D. Airton José dos Santos substituirá d. Bruno Gamberini, que faleceu no ano passado
Carolina Grohmann/Arquidocese de Campinas-OKO bispo diocesano tem o prazo de dois meses para tomar posse do cargo
O papa Bento XVI nomeou na quarta-feira, dia 15, o novo arcebispo da Arquidiocese de Campinas. D. Airton José dos Santos, 55 anos, transferido da diocese de Mogi das Cruzes, assume o posto de 7º bispo e 5º arcebispo da arquidiocese, que estava livre desde o falecimento de d. Bruno Gamberini, em agosto de 2011. Até então, o posto estava sendo ocupado pelo administrador diocesano, monsenhor João Luiz Fávero.
D. Airton disse, em entrevista exclusiva à Tribuna, ter recebido a comunicação oficial com “muita surpresa” e que pretende assumir de forma “corajosa e aberta”. “Espero responder a essa transferência, a vontade do Senhor e da Igreja. Se recebi essa função é para servir de forma completa”, salienta.
De acordo com o bispo, as atitudes no comando da Igreja Católica em toda a região serão tomadas após ser empossado e entender a realidade da região. “Em primeiro lugar a atitude será estar lá, ser presença. Quero estar atento a essa realidade, para poder agir com prudência”, reflete.
De acordo com o Código de Direito Canônico (Cân. 382, § 2), o bispo diocesano tem um prazo de dois meses para tomar posse do cargo, após receber os documentos apostólicos. Assim, neste período, será definida a data da solenidade de posse.
As diretrizes pastorais já desenvolvidas na Arquidiocese serão mantidas, segundo d. Airton. Além de arcebispo, o religioso assume o posto de grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), o que, segundo ele, será “um grande desafio”, por não ter exercido o cargo anteriormente, em uma instituição do mesmo porte. “Assumir o cargo na PUC é o respiro de uma nova atividade, nesse mundo todo que é a faculdade, será um outro desafio cheio de propostas”, comenta.
Cidades
Além de Indaiatuba, a Arquidiocese de Campinas abrange os municípios de Campinas, Elias Fausto, Hortolândia, Monte Mor, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo, com uma população total de aproximadamente 1,8 milhão de habitantes. D. Airton sucede d. João Batista Corrêa Nery (1908-1920); d. Francisco de Campos Barreto (1920-1941); d. Paulo de Tarso Campos (1941-1968); d. Antônio Maria Alves de Siqueira (1968-1982); d. Gilberto Pereira Lopes (1982- 2004); e d. Bruno Gamberini (2004-2011).
Padres locais comentam nomeação
A nomeação do novo bispo foi analisada de forma positiva pelos padres locais, que já tinham referências da carreira sacerdotal de d. Airton José dos Santos.
O pároco da Igreja Santa Rita de Cássia, Francisco de Paula Cabral Vasconcellos, o padre Xico, confirma que teve referências do religioso, quando este era auxiliar da diocese de Santo André. Na época, d. Airton já era muito bem quisto pelo clero e acabou sendo votado pelos próprios colegas para assumir como administrador, após a morte do titular. “Analiso essa nomeação com muita esperança. É um bispo jovem e tem capacidade e habilidade para seguir os planos da diocese”, comenta padre Xico.
O pároco da Igreja Santo Antônio, João Paulo da Silva, se diz “feliz” com o novo bispo de Campinas, devido à relevância do cargo para a Igreja e sociedade. “Nossas expectativas são as melhores, pois ele é um bom servidor nos trabalhos que assumiu, tem experiência em pastoral urbana nas grandes cidades”, comenta padre João Paulo, que reforça que a “felicidade” da nomeação se estende ao arcebispo emérito de Campinas, d. Gilberto Pereira Lopes.
Os párocos acreditam que os trabalhos do novo bispo seguirão a caminhada da Igreja Católica, sobretudo diante do 7º Plano de Pastoral, com a abertura para uma igreja mais acolhedora, transformadora e solidária.
Biografia
D. Airton José dos Santos nasceu na cidade de Bom Repouso, no Sul de Minas Gerais, no dia 25 de junho de 1956. Sua carreira religiosa começou em 1979, aos 23 anos, quando ele ingressou no seminário da diocese de Santo André.
Cursou Filosofia nas Faculdades Associadas do Ipiranga (FAI), em São Paulo, e cursou Teologia na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, no Ipiranga, também na capital. Iniciou o ministério sacerdotal em março de 1986, como Vigário Paroquial da Paróquia Imaculada Conceição, em Diadema.
Dentre outras atividades, entre agosto de 1998 a junho de 2000, permaneceu em Roma, residindo no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, onde obteve o título de Mestre em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.
De volta a Santo André, foi nomeado por d. Décio Pereira, bispo diocesano, em outubro de 2000, como chanceler do bispado e, em setembro do mesmo ano, como ecônomo da diocese. Em 2001, foi nomeado pároco da Catedral Diocesana de Santo André. No final do mesmo ano, foi nomeado pelo papa João Paulo II bispo titular de “Felbes” e Auxiliar para a diocese de Santo André.
Com o falecimento de d. Décio Pereira, no dia 5 de fevereiro de 2003, d. Airton foi eleito pelo Colégio de Consultores como administrador diocesano de Santo André, cargo que ocupou até a nomeação de d. Nelson Westrupp. Em 2004, o papa João Paulo II nomeou d. Airton como o quarto bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, onde tomou posse canônica no dia 26 de setembro de 2004.