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Gay, sapatão, transsexual
Por Silvia BolívarQui, 03 de fevereiro de 2011 às 09h51 - Comentários: 0Visualizações: 0
A transsex Lea T. que marcou presença no São Paulo Fashion WeekA transsex Lea T. que marcou presença no São Paulo Fashion Week
A São Paulo Fashion Week teve estrelas hollywoodianas de peso, além da sempre bombástica presença de Giselle Bündchen. Mas nenhum deles conseguiu ofuscar a modelo Lea T. (ou Lia ti, como pronunciam na Inglaterra). É uma cara marcante em cima do seu 1,80m. Não é bonita, mas tem presença. Ela ainda é oficialmente Leandro, uma vez que tem o órgão sexual masculino, entretanto, já está na reta final para fazer a cirurgia de troca de sexo. Ela é filha do jogador Toninho Cerezo, que integrou a Seleção Nacional em jogos importantes em Copas Mundiais. E é isso o que mais “pega”.
Quando se sabe de quem é filha todo mundo se encolhe e diz, “justo de quem!”. Cerezo é aquele macho machão. Ter um filho gay, ou homossexual, para esse tipo de pessoa certamente é um terror. Parece que a relação entre os dois é praticamente nenhuma.
Certamente todos os pais e mães prefeririam que seus filhos fossem “normais”. Que, se possível, se casassem e tivessem filhos. Os filhos homens até seriam elogiados se tivessem uma vida sexual bem variada – de mulheres, claro.
Há tamanha carga negativa em ser “diferente”, que não se quer esse terror para seus pimpolhos (os filhos sempre serão vistos como filhos/pimpolhos, não importa a idade). As mães são as primeiras a aceitar um filho/a homossexual. Os pais, se resignam; outros, cortam relações. Será que ser gay deixa de ser filho para um pai? Para alguns, um filho assassino talvez seja mais aceito do que um gay.
Hoje, muitos já saíram do armário e a sociedade os aceita como são. Não gostamos de vê-los se agarrando no escurinho do cinema. Mas ninguém gosta de ver (ou ouvir...) o agarramento de qualquer casal. Isso deveria ser feito num ambiente de intimidade. Para gays e heteros.
Por sorte não tenho filhos gays. Sorte – não tenho vergonha em confessar. Mas jamais deixaria de amar, torcer e proteger um filho se ele tivesse outra orientação sexual. Ficaria chateada e saberia que estariam falando às minhas costas: “Coitada, o fulaninho é gay”. Pois, repito, é isso que falam do Toninho Cerezo: “Justo ele!”.
Nos anos 70 fui a “salvação” de vários amigos que ousavam abrir a porta do armário. Como ia com eles a teatros, concertos e cinemas, os pais pareciam estar aliviados, tipo, “ah, tá vendo, ele não é gay, está namorando a Silvia”, embora nunca déssemos a entender isso. Na faculdade, um aluno, que era funcionário do Banco do Brasil, teve que arranjar correndo uma moça que quisesse casar com ele, pois era o único obstáculo para sua promoção. A moça, homossexual também com a porta do armário aberta, aceitou e o acerto durou por uns bons anos.
Em resumo, Lea T., além do seu exotismo físico (mulata, com rosto angular, pés e mãos grandes) roubou a cena por ser transsexual. E ser filha de um macho man jogador de futebol.
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Marcadores: Homossexualidade, Moda, Preconceito
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