Moradores de rua vão ao Terminal Rodoviário Alberto Brizolla pedir esmolar, beber e usar drogas
Eduardo TuratiOntem pela manhã andarilhos foram abordados pela Guarda Municipal
A presença diária de andarilhos no Terminal Rodoviário Alberto Brizolla, no Centro, vem há algum tempo preocupando os comerciantes. Os moradores de rua escolheram o local, destinado ao embarque e desembarque de passageiros, para pedir esmolas e também para o consumo de drogas e bebidas alcoólicas.
Os comerciantes mais antigos relatam que a presença de andarilhos na rodoviária sempre foi um problema. Mas para piorar a situação, nos últimos dias os moradores de rua estão utilizando o terminal rodoviário como se fossem suas casas.
Os andarilhos utilizam o espaço para o consumo de drogas e bebidas alcoólicas. As atividades, algumas delas ilícitas, começam de manhã e não têm hora para acabar. Os bancos do terminal rodoviário também são utilizados pelos andarilhos para dormir.
Para se alimentar ou conseguir dinheiro para comprar drogas e bebidas, os moradores de ruas apelam justamente para os comerciantes da rodoviária e para os passageiros. “O problema é que eles não pedem, mas sim intimam as pessoas para conseguirem algo”, declara o proprietário de um comércio na rodoviária Fábio Almeida, 47 anos.
O taxista M.B.O., de 52 anos, relata que os pedintes já começam a agir no começo da manhã. “Eles chegam, começam a pedir dinheiro ou então um cigarro. É uma situação desagradável, pois muitas vezes as pessoas querem embarcar, mas ficam constrangidas com a presença dos andarilhos”, lamenta.
A comerciante M.F.S.A., de 30 anos, lembra que além de pedirem esmolas diariamente, os andarilhos agem com agressividade. “O que mais tem aqui na rodoviária é gente pedindo esmola. Quando a gente fala que não pode colaborar, principalmente os usuários de drogas se alteram e começam a nos xingar”, conta.
Da última vez que foi intimada, a comerciante lembra que o andarilho proferiu palavras de ameaças. Por conta disso e pela falta de segurança à noite, M.F.S.A. conta que é obrigada a fechar seu comércio mais cedo.
Perturbação
Almeida conta que situações como estas são corriqueiras. Mas na sexta-feira, dia 17, a atitude de um andarilho com dois clientes foi “a gota d’água”. O comerciante conta que um dos moradores de rua estava intimando duas pessoas para conseguir dinheiro.
Diante das ameaças, o comerciante conta que teve que intervir. Após discussão com o andarilho, Almeida foi obrigado a chamar a Guarda Municipal. “Falei para que ele que chamaria a GM, mas ele disse que eu poderia ligar, pois nada iria acontecer”, declara.
Passados alguns minutos, a Guarda Municipal compareceu ao local, porém, o morador de rua tinha razão. “Eles vieram, conversaram, mas os andarilhos continuaram no local. Mesmo com o pessoal sendo perturbado, principalmente na região onde fica o meu comércio, os GMs disseram que não podiam fazer nada”, lembra Almeida.
O comerciante contou que avisou o GM que chamaria outra viatura. O guarda disse que Almeida poderia solicitar outros GM’s à vontade, “caso tivesse a costas quentes”. “Por fim os andarilhos continuaram no local e tive que fechar meu comércio uma hora antes do normal, pela falta de segurança”, conta. “Enquanto o morador de rua que estava perturbando ficava do outro lado da rua, dando risada da minha cara e fazendo gestos dizendo que eu só tinha papo.”
Ação da Guarda Municipal não inibe moradores de rua
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A presença da Guarda Municipal não vem inibindo a ação dos andarilhos que dormem, pedem esmola e consomem drogas e bebidas alcoólicas no Terminal Rodoviário Alberto Brizolla.
Os comerciantes contam que a Guarda Municipal, sempre que é chamada, comparece ao local, mas na maioria das vezes os andarilhos são apenas advertidos. “Muitos vêm e conseguem retirar os moradores de ruas, mas outros guardas simplesmente nos dizem que não podem fazer nada”, declara o proprietário de um comércio na rodoviária, Fábio Almeida, de 47 anos.
Esta situação foi constatada pela reportagem da Tribuna na manhã de ontem, dia 20. Mais uma vez a GM foi solicitada a comparecer na rodoviária, por conta da presença de andarilhos que consumiam bebida alcoólica.
Ao chegarem ao local, os GM’s pediram apenas que um dos moradores de rua saísse debaixo do banco, onde estava dormindo.
Para os comerciantes, a ação da GM acaba sendo prejudicada também por conta da ação dos assistentes sociais no local. “Sempre que a Guarda Municipal vem aqui, eles acabam interferindo. Os andarilhos vivem aqui também porque sempre conseguem marmitex e passagens de ônibus para outras cidades”, declara.
Diante das reclamações, a Tribuna tentou contato com o atual administrador da rodoviária Ivan Nogueira Trevisanuto, mas ele informou que qualquer questionamento deveria ser realizado à Prefeitura. A reportagem também entrou em contato com a Assessoria de Comunicação Social, mas até o fechamento da matéria não conseguiu retorno.