Combate aos roubos de veículos fez com que ladrões migrassem para outra modalidade
Ana PolastriCapitão André Luiz Pacheco Pereira avalia a elevação dos índices de furto
O sistema de segurança por imagem instalado nas vias que dão acesso a Indaiatuba e a ação de combate realizada pela Guarda Municipal e Polícia Militar não foram suficientes para evitar que 365 veículos fossem furtados no Município durante todo o ano de 2011.
De acordo com um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, no ano passado foram furtados 81 carros a mais do que em 2010, ano em que foram registrados 284 casos. Esses números representam um aumento de 28,52% nesse tipo de crime, o que mais cresceu na comparação entre os dois anos.
Se somados os 123 casos de roubos de veículos realizados no ano passado, em 2011 foram furtados e roubados 1,33 carro, motos e caminhões por dia, uma média de 40,66 casos por mês.
Mesmo com a soma negativa, o índice de roubos de veículos do ano passado apresentou redução de 9,58% em comparação com os 136 registros de 2010.
Segunda modalidade criminosa que mais cresceu na cidade durante o período analisado pela Secretaria, os furtos aumentaram 21,26%, passando das 1.402 ocorrências registradas em 2010 para 1.700 no ano passado. São 4,65 furtos por dia e 141,6 por mês.
Em comparação com os 741 roubos que aconteceram no mesmo ano, são 959 ocorrências de furto a mais registradas na Delegacia Central, no Primeiro Distrito Policial no Jardim Morada do Sol e na Delegacia do Direito da Mulher (DDM).
Assim como os roubos de veículos, os roubos comuns também apresentaram queda. Se comparados com os 851 casos de 2010, esse tipo de crime caiu 12,93%.
Migração
Comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar de Indaiatuba desde setembro do ano passado, o capitão André Luiz Pacheco Pereira avalia a elevação dos índices de furtos como uma resposta dos criminosos as ações realizadas pela PM em conjunto com o Centro de Operações de Inteligência (COI).
De acordo com o capitão, como os trabalhos de combate aos roubos de veículos foram intensificados, os ladrões acabaram mudando a forma de agir e passaram a focar nos furtos. “É uma migração. Eles (bandidos) percebem a nossa ação e acabam indo praticar outro tipo de crime. Nós baixamos os roubos porque fomos atrás das armas”, revela. Ainda segundo o capitão, quando isso acontece a metodologia do crime muda, o que acaba motivando a migração dos assaltantes para os furtos.
BO eletrônico facilita registro
Segundo o responsável pela Polícia Militar local, capitão André Luiz Pacheco Pereira, o crescimento dos casos de furtos aconteceu, principalmente, pela facilidade no registro dos casos, que passou a ser feito via internet, diretamente no site da Secretaria de Estado da Segurança Pública (
www.ssp.sp.gov.br). Entretanto, ele ressalta que fez uma análise sobre esses números e constatou que são casos que envolvem documento e carteira que são furtados na região central da cidade.
O capitão conta que, muitas vezes, casos de perda de documentos acabam sendo registrados pelos proprietários como roubo como forma de evitar o pagamento da segunda via. “Com o Boletim de Ocorrência de furto, a pessoa não precisa pagar para fazer a segunda via e muitas pessoas acabam se utilizando disso”, cita.
Como os registros de furtos de veículos também vão passar a ser feitos pela internet, Pereira acredita que um crescimento nesses casos também possa acontecer.
Queda
Mesmo reconhecendo o número elevado de casos envolvendo os furtos de veículos, capitão André lembra que, devido à ação da PM, no último trimestre de 2011 esse tipo de crime apresentou queda. Enquanto em setembro foram furtados 31 veículos, em outubro foram 28, novembro 18 e dezembro 17.
Último dos cinco índices avaliados, os casos de homicídio doloso são os que apresentaram a maior queda. Os 11 registros mostram uma diminuição de 42,11% em comparação com os 19 crimes de 2010.
A Tribuna encaminhou um questionamento ao secretário municipal de Defesa e Cidadania, Alexandre Cícero Guedes Pinto, responsável pela Guarda Municipal, porém, até o fechamento da matéria não teve resposta.