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Sujo e mal lavado
Por Cynthia SantosSeg, 06 de dezembro de 2010 às 09h53 - Comentários: 0Visualizações: 0
Atendimento em hospital na ala do SUS é semelhante ao convênioAtendimento em hospital na ala do SUS é semelhante ao convênio
Frequentemente reclamamos da saúde pública no País. De fato a situação é péssima. Se fosse razoável, poucas pessoas optariam por serem clientes de convênios médicos.
Mas engana-se quem pensa que a situação de quem paga por planos de saúde é maravilhosa se comparada a quem é atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Indaiatuba, para se conseguir consulta com especialistas das áreas de dermatologia e ginecologia, por exemplo, a espera mínima é de três meses.
Você liga no consultório e ouve da secretária: “A senhora precisa estar ligando (sic) no dia 15, que é quando a doutora abre a agenda para o ano que vem”. Olha o absurdo: nem consulta eles querem marcar antes da data determinada pelos médicos. Mas se você ligar e disser que a consulta é particular, por meros R$ 300 você consegue um encaixe no dia seguinte.
Pago mensalmente R$ 250 de convênio médico. Como estou grávida, tenho que ir ao ginecologista quinzenalmente. Chego ao consultório e, junto com outras gestantes, espero cerca de duas horas para ser atendida. Na sala de espera, não há lugares para todas permanecerem sentadas. Não é um absurdo?
Outro dia precisava de dermatologista com urgência. Liguei no que vou sempre e a secretária informou que ele estava de férias do meu convênio (!). Depois, só teria consulta para dali a três meses.
Em um hospital da cidade, quem é atendido no pronto-socorro do SUS espera de duas a três horas. No convênio também. Médico e enfermeiros são os mesmos e o atendimento muitas vezes é na base do coice.
Com exames não é diferente. Esses dias liguei para marcar um ultrasson morfológico e só tinha vaga pelo convênio para o dia 27 de dezembro. Isso porque meu retorno é dia 8 de dezembro. Eis que a funcionária da clínica revela que “se for particular a agenda é outra”.
A culpa deste verdadeiro descaso dos médicos com os convênios, na verdade, é das próprias empresas que administram planos de saúde. Isso porque elas cobram caro dos clientes e repassam uma merreca pelo valor das consultas. Isso faz com que os médicos racionem o atendimento aos planos de saúde.
Dia desses fiz uma reclamação formal com o meu convênio. Eles alegam que “estão abertos” para novos médicos em Indaiatuba, o problema é que ninguém quer trabalhar para eles. Por que será, né? Se pagassem bem, teria médico se estapeando para atender.
Dá até para questionar que vantagem tem quem paga convênio. Estou começando a acreditar que planos de saúde geram a falsa segurança de que quando você ficar doente estará melhor amparado. Pura ilusão.
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Servindo de muleta
Por Rodrigo GattiSex, 19 de novembro de 2010 às 10h06 - Comentários: 0Visualizações: 0
Na cultura popular, servir de muleta significa servir de apoio, ou ser parcialmente responsabilizado por algum problema. É assim que a população indaiatubana está sendo rotulada por alguns gestores municipais da área de saúde pública da cidade. Explico.
Na última reunião do Conselho Municipal de Saúde (CMS), durante a discussão do item da pauta que tratava da aprovação do projeto da construção do novo pronto-socorro do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), enquanto os conselheiros municipais questionavam alguns problemas já conhecidos por qualquer indaiatubano, como a falta de médicos, demora no atendimento, entre outros, veio a tona a cultura imediatista da população.
Sim, gestores e prestadores de serviço na área de saúde que, na teoria, deveriam estar preocupados em melhorar a saúde pública indaiatubana através de novas medidas, contratação de médicos, aumento de investimento, levantaram a questão: “Como acabar com a cultura do imediatismo da população? Aquela cultura de querer atendimento na hora e, em qualquer dor, se dirigir ao pronto-socorro”.
Utilizar a população como muleta para um dos principais, senão o principal problema da administração pública municipal nos últimos anos, que é a saúde, é querer transferir para o famoso lado mais fraco da corda (leia-se população), parte da responsabilidade do que vem acontecendo ultimamente.
Concordo que há casos em que as pessoas, com pequenas dores, procuram o médico para “pegar atestado” e sim, por mais que você ache absurdo ou não concorde, elas existem. Estas atitudes atravancam o processo de atendimento. Mas o pedido dos gestores é que pessoas que sintam dor ou estejam se sentindo mal e que não sejam caso de emergência ou urgência, não procurem o pronto-socorro, que é uma unidade específica para estes casos.
Mas caros gestores, se estas pessoas, quando sentem alguma dor, se dirigem ao pronto-socorro, é porque as unidades de atenção básica, como Unidades Básicas de Saúde (UBS), não estão tão preparadas assim para atender a demanda da população.
Para finalizar, gestor, a cultura não vai mudar, ela vem sendo construída há anos, desde que a medicina se conhece por medicina. Todos os doentes querem atendimento imediato. Ou você não quer?
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Marcadores: Hospital, Saúde
O estado debilitado da saúde pública indaiatubana
Por Rodrigo GattiQua, 03 de novembro de 2010 às 17h14 - Comentários: 0Visualizações: 0
Não é novidade para ninguém! A saúde pública indaiatubana precisa de socorro imediato! Na Tribuna de Indaiá, são frequentes as reportagens relatando o estado em que se encontra, principalmente, o Hospital Augusto de Oliveira Camargo, o Haoc. Demora nos atendimentos, falta de médicos e agora, recentemente, o pedido de demissão em massa dos médicos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Haoc. Os problemas são inúmeros e parece que, a cada dia, crescem ainda mais.
A população, a mais afetada por estes problemas, acaba recorrendo à imprensa na tentativa de diminuir o sofrimento e a desgastante rotina de passar pelos mesmos imbróglios toda vez que precisa de uma atendimento médico na rede pública de saúde. Muitas vezes, todo o desgaste e frustração dos usuários é descontado nos profissionais que possuem a menor (ou até não possuem) taxa de responsabilidade pelo que está acontecendo: os médicos, enfermeiros e profissionais de saúde.
Senti na pele o que estes profissionais, que trabalham, em meu exemplo, na emergência do Haoc, passam. No dia 23 de outubro, desloquei o ombro durante o treino do Indaiatuba Destruction Flames (sim, com toda essa musculatura, eu pratico um esporte de contato). Cheguei ao Haoc e, com muita dor, fui direto para a emergência. Logo de cara já vi que a situação não era das mais animadoras. Macas com pacientes se espalhavam pelo corredor. Logo na entrada, três acidentes de trânsito que precisavam de prioridade. E eu lá, com um ombro deslocado, esperei de 20 a 30 minutos para receber o primeiro atendimento.
Como jornalista, acredito que criticar é direito de todos quando há problemas, mas também, quando há pontos positivos, é necessário elogiar. Após os primeiros 30 minutos de espera, tudo ocorreu rapidamente. O diagnóstico, o raio-x, o procedimento para colocar o ombro no lugar, a consulta, a medicação e a liberação tomaram pouco mais de 40 minutos do meu tempo. A equipe de enfermeiras e o médico ortopedista que me atendeu, Mauro Caron, foram atenciosos, claros e objetivos no atendimento que durou, em sua totalidade, uma hora e meia. Frisa-se, em momento algum eu mencionei que era jornalista deste veículo de comunicação.
Este é um exemplo claro de que o problema da saúde pública indaiatubana não está naqueles que seguram os bisturis e vestem avental. Mas sim na gestão, naqueles que estão na frente do computador, portando uma caneta, assinando convênios e documentos. É do escritório com ar condicionado que saem os valores de plantão e os salários dos profissionais e as verbas destinadas à melhora da infra-estrutura em saúde.
Em ano de eleição, vale lembrar o leitor, que também é eleitor, que a principal arma, entre outras, que ele possui para reclamar a situação da atual saúde pública de sua cidade é o voto e, principalmente, sua consciência. Portanto, analisar bem antes de apertar aquele famoso botão verde com a escrita “Confirma” é dever de todos.
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