Publicado em: 04/04/2018 17h09 - Atualizado em 09/04/2018 10h03

Sem acordo, questão dos créditos segue indefinida

Ministério Público fixou prazo máximo até 12 de abril para acordo amigável

Adriana Brumer Lourencini
O impasse dos créditos retidos nos cartões do ônibus da Companhia de Transportes de Indaiatuba (Citi) segue sem definição. Na última reunião, realizada no Ministério Público (MP), em 2 de abril, não houve acordo entre a Viação Rápido Sumaré e a atual operadora do transporte municipal, a SOU, da Santa Cecília Turismo (Sancetur).
Na semana anterior, foi solicitado à Prodata, fabricante do sistema de leitura digital dos cartões, que estudasse um modo para que os leitores da SOU Indaiatuba pudesse registrar os cartões da Citi. No dia 28 de março, a fabricante enviou o projeto, que foi analisado pela Sancetur.
Assim, todos se reuniram na tarde de segunda-feira (2), porém, não houve acordo entre as partes. Conforme publicado pela Tribuna, na semana passada, o responsável pelo sistema da SOU, Marcos Azevedo, salientou que havia muitos contras no projeto, e que este poderia ser inviável para a Sancetur, já que iria interferir na estrutura da empresa.
A Tribuna teve acesso à ata da reunião, da qual participaram: Wanderley José Boni, secretário municipal de negócios jurídicos; Luiz Fernando Cardeal Sigrist e Sérgio Henrique Dias, procuradores do município; o gerente operacional Pedro Resende Brito, Gerson Rossi e Naila Cristina Ferreira Nucci, representantes da Rápido Sumaré; Marcos Azevedo, Luís Daniel Pelegrini e Fábio Bortolato, representando a Sancetur; além do promotor de Justiça Marcelo Di Giacomo Araújo.
Na oportunidade, os membros da Sancetur afirmaram não concordarem com os termos da proposta, expondo os motivos. "Entendemos que este problema deve ser resolvido entre a Prefeitura e a Citi. Nós somos os terceiros envolvidos, e os referidos créditos não estão conosco, mas sim, com a outra empresa. Temos de nos preocupar com a operação sob nossa responsabilidade, e oferecer o melhor serviço possível à população, mesmo que estejamos atuando por contrato emergencial. Não temos a mínima condição de mudar agora nossa infraestrutura para atender a uma situação que é de responsabilidade de outra companhia", disse Azevedo à Tribuna.
Os representantes da Rápido Sumaré, então, se comprometeram a apresentar, até o próximo dia 12, tanto à promotoria quanto à Sancetur, a relação dos usuários do transporte que possuem crédito junto à Citi, e os respectivos valores. Durante este período, a Prefeitura de Indaiatuba e a antiga operadora do transporte público estão promovendo tentativas de encontrar a melhor forma de devolver o dinheiro aos passageiros.
Ultimato
Assim, na próxima quinta-feira irá ocorrer a última discussão sobre o assunto. As partes devem assinar o termo de ajustamento de conduta. Na última reunião, o promotor ressaltou que, caso não haja uma conclusão satisfatória, não será mais possível aguardar por uma solução amigável da questão, e uma ação civil pública será proposta.
Por meio da assessoria de imprensa, o promotor complementa que, se a Rápido Sumaré não apresentar alternativa, a ação pública irá exigir a devolução dos valores.
Procurada pela Tribuna, a Citi garantiu total interesse em cumprir com seu compromisso junto aos consumidores de Indaiatuba. Contudo, não antecipou qual será a nova proposta de solução para o caso - a mesma será apresentada somente ao MP. Todavia, na noite desta quinta (5), a assessoria da empresa divulgou nota contestando as justificativas da Sancetur; enviando, inclusive, o projeto da Prodata.
Prodata: homologação das funcionalidades garantiria o funcionamento do sistema Prodata: homologação das funcionalidades garantiria o funcionamento do sistema (Crédito: Reprodução (Prodata))
Validador da Prodata: homologação das funcionalidades garantiria funcionamento do sistema Validador da Prodata: homologação das funcionalidades garantiria funcionamento do sistema (Crédito: Werner Münchow)

Projeto mostra viabilidade da operação simultânea

O projeto executivo da fabricante dos leitores eletrônicos contempla a descrição detalhada do escopo da operação simultânea entre as bilhetagens da Sancetur e Rápido Sumaré. O documento de nove páginas inclui um diagrama e tabela de prazos, destacando a especificação de cada operação dos processos para tal atividade, assim como os pré-requisitos necessários e até restrições, se for o caso.
Conforme o projeto, a partir do recebimento dos cartões valorados de ambas as empresas, a Prodata iria homologar suas funcionalidades em seu laboratório. Esta ação garantiria o perfeito funcionamento do sistema.
Na fase da aceitação dos cartões de vale-transporte comum e estudante, tanto os da SOU como da Citi, seriam aplicadas as mesmas regras em vigor, sem qualquer modificação decorrente da operação simultânea. Também não haveria impacto para os usuários. Para isso, o sistema atual da Sancetur deveria ser configurado para que as aplicações fossem aceitas em seu validador; a atividade seria por meio de parâmetros já conhecidos da Sancetur, sendo necessário somente o desenvolvimento de uma nova versão de validador.
A validação SAM refere-se à verificação, autenticação e validação das chaves dos cartões, através da instalação dos chips da bilhetagem da Rápido Sumaré nos validadores da Sancetur. A Prodata acrescentou que isso deveria ser feito em um final de semana para minimizar o tempo de instalação.
Já em relação ao recebimento dos arquivos validadores com as transações, o projeto previu que seriam via computador (V3Lan), módulo responsável pela comunicação, o que não demandaria ação adicional. Na etapa 5, os arquivos da bilhetagem seriam enviados para processamento nos Datacenter de cada sistema. Aqui, deveria ser instalado e configurado um novo leitor Wormhole na máquina V3Lan da Sancetur, já que cada um deles iria transferiros arquivos ao servidor correspondente.
Cronograma
Nos três procedimentos finais, os arquivos seriam processados e relatórios emitidos. Como esta parte é integrante do ciclo operacional, não haveria necessidade de qualquer alteração nos ambientes da Sancetur ou da Rápido Sumaré. A operadora atual, então, emitiria o relatório de prestação de contas, chamado de filipeta, onde constaria as transações das aplicações da Citi.
Por fim, a conciliação do movimento financeiro, que corresponde ao encontro de contas entre as bilhetagens das duas empresas, seria feita pelo confronto entre as filipetas da Sancetur e o relatório-resumo de usos da Rápido Sumaré para a data de operação entre as partes.
Quanto ao cronograma, seriam utilizados 18 dias para o desenvolvimento do validador, e a gravação, instalação e homologação da operação em laboratório. A instalação e configuração do Wormhole na garagem levaria quatro dias, mesmo tempo da configuração da contabilização das aplicações. A Central levaria outros quatro dias para configurar os parâmetros (EOD) da Sancetur para as aplicações da outra empresa, e faria o acompanhamento operacional durante 15 dias. No total, o trabalho levaria 38 dias.
A solução, apresentada de comum acordo entre as partes, com anuência da promotoria de Justiça e da Prefeitura, teve o intuito de minimizar os impactos operacionais para as duas empresas, e especialmente, os usuários do transporte público municipal.

Veja Também:

Comentar


Mais lidas
Filmes em cartaz
  • UM LUGAR SILENCIOSO
  • O HOMEM DAS CAVERNAS
  • COM AMOR, SIMON
  • COVIL DE LADRÕES
  • JOGADOR Nº1
  • CINECLUBE 10/04 - PROJETO FLÓRIDA
  • UMA DOBRA NO TEMPO
  • NADA A PERDER
  • PEDRO COELHO
  • CÍRCULO DE FOGO: A REVOLTA
  • OS FAROFEIROS
  • PANTERA NEGRA