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Suspeita de casos de coqueluche aumenta na cidade
Possibilidade de surto é descartada pela Secretaria Municipal de Saúde
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Atualizado em 30/01/2012 às 11h25Publicado em 27/01/2012 às 18h18Jean Martins - jean@tribunadeindaia.com.br
O pneumologista Paulo Celso Deltreggia reforça que os recém-nascidos são os mais expostos à doença
Eduardo TuratiO pneumologista Paulo Celso Deltreggia reforça que os recém-nascidos são os mais expostos à doença
A suspeita de casos de coqueluche começou a aumentar nos últimos meses em Indaiatuba. A informação foi confirmada pelo pneumologista Paulo Celso Deltreggia. Duas pessoas confirmaram terem sido infectadas pela doença este ano. A Secretaria Municipal de Saúde diz desconhecer os dois casos citados e descarta qualquer possibilidade de um surto da doença na cidade.

Uma das pessoas que contraiu a doença foi o filho de 7 anos da representante comercial Thaís Carotti Peres, de 35 anos. Ela conta que passou três vezes com o filho nos hospitais da cidade. Na tentativa de identificar o que filho tinha, já que estava mal desde a semana do Natal, Thaís lembra que nas primeiras tentativas foi informada de que o filho estava com início de gripe, depois pneumonia, até ir a um especialista e constatar que era coqueluche.

A coqueluche é causada pelas bactérias Bordetella pertussis e B. parapertussis, é disseminada por meio de gotículas e aerossóis de saliva e, no organismo, lesa os tecidos da mucosa. Os primeiro sintomas da doença são tosse, coriza, febre e olhos irritados, que fazem parte do estágio catarral. O próximo estágio se desenvolve cerca de duas semanas após o anterior e tem como característica acessos de tosses sucessivas, com intervalos variáveis.

A doença pode agir em pessoas de todas as idades e seu ciclo pode durar até seis meses. Porém, segundo Deltreggia, as crianças recém-nascidas são as que ficam mais expostas à doença, já que a resistência é menor e a falta de oxigênio momentânea pode afetar o organismo e podem até chegar a óbito.

Justamente por conta dos sintomas, a doença é difícil de ser diagnosticada. “A coqueluche é identificada com base no relato dos pacientes durante consulta e depois com a confirmação por meio de exames, que não são muito eficazes caso a doença esteja num estágio avançado. “Na maioria das vezes a pessoa que contraiu a doença sofre com crises de tosse, o que leva ao afogamento e depois ao vômito”, declara Deltreggia.

O tratamento do filho da representante comercial foi feito mediante antibiótico, único método de tratamento indicado pelos médicos. “O remédio, na fase precoce, consegue esterilizar a bactéria. Porém, a doença persiste ainda por mais três semanas, no seu terceiro período, que é o de convalescença”, explica Deltreggia.

O segundo caso de coqueluche também ocorreu na família de Thaís. Ela conta que o namorado de sua prima contraiu a doença. Segundo a representante comercial, ele foi ao posto de saúde e os próprios médicos confirmaram que a suspeita de casos aumentou. A reportagem da Tribuna tentou contato com a fonte, mas até o fechamento da matéria não houve retorno.

Livre da doença, Thaís lembra dos momentos de desespero quando descobriu que o filho estava com coqueluche. “A gente fica preocupada, pois dificilmente ouvimos falar da doença e quando se pesquisa na internet vê que é uma doença que matou muita gente nos anos 1980”, lembra.

Prevenção
Para a prevenção contra a doença, o uso precoce da vacina tríplice viral é fundamental. A imunização ocorre aos dois, quatro e seis meses de idade, além de dois reforços aos 15 meses e aos 4 anos. Outra opção de imunização é a vacina celular, que pode ser tomada a qualquer idade.

Secretaria descarta surto da doença
Mesmo com o aumento nas suspeitas de casos de coqueluche, a Secretaria Municipal de Saúde descarta qualquer possibilidade de um surto da doença em Indaiatuba.

Via Assessoria de Comunicação Social, a Secretaria informa que cinco casos da doença foram registrados no Município no ano passado. Este ano, um caso já foi confirmado e outros dois aguardam resultado dos exames.

Entretanto, muitos casos que são diagnosticados em consultórios particulares não são notificados pelos pacientes nos postos de saúde da rede pública. A realização do exame tardio é outro agravante e faz com que o número de pessoas infectadas não seja preciso. “Infelizmente, a cultura dessas bactérias nas fases mais avançadas da doença é difícil, embora a tosse esteja em sua pior fase. Os resultados podem ser obtidos mais rapidamente através do exame de amostras para detectar bactérias da coqueluche utilizando corantes de anticorpos especiais, mas esta técnica é menos confiável”, declara o pneumologista Paulo Celso Deltreggia.

Em 2011, o número de casos de coqueluche registrados no País dobrou em relação ao ano passado, que passou de 291 pacientes confirmados, em 2010, para 583.

Saiba mais sobre a doença
Primeiros sintomas
Estágio catarral – gripe, tosse, coriza, febre e olhos irritados.

Estágio paroxístico – crises de tosses (com intervalos variáveis), muco e vômito.

Tratamento
O paciente deve receber orientação médica e se tratar com o uso de antibióticos.

Prevenção
- Vacina tríplice viral, aplicada aos dois, quatro e seis meses de idade.
- Vacina celular
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