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Sindicato dos Correios cogita greve na cidade
Catergoria exige que empresa faça concurso público ‘o mais rápido possível’
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Atualizado em 21/03/2011 às 10h31Publicado em 18/03/2011 às 17h23Rodrigo Gatti - rodrigo@tribunadeindaia.com.br
Fila de busca por correspondências na central chega a duas horas
Eduardo TuratiFila de busca por correspondências na central chega a duas horas
A crise por que a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) passa pode chegar ao nível máximo em Indaiatuba caso não tome uma providência urgente com relação à contratação de novos funcionários para a cidade. O diretor regional de Indaiatuba do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Campinas e Região (Sintect/Cas) não descarta que uma greve dos funcionários possa ocorrer em breve. As condições de trabalho, agravadas pela falta de funcionários, é o motivo de uma possível paralisação total dos serviços.

O primeiro passo do sindicato será encaminhar para a população, na semana que vem, uma carta aberta, explicando os motivos da demora na entrega das correspondências. Segundo o diretor regional do sindicato, Charles Rodolfo Wulck, a intenção da carta é orientar a população. “Os carteiros estão começando a sofrer diretamente com o problema, a população não tem em quem descontar a revolta e desconta neles. Mas os trabalhadores não têm culpa, é a empresa que proporcionou tudo isso”, revela.

Atualmente, a cidade conta com 60 carteiros e cerca de 100 mil correspondências atrasadas, com defasagem média de 15 dias. A demissão dos 18 temporários anunciada pela Tribuna na semana passada contribuiu ainda mais com o problema. Os funcionários eram de uma empresa terceirizada, que passou por problemas para pagar os funcionários, obrigando os Correios a cancelar o contrato firmado.

Segundo Wulck, é necessário, no mínimo, a reposição dos 18 carteiros que foram dispensados para que o serviço comece a voltar à normalidade. “Isto vai contribuir para que o serviço seja restabelecido aos poucos, mas a contratação por concurso deve acontecer o mais rapidamente, para solucionar de vez a situação. Senão, seremos forçados a entrar em greve”, conta.

Precariedade
Com o déficit de empregados, as condições de trabalho dos carteiros que permanecem trabalhando estão precárias. Muitos deles estão realizando jornadas de trabalho além do habitual e as escalas de horas extras e expedientes aos finais de semana estão sendo dobradas na tentativa de suprir a demanda de correspondências atrasadas.

A falta de funcionários nos Correios não está afetando apenas Indaiatuba. O problema atinge várias cidades da região de Campinas. De acordo com o sindicato, Campinas tem a pior situação, com a falta de 70 carteiros. As cidades de Paulínia, onde os trabalhadores já realizaram uma paralisação parcial na última segunda-feira, dia 14, Cosmópolis, Piracicaba, Limeira e Americana
também enfrentam problemas.

O sindicato calcula que, em todo o interior do Estado, o déficit de funcionários deve chegar a 3 mil carteiros.

Os Correios novamente não responderam aos questionamentos efetuados pela reportagem até o fechamento da matéria. A empresa apenas informa, através de nota oficial, que as entregas estão sendo feitas de forma “sistematizada” em Indaiatuba e que, em alguns bairros, houve um aumento pontual na carga a ser distribuída, que está sendo normalizado com a realização de ações, também pontuais, tais como horas extras e trabalhos inclusive em fins de semana.

Espera no CDD Califórnia chega a duas horas
Os moradores que precisam pagar contas e buscar encomendas chegam a ficar duas horas nas filas dos Centros de Distribuição Domiciliar (CDDs) da cidade. O problema é mais grave na unidade de distribuição que fica no Jardim Califórnia, responsável pela entrega em toda a Zona Sul da cidade. Além de ficar horas na fila, os moradores precisam torcer para que as correspondências estejam separadas para serem entregues, caso contrário, voltam para casa de mãos vazias.

Com apenas dois funcionários para realizar o atendimento de toda a população que vai até o CDD para retirar correspondências atrasadas, o clima no local é de tensão todo dia, durante o período destinado para a retirada dos itens, que vai das 13h às 16 horas. Moradores se revoltam com a demora, discutem com os funcionários e alguns até passam mal.

A auxiliar de produção Hilda Mara Bispo, de 31 anos, teve os serviços de telefone e internet de sua residência, instalados recentemente, cortados porque as contas não chegaram e não foram pagas. Ela esteve no CDD do Jardim Califórnia na terça-feira, dia 15, mas não conseguiu retirar as faturas porque elas não haviam sido separadas ainda.

Finalmente
Na quarta, conseguiu pegar as contas após ficar uma hora e meia na fila. “Era a primeira fatura que eu ia pagar dos serviços e, como não paguei, eles cancelam o serviço na hora. Você tem que ficar ligando para saber se suas cartas estão separadas. É um absurdo”, relata.

Os atrasos estão chegando também à encomendas realizadas através de PAC (encomenda econômica) e até mesmo com Sedex. A reportagem encontrou a vendedora Janaína Paula Pollis, de 30 anos, saindo revoltada do CDD do Jardim Califórnia. “Tenho seis encomendas que fiz por PAC, que já estão com as postagens pagas e só consegui retirar uma até agora. Vou ter que voltar aqui mais cinco vezes porque nunca sabem quando vai estar separada?”, questiona.

A bagunça no serviço de retirada é tanta que obrigou o aposentado Edvaldo da Silva, de 54 anos, a ir cinco vezes ao CDD do Jardim Califórnia na esperança de retirar suas correspondências. “Isso tudo virou uma palhaçada. Você nunca sabe quando vai conseguir retirar suas contas. Cheguei aqui às 13h30 e agora são 15 horas, e estou chegando ao guichê só agora”, reclama.

O Movimento Pró-Itaici protocolou, na última segunda-feira, dia 14, uma representação no Ministério Público Federal de Campinas solicitando uma atuação da Procuradoria da República na questão do atraso dos serviços dos Correios em Indaiatuba.

Segundo o integrante do movimento, George Oba, como o serviço prestado pelos Correios é de âmbito federal, ele acredita que seja necessário uma atuação do MP Federal. “Sabemos que o problema não está só em Indaiatuba, está afetando diversas cidades e até outros Estados, e é um serviço essencial”, ressalta.

Procon
Quem também está tomando medidas é a Fundação Procon. Em Indaiatuba, a unidade está coletando reclamações dos moradores para anexar a uma representação que também será encaminhada ao MP Federal.

Segundo o coordenador do Procon de Indaiatuba, Wilson José dos Santos, o órgão já encaminhou uma notificação para a Central Regional dos Correios, em Bauru, exigindo respostas e medidas que serão tomadas quanto aos problemas. “Caso eles não respondam, vamos encaminhar as reclamações que coletamos aqui para nossa central em São Paulo, que protocolará a representação na Promotoria”, revela.

A população que desejar efetuar uma reclamação pode se dirigir ao Procon de Indaiatuba, na Rua Rêmulo Zoppi, 434, na Vila Georgina. O telefone para mais informações é o 3834-7601 ou o 3835-6200.
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