Instalações dos Residenciais Cocais 1 e 2, na Zona Sul da cidade, estão praticamente abandonadas
Ana PolastriMoradores dos Cocais 1 e 2 se reuniram na segunda-feira para levantarem reclamações
As instalações dos condomínios Cocais 1 e 2, na Zona Sul, estão em completo estado de abandono. Esta é a reclamação das 320 famílias (160 em cada) que residem no local e arcam com uma taxa de condomínio no valor de R$ 182 e mensalidades da compra dos apartamentos, por meio do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), plano do governo federal, no valor de R$ 198.
A falta de manutenção, que oferece condições básicas de moradia, é a principal preocupação e cobrança dos moradores. Os problemas nos condomínios já são facilmente detectados na portaria. O motor do portão elétrico novamente está queimado e o local acaba ficando aberto para a passagem de pedestres e motoristas.
Ana PolastriParquinho do residencial está com mato alto, o que impede brincadeiras
Ainda na portaria, o interfone está há semanas quebrado, foi para o conserto, mas até agora não retornou para o uso. “Sem comunicação com os condôminos, os porteiros acabam deixando os visitantes entrarem. Outra opção, é o visitante ligar para o morador, para que ele desça até a portaria”, relata a administradora Patrícia Sandino, de 30 anos.
Os problemas não param por aí. Poucos metros após a portaria, as crianças de todas as idades brincam entre os carros. O risco de atropelamento é evidente, mas os moradores têm uma explicação convincente: o playground e o campinho de futebol estão tomados pelo matagal e há meses sem manutenção.
Além de prejudicar o lazer das crianças do condomínio, o matagal também acaba virando local para a procriação de animais peçonhentos. “Vira e mexe a gente encontra aranha dentro de casa. Do jeito que está, as crianças correm risco dentro e fora de casa”, ressalta a também administradora Meire Santos, de 32 anos.
Os problemas seguem alguns metros abaixo. O salão de festas está totalmente danificado, cheio de pichações. “Não sabia que o local estava daquele jeito. Esses dias fiz uma festa lá e fiquei com vergonha dos convidados”, lamenta o professor Idemar Lopes dos Santos, de 36 anos.
Festas
Ana PolastriCampo de futebol, outra área de lazer, está sem condições de uso
O salão, que deveria ser destinado para momentos de felicidade, virou ponto de drogas. Além dos usuários que moram no condomínio, pessoas de fora também entram no local para consumir entorpecentes. “Do jeito que está não podemos nem deixar as crianças brincarem próximo ao salão. Os usuários tomaram conta do local de tal forma que eles venderam as cadeiras e as mesas, pertencentes ao condomínio, para comprar droga”, ressalta Meire.
A presença de usuários de droga é consequência da fragilidade da segurança no local. Além dos viciados do próprio conjunto habitacional, outras pessoas de fora entram no condomínio para se drogar. Para ter acesso ao condomínio, basta pular o muro, que não oferece qualquer obstáculo, sendo facilmente pulado, independente do peso ou altura.
Os moradores também relatam problemas nos toldos que cobrem a entrada dos prédios, além da falta de limpeza nas caixas d’água.
Para Santos, os condomínios são ótimos lugares para se residir, porém, deve haver investimentos com o passar dos anos. “A gente paga a taxa mensalmente, sem atrasos, fazemos a nossa parte. Mas infelizmente a empresa responsável não está cumprindo com o que foi acordado e ainda acham que têm o direito de aumentar a taxa de condomínio”, diz.
Taxa de condomínio será reajustada
Mesmo com inúmeros problemas, a empresa Logos Imobiliária e Construtora Ltda., responsável pelos condomínios Cocais 1 e 2 anunciou que a taxa de serviço será reajustada. Os atuais R$ 182 terá um aumento de 20,88 % e chegará a R$ 220 mensais.
O reajuste era para ter ocorrido em novembro, mas os moradores vêm tentando barrar o aumento, desaprovando as prestações de contas da empresa que justificariam o aumento. “Nos anos anteriores, eles conseguiam o reajuste nos enganando. Pediam para a gente assinar uma lista, que aparentemente era para comprovar que havíamos sido informados da assembleia, mas na verdade já era a lista para aprovar o reajuste”, conta a administradora Meire Santos, de 32 anos.
A prestação de contas da empresa responsável pelo condomínio é uma incógnita a ser desvendada pelos condôminos. Segundos os moradores, no relatório constam gastos com o elevador e com bomba de piscina. Essas cobranças seriam normais e aceitáveis se os condomínios contassem com ambos os serviços.
Aumento
Ana PolastriSacos de lixo ficam espalhados pela área verde dos Cocais 1 e 2
Os moradores afirmam que o aumento é abusivo e se depender deles o reajuste não será aprovado com este valor. “É um absurdo um aumento desse. Pelas condições que temos atualmente, o valor de R$ 182 que pagamos mensalmente já é abusivo. Aqui é um conjunto habitacional, de baixa renda, conheço pessoas que moram em condomínios mais luxuosos que não pagam este valor”, critica a administradora Patrícia Sandino, de 30 anos.
Segundo os condôminos, a empresa anunciou que após o reajuste estudará um novo aumento ainda este ano, que deve chegar a R$ 280.
Protesto deve ocorrer em frente à agência
Diante das possíveis irregularidades, os moradores dos condomínios Cocais 1 e 2 devem se organizar e fazer um ato de protesto em frente à Caixa Econômica Federal (CEF) do Centro. O protesto também será aderido por condôminos do Mirim 1 e 2, conjuntos habitacionais do Jardim Morumbi, que sofrem com os mesmos problemas e que também têm a empresa Logos Imobiliária e Construtora Ltda. como administradora.
Segundo o membro de comissão formada pelos moradores dos condomínios, o metalúrgico Derci Jorge Lima, a data do protesto ainda não está definida. “Vamos definir o melhor dia e horário para que todos possam aderir ao movimento”, declara. “Vamos em frente à Caixa para pedir que a empresa administradora seja trocada.”
Administradora
Derci relata que durante o encontro, os moradores querem cobrar as últimas prestações de contas apresentadas pela Logos. “Estão sendo fraudulentos com a gente. A lista de serviços prestados pela empresa administradora não passa de uma enganação. Pelo que oferecem e o fato dos próprios moradores terem que realizar alguns serviços, a taxa de condomínio deveria ser de R$ 140 no máximo”, ressalta.
Caixa cobra vistoria nos residenciais
Após inúmeras reclamações dos moradores dos condomínios Cocais 1 e 2, a Caixa Econômica Federal (CEF) informou, via assessoria de imprensa, que já acionou a Logos Imobiliária e Construtora Ltda. para realizar vistoria no empreendimento.
O banco confirma ainda que, após análise, a empresa deverá tomar as providências para a regularização das falhas que forem constatadas. A Caixa informa ainda que contrata empresas especializadas no ramo de administração de imóveis por credenciamento público regido pela Lei 8.666/93, para que administrem condomínios do Programa de Arrendamento Residencial (PAR).
A Tribuna também contatou a empresa Logos, mas foi informada de que ela não tinha permissão para falar sobre o assunto e apenas orientou a reportagem a contatar a Caixa Econômica Federal.