No primeiro dia de aula alunos ficaram no pátio e pais se revoltaram com a situação
Ana PolastriAlunos vagam pelo pátio da escola sem professor
Os 970 alunos matriculados no ensino fundamental, médio e na Educação para Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual Aurora Scodro Groff, na Vila Maria Helena, iniciaram o período letivo sem 23 professores.
A revelação do caso aconteceu na tarde de quarta-feira, dia 1º, quando a diretora Maria Auxiliadora Schneider Vianna convocou os pais dos estudantes do período da tarde para revelar a situação. Em meio à discussão de pais exaltados e a direção da escola que tentava explicar o que estava acontecendo, alunos da 5ª, 6ª e 7ª séries andavam pelo pátio presenciando toda a conversa. Isso por culpa da ausência dos professores de Língua Portuguesa, Ciências e Geografia, que já era sentida logo após as 13 horas, horário de entrada dos estudantes.
Enquanto algumas crianças permaneciam sentadas, outras já estavam na parte externa do prédio, na quadra poliesportiva, não demonstrando a menor preocupação com a situação. Apenas duas turmas estavam nas salas de aula que contavam com a presença de professores.
Minutos após o problema ter sido revelado, os aproximadamente 30 pais e responsáveis que estavam no local começaram uma discussão sobre quais medidas seriam tomadas na tentativa de evitar que os meninos e meninas sejam ainda mais prejudicados pelo problema.
Questionada pela reportagem da Tribuna, a diretora revelou que recebeu a confirmação da ausência de professores na sexta-feira, dia 27, quando aconteceu a penúltima atribuição de aulas. Segundo a responsável, o mesmo problema atinge outras escolas da cidade.
Segundo o relato de muitos pais que estavam revoltados com a situação, a diretora afirmou que, para evitar que os alunos permaneçam ociosos dentro da escola, vai tentar organizar as aulas de acordo com a disponibilidade dos educadores. A intenção é fazer com que os alunos possam assistir às aulas e sejam dispensados logo na sequência.
Indignados
Ana PolastriMãe discursa durante convocação de pais na Escola Aurora Scodro
Assim que chegaram à escola, as mães, pais e tias se depararam com boa parte das crianças no pátio brincando sem a presença de nenhum integrante da escola, situação que gerou uma grande revolta.
Assustados com a situação, os responsáveis ficaram ainda mais indignados quando foram informados que, mesmo se não autorizarem, os estudantes que forem dispensados não vão poder ficar dentro do prédio assim que a aula terminar. Aqueles que não tiverem condições de voltar para casa terão que ficar do lado de fora da escola.
Em uma conversa entre os pais e a diretora, presenciada pela reportagem, Maria confirmou que, caso os pais não assinem uma autorização, a direção vai tentar buscar na Diretoria de Ensino de Capivari uma liberação para que os alunos possam ser dispensados mesmo contra a vontade dos responsáveis.
Surpreendidos com a situação, os pais que estiveram na escola começaram um abaixo-assinado que será encaminhado à Diretoria de Capivari. Para que mais pais saibam da situação, os que estiveram no dia do anúncio vão tentar divulgar a notícia, fazendo com que mais responsáveis assinem o documento. A intenção é que a Associação de Pais e Mestres (APM) também se manifeste em defesa dos alunos.
Mesmo sem saber da possibilidade, alguns pais chegaram a afirmar que podem atuar como Amigos da Escola, ficando responsáveis pelas crianças.
De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, a atribuição de aulas da regional de Capivari não foi finalizada e na próxima semana um novo processo será iniciado.
Pais se revoltam com situação
Informados apenas na quarta-feira, dia 1º, sobre a falta de professores, os pais que estiveram na Escola Estadual Aurora Scodro Groff se revoltaram com o problema.
Mãe de um menino de 10 anos que acaba de ingressar na 5ª série, a bacharel em filosofia América Xavier Rolim Barbosa, de 47 anos, moradora na Vila Maria Helena, que encabeçou a revolta dos pais, estava inconformada e disse que a tentativa da diretora Maria Auxiliadora em obrigar que os pais assinem um termo autorizando a saída das crianças da escola é uma forma da diretora “se isentar da responsabilidade”.
Ao classificar a situação como “inaceitável”, América disse que precisa contar com a escola entre 13h e 18h20 (horário das aulas), e isso não está acontecendo.
Inconformada com a situação, a costureira Verena Fabiana de Oliveira Baron, de 33 anos, que mora no Residencial Caminho da Luz, mãe de duas meninas e tia de outra garota que estudam na escola, revelou estar desesperada com a situação, pois mesmo não querendo deixar as três meninas na rua, não tem como fazer com que elas retornem para casa. “O ônibus que leva as meninas para casa passa por aqui às 18h30. Antes não tem. Agora, se elas forem dispensadas antes do horário, vão ter que ficar na rua”, revela.
A publicitária Karina Cavalieri, de 47 anos, que mora no Jardim Moacyr Arruda e é mãe de um menino que acaba de ser transferido para a escola, está assustada com o que aconteceu e revelou que vai tentar conseguir matricular o garoto em uma escola particular.
Diretor estadual e coordenador da sub-sede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Carlos Alberto Rezende Lopes, o Linho, revelou à reportagem que não sabia da situação da escola Aurora, mas garantiu que outras unidades, como a Escola Estadual Dom José de Camargo Barros, também foram afetadas com a falta de professores nesta primeira semana do ano letivo.