Minha casa de Nova Friburgo
Por Silvia BolívarQui, 13 de janeiro de 2011 às 09h16 - Comentários: 0Visualizações: 0
O condomínio onde ficava nossa casa na região serrana do Rio de Janeiro já era. O rio levou, como tem levado muita gente que mora em encostas porque é “chique” ou porque não pode pagar mesmo.
Era previsível tamanha tragédia em Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis. Passei um lapso de tempo sem ir a Petrópolis e, quando lá estive em 2005, levei um susto: favelas e até mansões foram tomando os morros, verdadeiras pirambeiras, dessas que descem direto quase em linha vertical. Dessa época para cá, mais favelização nas três cidades fluminenses castigadas pelas chuvas.
Moramos em Nova Friburgo por dois anos e meu marido se espantava como alguém poderia morar tranquilamente com uma Espada de Dâmocles prestes a cair no pescoço. Foi-se a casa. Soube que não havia moradores lá, mas conhecidos nossos, vizinhos, todos choram a morte de algum parente ou amigo.
Petrópolis é uma cidade linda, mas os morros estão em todos os bairros, montanhas tão altas que é preciso dobrar o pescoço para ver o cume. E o que é espantoso: há uma rua no meio e imediatamente duas pirambeiras, uma de cada lado. Isso quando não há um rio passando entre duas avenidas. São montanhas diferentes do que vemos em São Paulo. Muito íngremes e quase sempre com nascentes formando cachoeiras. Quando chove...
Em São Paulo, Capivari, Atibaia, Franco da Rocha, e o Brasil de áreas de risco, ficam a mercê dos desatinos do clima, criados pela intervenção humana.
Pode ser chocante o que vou dizer: há muita gente nos centros urbanos. É preciso impedir esse aumento populacional, que geralmente acontece em áreas de risco. Sempre algum parente vem morar e faz-se um “puxadinho”. São, na maioria das vezes, nordestinos em busca de melhor qualidade de vida. Acabam caindo numa arapuca nos meses chuvosos. Seria melhor que o Governo Federal criasse incentivos para que grandes empresas se mudassem para o Nordeste, abrindo vagas de trabalho e novas oportunidades.
No Sudeste (e Brasil afora) os prefeitos devem criar vergonha na cara e impedir a ocupação irregular. Não dá para botar no meio da rua. É preciso criar moradias e, IMPORTANTE, vigiar diuturnamente as áreas antes invadidas. Lembra do Morro do Bumba que desabou em janeiro passado em Niteroi/RJ? O que foi efetivamente feito para evitar que novas moradias surjam? NADA! Cadê a verba que o então presidente Lula prometeu para as tragédias de janeiro passado no Rio e São Paulo? Só 20% chegou efetivamente às prefeituras. O resto ficou lá mesmo em Brasília.
As tragédias se repetem a cada ano e nada do que é prometido acaba sendo feito. Leniência dos governos municipais, estaduais e federal. Infelizmente, não adianta a gente gritar daqui. Em janeiro do ano que vem, certamente estaremos chorando nova tragédia. Tomara que eu esteja errada.
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Marcadores: Cidades, Clima, Enchente
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