Eduardo TuratiApesar da propaganda, material didático é pago e não distribuído
Os alunos matriculados nos cursos da Fundação Indaiatuba e Educação e Cultura (Fiec) estão tendo dificuldades de aprendizagem. O motivo, segundo os estudantes, é que as apostilas, que deveriam estar disponibilizadas antes da primeira aula, não foram entregues. Os estudantes sequer foram informados do atraso e não sabem, por exemplo, se o material já foi impresso.
A Fiec recebeu este ano verba de R$ 8.824 milhões do Município. Além da quantia, os alunos pagam o valor de R$ 75 por semestre, dinheiro que é destinado à Associação de Pais e Mestres (APM). Segundo os estudantes, no ano passado, com este dinheiro foram disponibilizados aos alunos dois uniformes, apostilas, mochila ecológica, estojo, régua, caneta e garrafa d’água. Porém, este ano, apesar do pagamento, nenhum dos itens foi disponibilizado.
Esta não foi a primeira vez que as aulas começaram e as apostilas não foram entregues. O atraso do material escolar também ocorreu no ano passado, de acordo com o aluno do segundo módulo do curso de Eletroeletrônica, o representante comercial E.J.D., de 30 anos. “Nós ficamos sem material escolar de julho a novembro. As apostilas só chegaram depois que fomos reclamar na direção”, lembra.
A mesma situação foi vivenciada pelo estudante do curso de Mecânica Felipe Braga Oliveira, de 26 anos. Ele conta que no ano passado ficou um bom tempo “aprendendo” sem o auxílio das apostilas. “O professor era obrigado a desenhar na lousa o que era para estar no material. Daí ele fazia o desenho e dizia para olharmos determinada figura na página tal quando a apostila chegasse”, conta, de forma irônica.
Erro
As situações enfrentadas pelos alunos não param por aí. Após um período sem o material escolar, as apostilas chegaram, mas para a surpresa dos estudantes, era do módulo seguinte. “Recebi o material e percebi que o conteúdo era um pouco diferente do que a gente estava estudando, estava mais avançado. Comunicamos o coordenador do curso e notaram que entregaram as apostilas erradas. Depois do equívoco, tivemos que esperar mais umas três semanas para, enfim, receber o material adequado”, lembra.
Para este ano, tanto os alunos que estão no segundo módulo quanto os novatos estão há pelo menos duas semanas sem as apostilas, que seriam fundamentais para o aprendizado. “Não me preocupo muito em pagar a taxa de R$ 75 todo começo de semestre, mas é complicado aprender algo sem o material”, ressalta Oliveira.
Para E.J.D., o que o deixa mais indignado é o fato dos cursos serem anunciados que são 100% gratuitos, o que não reflete na prática. “Não entendo por que temos que pagar uma taxa da APM, sendo que o curso é de graça. O mais intrigante é que você paga a taxa, a apostila chega atrasada e já somos prejudicados logo na primeira aula”, critica.
O estudante Josimar de Jesus Lino, de 21 anos, confirma que os alunos estão cumprindo com o seu dever, mas necessitam do apoio da entidade. “Estamos comparecendo às aulas, se esforçando, mas não dá para estudar sem as apostilas. Evito faltar, mas esta semana não estou indo porque estou com conjuntivite. Como vou rever o conteúdo aplicado neste período de ausência, se o que está sendo ensinado está sendo feito na lousa?”, indaga.
Estacionamento também é cobrado
Eduardo TuratiAluno que quiser deixar carro no estacionamento paga taxa de R$ 70
Além da taxa da Associação de Pais e Mestres (APM), no valor R$ 75, os estudantes dos cursos “gratuitos” da Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura (Fiec) também são obrigados a arcar com outra quantia se quiserem deixar seus veículos no estacionamento da instituição.
De acordo com os alunos, quem quiser usar a área da escola, paga uma taxa semestral de R$ 70 para carros e R$ 35 para motocicletas. Além de não concordarem com a cobrança, os alunos questionam os benefícios que têm. “A gente deixa o carro lá, mediante pagamento de taxa, mas não sabemos se o carro for roubado ou furtado se a Fiec irá se responsabilizar por isso”, declara o estudante do segundo módulo do curso de Eletroeletrônica, o representante comercial E.J.D., de 30 anos. “Também não há um responsável caso o veículo seja amassado ou riscado.”
A diretora da Fiec, Eliane Raquel Geiss, lembra que o curso é gratuito, o que não significa que o estacionamento também deva ser. “A gente abre a possibilidade do uso do espaço a quem quiser ou precisar, porém, não é obrigatório por parte da Fiec. No entanto, quem desejar utilizar o espaço deve pagar a quantia semestral, que inclui o seguro do veículo”, declara. O dinheiro é destinado a Associação de Pais e Mestres (APM).
Atraso do material deve se estender
A chegada das apostilas aos alunos da Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura (Fiec) pode demorar mais do que os estudantes imaginam. A instituição de ensino informou que o processo para a definição da empresa que fornecerá o material sairá na próxima quinta-feira, dia 23.
Só a partir da informação da empresa vencedora do pregão presencial é que a Fiec saberá quando o material deve chegar. Indagada sobre o atraso, a instituição informou que, por se tratar de órgão público, necessita “agir dentro da lei” quanto aos processos licitatórios. “Sendo assim, às vezes temos atrasos na entrega de apostilas aos alunos, como foi em dado momento do ano passado e agora neste período do ano”, confirma a diretora da Fiec, Eliane Raquel Geiss.
A diretora confirmou ainda não acreditar que a ausência das apostilas atrapalhe no aprendizado dos alunos, uma vez que o processo de ensinar e aprender vai muito além desse recurso pedagógico. “Os professores têm nas apostilas um material de apoio, pois esta não é a única ferramenta educacional de qualidade”, lembra. “Os professores estão trabalhando o mesmo conteúdo estabelecido no curso e contemplado nas apostilas como apoio pedagógico, através de leituras e exercícios (foto copiados) gratuitamente aos alunos”, lembra.