Certa vez Nelson Rodrigues disse que “toda a unanimidade é burra”.
Essa frase de impacto caiu no gosto popular é utilizada por muitas pessoas em inúmeras ocasiões.
Baseada nessa ideia do escritor, jornalista e tricolor carioca, podemos dizer que o Legislativo indaiatubano é quase burro.
Dos 12 vereadores que fazem parte da atual Câmara, 11 são defensores das ações realizadas pelo prefeito Reinaldo Nogueira (PDT). Independente da proposta apresentada pelo chefe do Executivo, os 11 vereadores que fazem parte do grupo aprovam o pedido, muitas vezes sem sequer ler o projeto.
Representados pelo vereador Luiz Alberto Pereira, o Cebolinha (PDT), nomeado como o líder do Governo na Casa, todos os outros 10 vereadores da situação sempre dizem amém para os pedidos do Executivo, sem mesmo se preocuparem em saber que tal medida é devida ou pode causar algum tipo de problema para os moradores mais necessitados.
É por culpa do vereador Carlos Alberto Rezende Lopes, o Linho (PT), que a unanimidade não atingiu o Legislativo local, deixando-o totalmente burro.
Não se trata aqui de defender partido A ou B, ou vereador X e Y, mas, sim, de se fazer com que a Câmara de Indaiatuba volte a ter vereadores que realizem a principal ação para a qual foram eleitos. Fiscalizar o Executivo e cobrar do mesmo, ações que beneficiem os moradores de todas as classes sociais.
Atualmente isso só é feito pelo único vereador da oposição, que não é dono da razão absoluta, mas é o único que questiona o que a administração quer fazer.
Enquanto isso os demais vereadores abaixam a cabeça e dão o aval para que as ações sejam feitas.
Durante as duas últimas sessões ordinárias realizadas na Câmara o vereador que defende o prefeito questionou a oposição feita pelo parlamentar de esquerda.
Ao invés de ficar incomodado com a presença da oposição, os vereadores que vivem bajulando o prefeito deveriam agradecer que existe na Casa alguém que não pensa e age como eles. Caso contrário, a unanimidade iria imperar no Legislativo de Indaiatuba.
E como já dizia Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é...
A falta de qualidade do serviço de transporte público, o desinteresse das autoridades em discutir o assunto e o péssimo tratamento oferecido à população que depende desse serviço para trabalhar, estudar e levar a vida não são problemas exclusivos de Indaiatuba. Não foram criados por aqui, mas se enraizaram de certa forma que parecem ser tão indaiatubanos quanto à capela de Nossa Senhora da Candelária.
Já faz um bom tempo que os moradores que fazem uso do serviço prestado pela Viação Guaianazes estão descontentes com a qualidade do serviço. Em uma pesquisa realizada no site da empresa, 55,6% das 900 pessoas que responderam a enquete sobre a qualidade das linhas e do itinerário, consideram o serviço como péssimo. Essa avaliação mostra o descontentamento dos usuários para com a empresa que, a cada dia tem a sua imagem piorada perante os seus clientes, que é como deveriam ser tratados os passageiros.
Porém, mesmo com o descontentamento dos moradores, o prefeito Reinaldo Nogueira (PDT) e os vereadores, que deveriam defender os interesses daqueles que os elegeram, parecem viver em outra cidade. Quase nunca falam do assunto e, quando falam, pouco fazem para encontrar uma solução.
Em outubro do ano passado, logo após as eleições que reelegeram o seu irmão, o Deputado Estadual Rogério Nogueira (PDT), pela segunda vez ao cargo, o prefeito de Indaiatuba fez uma visita a redação da Tribuna.
Naquela quarta-feira, dia 6 de outubro de 2010, dentre os temas levantados pela reportagem, o chefe do Executivo indaiatubano demonstrou estar descontente com o serviço da empresa. Talvez, como uma forma de enviar um recado para a direção da Guaianazes e mostrar para a população que conhece o problema, Reinaldo afirmou estar disposto a abrir um processo licitatório para a contratação de uma nova empresa, fazendo com que a população pudesse escolher qual serviço comprar.
Porém, para contribuir ainda mais com a fama de que os políticos só lembram da população em época de campanha eleitoral, o prefeito, que já está no terceiro ano do seu terceiro mandato (1997/2000, 2001/2004 e 2009/2012), parece que não andou mais de ônibus, como afirmou ter feito durante a campanha de seu irmão, e se esqueceu do problema.
O que será que impede que o prefeito de uma das maiores cidades da região solucione, ou pelo menos tente, uma das principais reclamações de seu povo?
Existe alguma benevolência que a Viação Guaianazes preste a cidade que impede que o seu serviço considerado péssimo seja contestado pelos poderes Executivo e Legislativo?
Será que, a partir de julho do ano que vem, quando a campanha eleitoral municipal deve estar pegando fogo, o prefeito vai voltar a falar sobre o assunto?
Quem pode, e precisa responder essas perguntas sequer toca no assunto.
A única certeza que se pode tirar dessa situação é que ninguém quer resolver o problema do transporte coletivo de Indaiatuba e que o atual prefeito parece que só anda de ônibus a cada dois anos.
Aparecer para a população é uma das diversões prediletas dos parlamentares.
Uma das formas mais fáceis que eles encontraram para conseguir isso é criação de leis que nem sempre são colocadas em prática.
Muitas vezes sem pesquisar a real utilidade da mesma, o membro do Legislativo conta com o corporativismo de seus colegas de Casa para que a ideia, muitas vezes mirabolante, seja aprovada.
Essa não é uma situação exclusiva de Indaiatuba, mas acaba ficando mais visível quando a discussão sobre a real importância de uma lei é colocada em prática.
Há três semanas os vereadores locais estão discutindo sobre a lei que pretende proibir o uso de celular dentro das agências bancárias.
Embora a intenção aqui não seja discutir a aplicabilidade desta lei específica, que é interessante, mas precisa ser melhor elaborada (opinião compartilhada por alguns vereadores), muitas leis criadas pelos vereadores são feitas apenas com a intenção de aparecer para a população.
Sem pesquisar a possibilidade de a lei ser aplicada pelo município, que possuí um setor de fiscalização praticamente nulo, os parlamentares criam leis que nem chegam a ser aplicadas.
Exemplo disso é uma lei municipal que obriga os estabelecimentos comerciais da região central da cidade a oferecer aos clientes vagas de estacionamento.
Caso o espaço não ofereça as vagas, o comerciante pode fazer um convênio com um estacionamento particular que esteja em um raio de 100, 200 e 300 metros de distância.
Porém, caso os três estacionamentos parem de funcionar, o estabelecimento também precisa encerrar suas atividades.
São leis como essa que mostram como os vereadores estudam as consequências das ideias que possuem para “ajudar” a vida da população.
Pouca importa se a lei é boa ou não.
Para muitos parlamentares, o que vale é mostrar para o povo que ele criou uma lei, principalmente na hora de pedir voto.
Quando você sai de casa para votar em um vereador, ou para outro candidato a qualquer uma das tantas vagas que são disputadas nas eleições municipais, estaduais ou federais, o mínimo que se espera é que a pessoa escolhida pelo eleitor o represente da melhor forma possível.
Mesmo com a velocidade da internet e a enxurrada de matérias publicadas diariamente, para a maioria dos brasileiros é difícil acompanhar o trabalho dos deputados estaduais, federais e senadores.
Pela distância, a população tende a cobrar com mais força os vereadores.
Mas como vivemos em Indaiatuba, a situação é um pouco diferente.
Tirando um grupo ou outro de moradores ou servidores, é quase nula a presença de indaiatubanos na Câmara que frequentam o local para cobrar uma ação do vereador que o representa.
E já passa da hora disso mudar.
Dos 12 vereadores que atuam na Casa desde o dia 1º de janeiro de 2009, é pífio o número de parlamentares que demonstram, com ações e projetos (nome de rua, lombada e título de cidadão não vale), ter interesse em representar de forma atuante os, até agora, 193 mil indaiatubanos.
Como marionetes nas mãos de um artista, a maior parte dos parlamentares faz apenas o que o prefeito manda. E nada mais.
Tirando o vereador da oposição, os outros vereadores parecem que se esqueceram da principal função do Legislativo. Fiscalizar as ações do Executivo. Estes vão até a Câmara com uma única intenção. Aprovar os projetos enviados pela Administração.
De resto, pouco se movimentam para fazer com que os anseios da população sejam atendidos.
A falta de ação é tamanha que muitos sequer apresentam indicações e requerimentos.
Nas sessões de Câmara o desinteresse chega a tal ponto que, se um cone com uma placa com os dizeres “sim presidente”, fosse colocado em cima das cadeiras, a diferença seria nenhuma.