Não sei se é um ditado popular, mas já ouvi muita gente que diz ser melhor ensinar a pescar do que dar o peixe.
Como muita gente no Brasil, por muito tempo, não ganhava o peixe e nem recebia instruções sobre como fazer para pescar, o Governo Federal decidiu criar o programa Bolsa Família, que transfere renda para as famílias consideradas carentes.
Ajudar os pobres a ter o que comer é uma ação louvável, desde que não seja utilizada de forma política e que essas pessoas não usem o programa como muleta.
Em Indaiatuba, quinta cidade mais rica da Região Metropolitana de Campinas (RMC), 2.247 famílias são amparadas pelo dinheiro encaminhado pelo Governo Lula. Só em 2009, foram repassados R$ 1.771.806,00.
Até aí tudo bem, mas existe um fato muito grave nessa “ajuda” oferecida pelo Governo Lula. Grande parte dessas famílias não tem a menor intenção de frequentar cursos profissionalizantes, participar de oficinas e grupos de estudo para conseguir ser colocado no mercado de trabalho.
Preferem aproveitar as migalhas oferecidas pelo Governo ao invés de tentar uma qualificação que faça com que a ajuda do Presidente vire passado.
Agora, imagine a situação. A pessoa não precisa fazer absolutamente nada na vida (só precisa de um filho ou mais) e recebe uma mesada que o ajuda a levar a vida.
Por quais motivos essa pessoa vai querer trabalhar? Basta ela esperar quatro anos deitada na rede que, quando chegar à próxima eleição, ela se dirige até a urna e renova o repasse por mais quatro anos.
A secretária da Família e do Bem Estar Social, Vera Lúcia Lorenzetti Canali me confirmou que é complicado fazer com que a pessoa deixe essa chamada “zona de conforto”, mesmo oferecendo ajuda para que isso aconteça. Como exemplo revelou que, de 40 mulheres inscritas em um programa, a metade desistiu antes de arrumar um emprego.
Também, por que elas iriam se preocupar em trabalhar, acordar cedo todo dia, dar duro, ouvir bronca do patrão e ficar até mais tarde no trabalho se a mesada do Presidente cai na conta todo mês.
Se em Indaiatuba, uma cidade rica, as pessoas fazem isso, imagine como funciona no resto do Brasil.
Tomara que eu esteja errado, mas, enquanto as famílias carentes forem embolsadas todo mês, a tendência é de que a pobreza no Brasil nunca acabe.
É muito fácil conseguir o apoio do pobre, desempregado. Basta dar uma bolsa.
O brasileiro é um povo que adora reclamar.
Qualquer coisa é motivo para reivindicar algo de alguém.
Embora reclame muito, o brasileiro faz absolutamente nada para que a situação que o incomoda mude.
Na eleição presidencial de domingo, dia 31 de outubro, que culminou com a vitória de Dilma Rousseff (PT) e do Michel Temer (PMDB), sim, quem votou na Dilma leva inteiramente pago (porque de graça ele não vai nem ao banheiro) um Temer de presente (de grego), 23.659 indaiatubanos preferiram fazer qualquer outra coisa a ter que votar.
Esse número se tornou o recorde negativo de abstenção registrada em uma eleição no município.
A principal desculpa da maioria que deixou de votar é que valia mais a pena aproveitar o feriadão na praia do que perder tempo para votar.
Realmente a praia possui muito mais atrativos do que a coitada da urna eletrônica, toda torta, cinza, com um monte de foto de gente feia e que vem cheia de promessas.
Mas é bom que esses 23.659 praieiros pensem bem antes de reclamar de qualquer coisa que julguem estar errado, pois, quando tiveram o poder de escolher, decidiram aproveitar a brisa do mar e o sol escaldante a definir o destino do país.
É muito fácil colocar a culpa nas outras pessoas quando algo de ruim acontece, mas assumir o erro de ter se abdicado do direito de escolha acaba sendo bem mais difícil.
A pessoa que preferiu a praia ao voto paga os mesmos impostos de quem perdeu 30 segundos para escolher os políticos que vão determinar o futuro do país, mas, será que ela tem o mesmo direito de cobrar quem pode estar fazendo algo de errado?
É claro que exigir algo do presidente é bem mais difícil do que encontrar o prefeito na padaria e pedir que ele arrume o buraco na rua, mas, como uma pessoa pode cobrar algo de alguém se nem o dever cívico de votar ela cumpriu?
Mesmo quem votou no candidato derrotado tem mais direito de reclamar do que quem se ausentou. Afinal, o eleitor pode ter como desculpa que votou em outra pessoa e que o seu candidato faria melhor.
O fato é que, antes de reclamar, as pessoas que deixaram de votar vão ter que pensar bem. Até porque, que direito tem quem não participa?