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Falta de ração mata quase 1,5 mil frangos
Atraso na entrega do produto fez com que aves morressem em criadouro local
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Atualizado em 20/02/2012 às 10h58Publicado em 17/02/2012 às 14h27Danilo Tezoto - cidades@tribunadeindaia.com.br
Frangos se alimentam em comedouro de granja na quara-feira, após a chegada da ração enviada pela empresa responsável
Ana PolastriFrangos se alimentam em comedouro de granja na quara-feira, após a chegada da ração enviada pela empresa responsável
Quatro dias sem a entrega de ração fizeram com que 1.460 frangos de um criadouro local instalado na região do bairro Mato Dentro morressem de fome. A morte dos animais aconteceu entre a sexta-feira, dia 10, e o sábado, dia 11. No primeiro dia, os responsáveis pelo local contabilizaram a morte de 1,1 mil aves. No dia seguinte, mesmo com a chegada da ração, outros 360 frangos acabaram não resistindo e também morreram devido aos problemas ocasionados pela falta de comida.

De acordo com o avicultor Márcio Farinas de Oliveira, de 31 anos, que atua como meeiro no criadouro indaiatubano, entre os dias 7 e 10, nenhum quilo da ração foi entregue pela empresa Paulista Alimentos, proprietária dos animais e responsável pelo envio do produto.

A situação terminou, de forma temporária, na sexta-feira, quando um carregamento de ração foi entregue no local. Entretanto, mesmo com a chegada da comida, parte dos animais não resistiu e acabou morrendo, fato que se repetiu no dia seguinte.

Mas a entrega do final de semana não significou a normalização do serviço. Na segunda-feira, dia 13, os frangos voltaram a ficar sem ter o que comer, situação que só foi normalizada no início da tarde de quarta-feira, dia 15, quando uma nova entrega foi feita. Porém, ao contrário do que aconteceu na primeira vez, nenhum animal morreu de fome.

Devido à grande quantidade de animais mortos, Oliveira teve que contar com o auxílio de um maquinário da Prefeitura para fazer o transporte e a abertura de uma cova para poder enterrar os animais.

No criadouro em que Oliveira é um dos responsáveis, existiam na atual criação, antes da morte desses animais, aproximadamente 23 mil frangos. Para conseguir manter toda essa criação, são necessários 3,5 mil quilos de ração por dia.

Prejuízo
Frangos mortos tiveram que ser retirados de granja pelo próprio avicultor
DivulgaçãoFrangos mortos tiveram que ser retirados de granja pelo próprio avicultor
Embora a compra das aves e a entrega da ração sejam obrigações da empresa, o prejuízo não é exclusivo da Paulista. Mesmo a morte dos animais tendo sido motivada pela falta da ração, que aconteceu por culpa da empresa, os trabalhadores também foram prejudicados. “Como a empresa só se responsabiliza pelos frangos a partir do momento em que eles estão no caminhão para serem transportados, a morte por falta de comida vai nos prejudicar. Nós trabalhamos com os animais, mas não vamos receber”, conta o avicultor.

De acordo com Oliveira, como na última entrega, realizada no dia 18 de dezembro do ano passado, a empresa pagou R$ 0,25 por cada animal entregue, o problema da falta de alimentos será responsável por um prejuízo de R$ 365.

Conforme relato do criador, o problema vem acontecendo devido às dificuldade financeiras que vem atingindo a empresa que, segundo o meeiro, está próxima de falir. Por culpa disso, o Frigorífico Primor, que faz parte do grupo Atibaia Alimentos, teria assumido a responsabilidade pela entrega da ração, mas não estava conseguindo atender todos os criadores.

Questionado se as mortes podem ter sido ocasionadas pelo calor que atinge a cidade, o criador afirma que isso não aconteceu.

Avicultor acusa empresa de falta de pagamento de lote de dezembro
Além dos problemas causados pela falta de ração, que acabou contribuindo com a morte de 1.460 frangos, o responsável pela criação revelou à reportagem da Tribuna que os problemas financeiros da Paulista Alimentos vêm afetando os criadores desde o final do ano passado. “A entrega que a gente fez no dia 18 de dezembro do ano passado, e que segundo eles, seria quitada no dia 19 de janeiro, ainda não foi paga. A dívida é de R$ 6,2 mil e eles prometeram que vão pagar logo depois do Carnaval”, conta.

A reportagem tentou contato com representantes da empresa Paulista, porém, até o fechamento desta edição não obteve resposta sobre a dívida e as condições de entrega da ração.

Empresa alega ‘socorrer’ concorrente
Por telefone, a reportagem da Tribuna, falou com a controller da empresa Primor, Gislaine Gláucia Pelissoli, que confirmou os problemas financeiros da Paulista e revelou que a Atibaia não adquiriu a Paulista. Ela alega que a ação de entregar a ração é apenas um “auxílio”, já que a empresa concorrente está sem condições de entregar. “Nós estamos socorrendo eles com a ração, mas o produto (os animais) não é nosso. Eles não estavam conseguindo enviar e pediram a nossa ajuda”, conta.
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