Tem medo do que?
Por Rodrigo GattiSex, 03 de dezembro de 2010 às 17h45 - Comentários: 0Visualizações: 0
Quando eu estava no primeiro semestre do curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), alguns de meus mestres sempre proferiam a seguinte sentença: “Existe algo que é um dos maiores problemas do jornalismo mas que, ao mesmo tempo, nós jornalistas, não podemos abrir mão: as fontes”. Fui perceber isso na prática da profissão e, há mais de três anos na área, posso dizer: “Meus mestres estavam mais do que certos”.
O fazer jornalismo é uma tarefa árdua. Sua missão é trabalhar com conflitos. Enquanto a maior parte da população foge deles, o jornalista corre atrás, querendo saber todos os detalhes do imbróglio para relatar tudo. Tudo isso com o simples objetivo de informar e, com a informação, dar sua contribuição para a sociedade e a comunidade em que vive.
Mas o que você deve estar se perguntando é: “O que isso tem a ver com as fontes?”. Elas são, simplesmente, o cerne do trabalho jornalístico. O jornalismo depende, em boa parte, delas, para reclamar, denunciar, revelar, enfim, todos os verbos que você possa imaginar. Mas o problema é quando a fonte acha que pode usar o jornalismo para seu extremo deleite.
Muitas pessoas já vieram a mim querendo fazer denúncias. Denunciar é ótimo! Todo mundo gosta de relatar algo errado, que o prejudica e não faz mais que seu dever e direito. O problema é quando quer reclamar, mas não quer assumir. Ou então, quando denunciam, mas mais tarde, em virtude de algum fato extra aqui e ali, resolvem que aquele momento não foi o ideal e negociam para que a matéria não saia agora ou algo do tipo.
Estes casos existem aos montes, até em simples reclamações de buracos na rua. Sim, pasmem! A pessoa quer reclamar sobre um buraco mas não quer ter sua identidade revelada porque o primo do cunhado do sogro trabalha em tal lugar e pode prejudicar o trabalho dele. Ainda existe um caso pior, aquele quando as pessoas se isentam de dar qualquer declaração. Quando abordadas dizem que não querem falar porque “pode dar problema”. Que problema? Pergunto eu! O que vai acontecer é que o “problema” que o está incomodando vai permanecer porque, sem informações, eu, o jornalista, não faço a reportagem.
Mas que fique claro, não sou completamente contra esta medida. Em certos assuntos, a identidade da fonte ou do entrevistado deve sim ser preservada. Não há dúvidas que em casos graves que envolvam violência, corrupção, etc., a fonte tanto pode, quanto deve exigir o anonimato. Mas vamos guardar as devidas proporções.
Este “fascínio” de algumas fontes em ser anônima só prejudica a todos. Primeiro, nivela o jornalismo por baixo que, com fontes que não querem se identificar, perde a credibilidade e, em segundo lugar, atinge principalmente a população, que deixa de ter em mãos uma ferramenta para atender seus anseios: a imprensa.
Então, caras fontes, não tenham medo! Vocês tem o direito de reclamar, denunciar. Ninguém pode tirar isso de vocês. Mas tenham em mente, informação sem “rosto” perde-se em meio à multidão.
E você? O que acha deste anonimato?
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Marcadores: Cidades, Corrupção, Informação
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