Ana PolastriClientes estão começando a usar caixas e sacolas retornáveis
Caixas de papelão, sacolas ecológicas, ou então carregar tudo na mão. Estas são as opções disponíveis aos clientes nos supermercados desde o dia 25 de janeiro, quando muitos comércios em todo o Estado excluíram de seus caixas as sacolinhas descartáveis. A mudança, que tem por finalidade beneficiar o meio ambiente, gerou reclamações entre os consumidores.
A decisão de abolir as sacolas surgiu com o acordo entre o governo do Estado e a Associação Paulista de Supermercados (Apas), no lançamento da cam- panha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco, que visa despertar no consumidor a consciência ambiental por meio da substituição das sacolas descartáveis pelas retornáveis nos supermercados.
A campanha teve adesão de algumas redes de supermercados em Indaiatuba e já no dia 25 não havia mais sacolinhas disponíveis aos clientes nestes estabelecimentos. Foi aí que as reclamações começaram. “Muitas pessoas questionaram, mas tudo dentro do esperado. De dez clientes, três ainda mostram resistência”, relata o gestor de compras do Supermercado Pague Menos, Henrique Hilbert.
Em Indaiatuba não existem dados sobre a aceitação dos clientes. Porém, a reportagem da Tribuna visitou uma das redes de supermercado, a fim de saber a reação do consumidor sem pode utilizar as sacolas descartáveis.
Boa parte dos entrevistados diz apoiar a campanha, porém, com muitas ressalvas. Para a pedagoga Maristela Vitt Cavallari, de 51 anos, a retirada das sacolinhas não surtirá grandes efeitos na preservação do meio ambiente, já que muitos outros produtos expostos nas prateleiras são compostos de plástico.
A pedagoga conta que está sendo “horrível” ter que carregar as compras sem as sacolas, mas acredita que aos poucos vai se acostumar. “No começo todos irão reclamar, porém, a adaptação será questão de tempo”, declara.
Para a aposentada Eliana Cruz, de 55 anos, a grande preocupação é quanto às formas disponíveis de substituição das sacolas descartáveis. “Os supermercados que aderiram à campanha fornecem como uma das opções as caixas de papelão, que muitas vezes não sabemos em que tipo de ambiente estavam armazenadas”, questiona. “Muitos alimentos podem ser contaminados no transporte dentro da caixa.”
Outra forma encontrada por alguns supermercados é a comercialização das sacolas biodegradáveis, que demoram menos tempo para se degradar no solo. Porém, o Procon de Campinas orienta os supermercados a oferecerem aos clientes opções para carregar suas compras de forma gratuita.
Satisfação
Para outros consumidores, a extinção das sacolas plásticas “veio em boa hora” e não deve fazer falta na hora de levar as compras do supermercado até em casa. “Está muito bom sem a sacolinha, principalmente quando falamos na preservação do meio ambiente. Praticamente já me acostumei, pego minhas compras coloco tudo numa bolsa e levo para casa. Outra opção é colocar dentro de uma caixa de papelão, que trata-se de um material reciclável”, lembra o motoboy Leandro Felix, de 34 anos.
O comerciante Antonio Chele, de 54 anos, declara ser constrangedor sair com os produtos à mostra, mas acredita que está sendo um constrangimento válido. “Foi uma excelente ideia e acredito que logo todos vão se acostumar. No geral nós (brasileiros) somos um pouco ignorantes, então acredito que no início a rejeição deva atingir os 70%”, calcula.
Campanha não tem 100% de adesão de comércios da cidade
A informação da Associação Paulista de Supermercados (Apas), de que com o fim das sacolinhas plásticas em Indaiatuba deixaria de lançar 12 milhões no meio ambiente, correspondente a 44 toneladas de lixo ao mês, parece não ter sensibilizado alguns proprietários de supermercados em Indaiatuba.
Alguns comércios continuam oferecendo sacolas descartáveis nos seus caixas, com a justificativa de que estão usando as sacolas que estão no estoque e muitos prometem aderir à campanha com o término do material estocado.
Tal decisão dos supermercadistas vem prejudicando os supermercados que aderiram à campanha e não oferecem mais as sacolas. “Essa é uma situação que vem gerando muita reclamação para a gente. Tem cliente que vem aqui e começa a questionar e falar que é um absurdo nós não oferecermos sacolinhas, sendo que no supermercado ao lado a sacola é dada sem nenhuma restrição”, declara.
Durante visita em um supermercado da cidade, a reportagem da Tribuna flagrou diversos consumidores carregando suas compras em sacolas descartáveis de outro supermercado, que provavelmente não havia aderido à campanha.
Para o contador Valdecir Alexandre Peressim, de 41 anos, a população deveria agir contra esses comércios que não apoiam a campanha. “Esses dias fui num outro mercado e realmente havia sacolinhas descartáveis. Não as utilizei porque antes mesmo da campanha eu já usava a retornável. Acredito que todos deveriam evitar ir nesses comércios que ignoram o acordo”, lembra.