é colocar a coleira repelente, que custa entre R$ 90 e R$ 240 em média, com períodos de ação de quatro, seis ou oito meses. Ela é importante para evitar novas transmissões", enfatiza Alex.
Sorologia
Ainda de acordo com a prefeitura, a sorologia para leishmaniose de cães é solicitada por notificação obrigatória feita pelo médico veterinário. Após notificação, aequipe de zoonoses da Vigilância Epidemiológica agenda a coleta do animal suspeito e envia a amostra (sangue/soro) ao Instituto Adolfo Lutz, que faz duas análises. Após o resultado (negativo ou positivo), a equipe entra em contato com o veterinário do animal e com o proprietário para orientar sobre as medidas preventivas.
Todo ano são feitas investigações de focos, desde que haja condições ambientais para a presença do mosquito e vetor positivo na colocação de armadilhas. Em caso positivo, é feita coleta com o mínimo de 10% de amostras (sangue dos animais) daquele setor. Nestes casos, o exame é gratuito. Já na rede particular, o exame não sai por menos de R$ 70, revela Alex de Brum.

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