A falta de qualidade do serviço de transporte público, o desinteresse das autoridades em discutir o assunto e o péssimo tratamento oferecido à população que depende desse serviço para trabalhar, estudar e levar a vida não são problemas exclusivos de Indaiatuba. Não foram criados por aqui, mas se enraizaram de certa forma que parecem ser tão indaiatubanos quanto à capela de Nossa Senhora da Candelária.
Já faz um bom tempo que os moradores que fazem uso do serviço prestado pela Viação Guaianazes estão descontentes com a qualidade do serviço. Em uma pesquisa realizada no site da empresa, 55,6% das 900 pessoas que responderam a enquete sobre a qualidade das linhas e do itinerário, consideram o serviço como péssimo. Essa avaliação mostra o descontentamento dos usuários para com a empresa que, a cada dia tem a sua imagem piorada perante os seus clientes, que é como deveriam ser tratados os passageiros.
Porém, mesmo com o descontentamento dos moradores, o prefeito Reinaldo Nogueira (PDT) e os vereadores, que deveriam defender os interesses daqueles que os elegeram, parecem viver em outra cidade. Quase nunca falam do assunto e, quando falam, pouco fazem para encontrar uma solução.
Em outubro do ano passado, logo após as eleições que reelegeram o seu irmão, o Deputado Estadual Rogério Nogueira (PDT), pela segunda vez ao cargo, o prefeito de Indaiatuba fez uma visita a redação da Tribuna.
Naquela quarta-feira, dia 6 de outubro de 2010, dentre os temas levantados pela reportagem, o chefe do Executivo indaiatubano demonstrou estar descontente com o serviço da empresa. Talvez, como uma forma de enviar um recado para a direção da Guaianazes e mostrar para a população que conhece o problema, Reinaldo afirmou estar disposto a abrir um processo licitatório para a contratação de uma nova empresa, fazendo com que a população pudesse escolher qual serviço comprar.
Porém, para contribuir ainda mais com a fama de que os políticos só lembram da população em época de campanha eleitoral, o prefeito, que já está no terceiro ano do seu terceiro mandato (1997/2000, 2001/2004 e 2009/2012), parece que não andou mais de ônibus, como afirmou ter feito durante a campanha de seu irmão, e se esqueceu do problema.
O que será que impede que o prefeito de uma das maiores cidades da região solucione, ou pelo menos tente, uma das principais reclamações de seu povo?
Existe alguma benevolência que a Viação Guaianazes preste a cidade que impede que o seu serviço considerado péssimo seja contestado pelos poderes Executivo e Legislativo?
Será que, a partir de julho do ano que vem, quando a campanha eleitoral municipal deve estar pegando fogo, o prefeito vai voltar a falar sobre o assunto?
Quem pode, e precisa responder essas perguntas sequer toca no assunto.
A única certeza que se pode tirar dessa situação é que ninguém quer resolver o problema do transporte coletivo de Indaiatuba e que o atual prefeito parece que só anda de ônibus a cada dois anos.