Na cultura popular, servir de muleta significa servir de apoio, ou ser parcialmente responsabilizado por algum problema. É assim que a população indaiatubana está sendo rotulada por alguns gestores municipais da área de saúde pública da cidade. Explico.
Na última reunião do Conselho Municipal de Saúde (CMS), durante a discussão do item da pauta que tratava da aprovação do projeto da construção do novo pronto-socorro do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), enquanto os conselheiros municipais questionavam alguns problemas já conhecidos por qualquer indaiatubano, como a falta de médicos, demora no atendimento, entre outros, veio a tona a cultura imediatista da população.
Sim, gestores e prestadores de serviço na área de saúde que, na teoria, deveriam estar preocupados em melhorar a saúde pública indaiatubana através de novas medidas, contratação de médicos, aumento de investimento, levantaram a questão: “Como acabar com a cultura do imediatismo da população? Aquela cultura de querer atendimento na hora e, em qualquer dor, se dirigir ao pronto-socorro”.
Utilizar a população como muleta para um dos principais, senão o principal problema da administração pública municipal nos últimos anos, que é a saúde, é querer transferir para o famoso lado mais fraco da corda (leia-se população), parte da responsabilidade do que vem acontecendo ultimamente.
Concordo que há casos em que as pessoas, com pequenas dores, procuram o médico para “pegar atestado” e sim, por mais que você ache absurdo ou não concorde, elas existem. Estas atitudes atravancam o processo de atendimento. Mas o pedido dos gestores é que pessoas que sintam dor ou estejam se sentindo mal e que não sejam caso de emergência ou urgência, não procurem o pronto-socorro, que é uma unidade específica para estes casos.
Mas caros gestores, se estas pessoas, quando sentem alguma dor, se dirigem ao pronto-socorro, é porque as unidades de atenção básica, como Unidades Básicas de Saúde (UBS), não estão tão preparadas assim para atender a demanda da população.
Para finalizar, gestor, a cultura não vai mudar, ela vem sendo construída há anos, desde que a medicina se conhece por medicina. Todos os doentes querem atendimento imediato. Ou você não quer?