As fraudes no Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ocorridas em Indaiatuba e divulgadas com exclusividade pela
Tribuna, no dia 30 de outubro, que você pode conferir
aqui, escondem muito mais do que pequenos deslizes dos sete recenseadores que manipularam dados de 18 dos 242 setores domiciliares existentes na cidade. As fraudes atenuam um problema que merece muita atenção, principalmente do próprio brasileiro: o comprometimento e dever com a cidadania.
Para se tornar um recenseador, a pessoa interessada precisa passar por um processo de seleção que conta com provas específicas. É como se fosse um vestibular. Milhares de pessoas se inscrevem e apenas alguns, os que são considerados mais bem preparados, são escolhidos para realizarem, o que ao lado das eleições, é um dos exercícios maiores da democracia brasileira: o censo.
Um recenseador é pago pelos seus trabalhos, não é uma tarefa voluntariosa. Mesmo assim, alguns insistem em avacalhar com todo o processo, acreditando que inventar alguns dados ali e aqui não vai causar transtorno algum para ele, nem para ninguém. Mal sabe ele, recenseador sem comprometimento com o trabalho que se propôs a fazer, que estará prejudicando a ele diretamente. Dados falsos podem empurrar para baixo o crescimento de uma cidade, que é o que poderia ter acontecido em Indaiatuba, caso a fraude não fosse descoberta.
Do outro lado dos
smartphones, que é o equipamento utilizado pelos recenseadores durante a coleta, também há falta de comprometimento. Sim, muitos moradores, sem qualquer motivo aparente, apenas se recusam à responder um recenseador quando este bate a sua porta. Este é outro parâmetro importante, afinal, não adianta criticar apenas um lado quando a outra parte também não participa da maneira correta.
Poucos sabem, mas responder ao censo é um dever cívico e está amparado por lei federal. A lei 53.534, de 1968, diz que todas as pessoas são obrigadas a prestar informações solicitadas pelo IBGE. Quem não fornecer os dados, poderá pagar multa de até dez salários mínimos. A lei também diz que as informações passadas ao órgão são de caráter sigiloso e servem exclusivamente para fins estatísticos.
Quando se trata de direito, todos querem seu filete de cidadania e democracia, porém, muitas vezes, quando o assunto é dever, infelizmente, não se vê o mesmo entusiasmo. É o famoso comprometimento (ou falta dele) de boa parte dos brasileiros aparecendo mais uma vez.