Ana PolastriTransporte coletivo deixou de circular em estrada de terra no Videiras
O serviço de transporte coletivo oferecido pela Viação Guaianazes, única empresa que possui o direito de explorar o transporte urbano municipal em Indaiatuba, continua sendo alvo de reclamação dos indaiatubanos que dependem do serviço. Assim como das outras vezes, as queixas envolvem o atraso nos horários e a falta de respeito com os usuários.
Esta semana, a reportagem da Tribuna recebeu a informação de trabalhadores e estudantes que vêm sofrendo com o descaso proporcionado pela empresa. Mesmo sem utilizar o serviço, mas inconformada com o descaso que os pais, um casal de idosos, vêm enfrentando, a moradora da região de Videiras Ana Luiza Sccoco Tomasetto, de 29 anos, revelou diversas situações que aconteceram com os próprios pais e com outros moradores da região.
Ela conta que há mais ou menos cinco meses a população que vive em Videiras e depende dos ônibus para trabalhar ou resolver problemas pessoais na região central da cidade vêm sofrendo com a falta de respeito por parte da empresa.
Segundo a moradora, existe um ponto de ônibus instalado na estrada do Bem-Te-Vi, uma via de terra, onde grande parte das pessoas que vive na região se concentram para poder ter acesso aos ônibus. Porém, como já vem acontecendo em outros casos, sem qualquer tipo de aviso, o transporte deixou de passar pelo local, fazendo com que muitos trabalhadores percam o horário do trabalho. “Isso já vem acontecendo há uns cinco meses. Como é uma estrada de chão, quando chove formam buracos que não agravam tanto a situação como a empresa alega. Eles chegam a dizer que não têm condições de passar pela qualidade da rua”, cita.
Por culpa dessa situação, na quinta-feira, dia 26, por volta das 7h15, Ana Luiza conta que passou pela estrada e viu 15 pessoas esperando pelo ônibus, que não adentrou a via e seguiu pela Rodovia José Boldrini. “Fui atrás do ônibus, parei o motorista e cobrei ele, falando das 15 pessoas que haviam ficado no ponto, e se ele não iria voltar. Ele disse que não iria por causa do ônibus e da condição da estrada”, revela.
Prejudicados
Com essa mudança feita sem aviso, os aproximadamente 100 usuários que dependem do transporte são prejudicados diariamente.
A moradora conta que ela e outras pessoas do bairro já fizeram diversas reclamações junto a Guaianazes, porém, “Sempre falam que vão solucionar, mas nunca fazem nada”, cita. Além desse problema, Ana conta que mesmo passando na pista, os motoristas não respeitam os horários. Segundo a moradora, os horários das 7h15, 10h, 12h, 14h e 17h não vêm sendo respeitados.
Ela também revela casos de desrespeito por parte dos motoristas contra idosos. “Minha mãe estava voltando da cidade quando percebeu que o motorista estava cochilando. Ela teve que chacoalhar o motorista para evitar que o ônibus batesse no barranco. Mesmo assim o motorista gritou com todos no ônibus e xingou as pessoas dizendo que ele não havia dormido. Uma amiga do trabalho contou que a mãe, uma senhora, foi subir pela porta traseira do ônibus e o motorista não esperou que ela subisse por completo. Com o tranco, ela caiu, mas por sorte, dentro do ônibus”, declara.
Outro lado
Em resposta ao questionamento realizado pela Tribuna sobre os problemas com os horários e o fato de os ônibus não estarem passando pela estrada, o diretor da Coordenadoria de Transporte Coletivo, Silvio Roberto de Lima, afirmou que será realizada uma fiscalização no local, pois, segundo ele, no ano passado, essa linha sofreu alterações atendendo a pedido dos próprios moradores.
Estudante reclama de horário e erro no itinerário para o Distrito Industrial
O estudante Eduardo Irineu Soares, de 18 anos, que mora no Jardim Bela Vista, vem enfrentando uma série de problemas com o transporte coletivo de Indaiatuba. Entretanto, essa situação não acontece apenas na hora de ir para a escola.
Recentemente contratado para um trabalho temporário em uma empresa instalada no Distrito Industrial, ele precisa utilizar dois ônibus para chegar ao emprego às 6 horas. Como não existem ônibus que fazem o percurso direto, ele toma o primeiro às 5h15, com destino à Rodoviária. “Porém, o ônibus que deveria sair da Rodoviária às 5h35 sempre atrasa e eu acabo chegando sempre depois das 6h no trabalho”, revela.
Por culpa desse atraso, Soares optou por ir trabalhar de bicicleta, mesmo tendo que sair mais cedo de casa. “Isso é uma humilhação para quem precisa tanto do transporte e não tem. Tenho que ir de bicicleta e quando chove fica complicado”, cita.
Depois que chega do trabalho, o problema do estudante continua. Ele começou a estudar no Serviço Social da Indústria (Sesi) na segunda-feira, dia 30 de janeiro. As aulas terminam às 21h30 e o último ônibus que tem o Jardim Bela Vista como destino passa pelo local às 21h10. “Não dá tempo de eu pegar o ônibus. Fui ao Departamento de Transportes da Prefeitura e me disseram que o ônibus era às 22h, mas na Guaianazes falam que o horário está correto”, diz.
Ao revelar que foi procurado pelo estudante, o diretor da Coordenadoria de Transporte Coletivo, Silvio Roberto de Lima, disse que foi agendado um acompanhamento de deslocamento para ajustar os horários, mas no dia e horário agendado, o interessado não compareceu. “Na mesma semana o Departamento se reuniu com alguns representantes de empresas do Distrito para elaboração de nova proposta de operação de linhas visando atender as necessidades constantes daquela localidade. Ficou acordado das mesmas nos apresentarem quantidades de funcionários e demais colaboradores com endereço residencial, horários dos turnos, dessa forma poderemos elaborar novas Ordens de Serviço Operacional (OSO) e assim atender aos anseios, desde que haja demanda que justifique”, explica.
Sobre o horário do ônibus para a volta das aulas ficou acertado que será realizado um remanejamento em caráter experimental ajustando o horário.