Não é de hoje que a Tribuna estampa em suas páginas matérias sobre terrenos abandonados. A incidência de denúncias de propriedades e “mini” lixões pela cidade é a mesma para os eternos buracos de rua, pautas tão comuns no jornalismo. Todo mundo tem um vizinho que não cuida do seu.
Ao contrário de quem acha que denúncia como essa só vale para preencher espaço de página, moradores próximos de propriedades abandonadas sabem quanta valia tem a reclamação por conviver constantemente com bichos peçonhentos, sujeira e falta de segurança.
Bato palmas para moradores que além de cuidar do seu espaço, dispõem seu final de semana para pegar a enxada, o saco de lixo e tomar providência por aquele proprietário rico e cheio de terrenos pela cidade que não tem tempo, muito menos a capacidade de pagar um prestador de serviço para realizar o trabalho.
Desconforto de conviver com escorpiões, aranhas, cobras, pernilongos e outros insetos é pouca bobagem. Sem falar no mal cheiro e o verdadeiro lixão a céu aberto que acabam se formando, porque quem passa pelo local vê que - já está tudo abandonado, mesmo! Entulhos e restos de tudo o que já não serve mais na casa alheia (desde sofá que já não combina com a mobília até o cachorro que entrou em óbito na última semana).
O mato alto de algumas propriedades, que mais parecem pequenas florestas com plantas de diversas espécies, ainda traz o desconforto da insegurança. Um belo esconderijo para o que é ilícito, como comércio de drogas em pleno dia.
A desculpa de quem negligenciou a limpeza sempre é com data retroativa. “Já estávamos providenciando a limpeza”. “A data do serviço já estava marcada, entretanto, o pessoa responsável não compareceu”. E quando finalmente o proprietário resolve fazer algo, toma uma atitude rapidinha: pega um caixa de fósforo e um pouco de álcool e acaba com tudo. Pronto, serviço feito.
E o setor de fiscalização da Prefeitura mantém a morosidade: “o proprietário do terreno já foi notificado, e se não limpar, será multado”, respondem eles. Até hoje, não vi ninguém exclamar por dívida ativa com o município pelo desleixo de uma propriedade.
Dia desses ganhei duas sacolas ecológicas, acopláveis ao carrinho de supermercado, para fazer minhas compras. Um colega viu os recipientes e disse que agora só usa este tipo de sacola no supermercado.
Estranhei, porque à primeira vista ele não me parecia uma pessoa preocupada com o meio ambiente ao ponto de levar sacolas ecológicas ao supermercado. Ele ainda completou que “é bem fácil também colocar tudo em caixinhas de papelão”.
Aí perguntei como ele faz com os cestinhos de lixo doméstico – normalmente as pessoas reaproveitam sacolas plásticas. Ele me respondeu: “Aí eu compro saquinho plástico, né? Não sou tão muquirana assim”.
Mas cadê o benefício para o meio ambiente então? Meu colega explicou então que só usa a sacola ecológica porque agora há caixas específicos e não é preciso enfrentar filas nos supermercados. Ou seja, pouco importa o meio ambiente, o importante é dar uma de esperto e fugir da fila.
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Tribuna já fez matérias sobre o uso da sacola ecológica. A maioria dos clientes acredita que isso “é besteira”. Portanto, não adianta ter uma lei que obrigue supermercados a instalarem caixas exclusivos para este tipo de cliente “consciente” se não for incutida em sua mente a ideia do que realmente é bom para o planeta.
PS: Não falo porque sou um modelo, não. Ainda uso sacolas plásticas, mais pela comodidade e por nunca lembrar de levar a sacola de tecido do que por falta de noção. Também sou uma das pessoas que precisam ser conscientizadas.