Publicado em: 09/03/2018 13h06 - Atualizado em 12/03/2018 09h43

Contrato com Sancetur será investigado por vereadores

Solicitação foi feita por representantes de sindicato da categoria e funcionários da Citi

Adriana Brumer Lourencini
A novela do transporte público de Indaiatuba continua. Nas duas últimas semanas, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários vem organizando manifestações na Câmara de Indaiatuba, junto aos funcionários da Companhia de Transporte de Indaiatuba (Citi), antiga operadora dos coletivos municipais. Eles pedem que os vereadores investiguem o contrato emergencial com a SOU, da Santa Cecília Turismo (Sancetur). Os representantes do Legislativo concordaram com a solicitação.
Pela segunda semana consecutiva, na sessão do dia 5 de março, os trabalhadores e representantes do jurídico sindical compareceram diante dos vereadores, chamando a atenção para a questão do transporte público. Todavia, os ânimos se exaltaram, já que o sindicato levou ainda seguranças ao local; por fim, a sessão foi interrompida e uma nova data foi marcada para entender as reivindicações da categoria.
Assim, na tarde da quarta (7), eles novamente se reuniram na Câmara. "Viemos atéaqui somente para ouvi-los", começou o líder da casa, Hélio Ribeiro (PSB). O representante jurídico dos Rodoviários iniciou falando sobre o passivo trabalhista assumido pela Citi. "A Indaiatubana ficou devendo R$ 5 milhões aos trabalhadores e a Citi vem fazendo os pagamentos", declarou. "Além disso, soubemos de irregularidades na SOU, como atrasos, e a empresa não é multada, enquanto a Citi sempre recebia multas."
Outro problema mencionado pelo sindicato é a cobrança das tarifas feita pelos motoristas da nova empresa. "Recebemos muitas reclamações sobre isso, e levamos a questão ao Ministério Público (MP) do Trabalho, já que o motorista não pode exercer a função de cobrança, porque compromete a segurança de todos. Ou eles deixam 100% da bilhetagem eletrônica ou coloquem cobradores", ressaltou o representante.
Após muita discussão e argumentos, o grupo de vereadores presentes questionou a real reivindicação dos manifestantes. "Nós queremos que a Câmara investigue o contrato emergencial do transporte público de Indaiatuba", resumiu a representante sindical. 
A Tribuna fez questionamentos ao departamento jurídico do sindicato, porém, até o fechamento desta edição, não obteve resposta. 
Sem vagas
A pendência sobre os empregos dos 148 trabalhadores da Citi não entrou na pauta. Durante o encontro, acompanhado pela Tribuna, alguns trabalhadores se manifestaram.
Os trabalhadores foram unânimes em negar admissões na SOU. "O Maia (gerente da SOU) disse que jamais terá lugar para cobrador", destacou Lucírio de Oliveira (o Zacarias). Ele atua na função há oito anos e contou que nem chegou a procurar emprego na Sancetur por conta desta afirmativa.
"Todos os que estão indo lá já não encontram mais vagas", adicionou Rosa Cristina. "Eu mesmo liguei na SOU para fazer um teste e falei que queria trabalhar ali, mas me disseram que teria de esperar alguém se desligar. Se a Citi ficar ou não, estamos desempregados; não podemos sair antes da justiça bater o martelo", falou um motorista que não se identificou.
No momento em que os funcionários da Citi conversavam com a Tribuna e os vereadores, a outra representante sindical chamou a todos para se retirarem, dizendo que não iriam resolver mais nada ali.
Atualmente, motoristas, cobradores e demais funcionários continuam empregados pela Citi, inclusive, recebendo salários e benefícios. "A Citi assumiu até a dívida da Indaiatubana com a gente, e vem pagando em dia", garantiu Zacarias.
Ele também revelou que foi fixado um cartaz na garagem da Citi, informando a data de 20 de março para a decisão judicial. "Nosso gerente, o Pedrinho, já avisou que, se perdermos, ele vai nos indicar vagas; seremos demitidos e receberemos tudo. Quanto ao prefeito, dei muito apoio para ele, mas o que ele fez no transporte está errado. Na segunda que vem vamos na Câmara de novo, para mostrar nossa indignação. E contamos com os vereadores na investigação", concluiu Zacarias.
Questionada sobre o cartaz, a direção da Citi não se manifestou até o fechamento da edição.
xxx xxx (Crédito: Werner Münchow)
Trabalhadores e representantes do sindicado reunidos com vereadores na quarta-feira Trabalhadores e representantes do sindicado reunidos com vereadores na quarta-feira (Crédito: Werner Münchow)

Usuário continua sem sabersobre créditos dos cartões

Na outra ponta, está o usuário do transporte, que ainda não sabe quando terá de volta os valores retidos nos cartões. "Eu tenho mais de R$ 100 e a empresa colocou novos créditos, mas vai descontar do meu salário", revela a vendedora Léia dos Santos. "Ainda vejo muita gente pagando as passagens em dinheiro, o que atrasa bastante a saída do ônibus. Sem contar os que estão andando a pé, porque não podem pagar a tarifa", complementa.
Camila Teixeira afirma que tem tido problemas por conta de atrasos. "Sempre chego tarde ao trabalho. Acho que é pelo motorista ter de cobrar as passagens", opina. Ela também possui mais de R$ 100 em créditos da Citi. "A loja fez nova recarga, mas, espero receber meus créditos."
Sobre a falta de cobradores, elas também comentam. "Não são todos os ônibus que têm cobrador e, quando tem, eles ficam em pé lá na frente", conta Léia. Os próprios funcionários da Citi alertam: "O coitado do cobrador trabalha horas curvado sobre o motor do ônibus", enfatizou Zacarias. Ele aponta ainda o fato dos motoristas da SOU desconhecerem o itinerário. "Acredito que os cobradores estão lá só para orientar o trajeto. Assim que os motoristas aprenderem, vão dispensar."
O fato é confirmado pela passageira Léia. "Muita gente pede para descer em determinado local, e os motoristas só respondem que não sabem onde fica. Nós, os passageiros, é que nos ajudamos."
A resposta da Prefeitura à proposta feita pela Citi, de operar na cidade até zerar os créditos, foi negada. Em nota, a administração pública disse: "O corpo jurídico municipal manifestou-se contrariamente à solicitação da Citi (...). A procuradoria esclareceu em seu despacho que, devido ao processo de caducidade, a empresa teve seu contrato rescindido, o que a impede de realizar o transporte coletivo no município".
A Citi também não se pronunciou sobre a decisão do poder público neste caso.

Veja Também:

Comentar


Mais lidas
Filmes em cartaz
  • OS FAROFEIROS
  • O PASSAGEIRO
  • CINECLUBE - O INSULTO
  • PANTERA NEGRA
  • CINQUENTA TONS DE LIBERDADE
  • OPERAÇÃO RED SPARROW
  • A MALDIÇÃO DA CASA WINCHESTER
  • A FORMA DA ÁGUA
  • DUDA E OS GNOMOS