Preconceito
Por Silvia BolívarQua, 10 de novembro de 2010 às 16h55 - Comentários: 0Visualizações: 0
Nordestinos

A polêmica sobre “racismo” contra nordestinos voltou à baila (embora nunca tenha saído...) com frases agressivas assinadas em rede social na web por uma estudante de Direito paulista, logo após a eleição de Dilma Rousseff. Ela argumenta que a vitória da candidata se deveu porque quase todos os nordestinos teriam votado na “candidata do Lula”.
O auê na mídia é em relação ao preconceito. Mas dá para enquadrar o fato em crime de racismo? Um racismo geográfico?! Mas dá para qualificar criminalmente a estudante, já que ela sugeriu “afogar” nordestinos. Ou seja, teria incitado homicídios.
A birra contra nordestinos é antiga, mas é mais forte em São Paulo. Quando saí do Rio e vim morar em Indaiatuba (ou no Estado de São Paulo), notei que paulistas de classe média e alta são mais antinordestinos do que os de minha cidade natal.
É importante ressaltar que houve quatro grandes “diásporas” de imigrantes nordestinos ao longo do século 20. Em massa, boa parte migrou para a Amazônia para trabalhar no ciclo da borracha. Nos anos 40, outra leva chegou ao norte do Paraná e, nos anos 60/70, aportaram no Rio e em São Paulo. A mais marcante, talvez, tenha sido a que levou milhares de nordestinos para construir a nova capital do Brasil. São os candangos, que acabaram fincando raízes em Brasília.
O Nordeste tem ainda seus “coronéis”, o que acarreta em mais pobreza e falta de educação escolar nos mais humildes. E, sim, para os nordestinos a ajuda tipo Bolsa Família (ou que nome tenha) é importantíssima
Por que tanto preconceito? Será que é pela falta de real proporcionalidade dos Estados no Congresso? São Paulo teria mais peso e deveria ter mais representantes? Bom, de fato há algo errado na representatividade. Isso foi obra da ditadura militar, que queria assegurar deputados e senadores “fiéis” e decidiram que a Câmara dos Deputados teria representantes por Estado e não pelo número de eleitores. Em tese, e apenas em tese, esses representantes do Nordeste serviriam como vaquinhas de presépio. Só que não contavam que os estados nordestinos também elegeram grandes nomes que ajudaram a derrubar a ditadura anos mais tarde.

Preconceitos

Preconceitos existem, embora velados. Não adianta, pois as pessoas costumam separar, qualificar, tachar. Aqui em Indaiatuba havia um preconceito social que apontava a linha do trem como separador de classes. Alguém que morasse “do lado de lá”, seria social e culturalmente inferior. Uma tremenda estupidez. Quando perguntei onde ficava tal rua, me responderam, “ah, é ali no bairro”. Como assim?! Só vim a entender depois. Ainda bem que esse preconceito foi superado.

Apartheid

E o que dizer do bullying? É também preconceito. Mas esse traumatiza, e muito. O que é preciso para mitigar preconceitos propiciar a uma nova geração conceitos pautados por valores éticos e morais. Parece balela, fala de político até. Mas só incutindo numa criança essa visão é que será possível evitar preconceitos tão imbecis.
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Marcadores: Educação, Preconceito
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