Principal foco da ação é a participação de membros da comissão na avaliação de familiares
Ana Polastri
Por entender que integrantes da Comissão para Processo de Promoção dos Servidores Municipais não poderiam ter participado da avaliação que culminou na aprovação de 204 servidores públicos municipais em um concurso interno, a direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Indaiatuba (SSPMI) vai entrar com uma ação judicial para conseguir um recurso que anule o resultado.
Durante entrevista concedida à reportagem da Tribuna, a presidente do Sindicato, Jaciara Lages Dutra Lima, afirma não ser correto que o secretário municipal de Administração, Núncio Lobo Costa, e a servidora Graziela Drigo Bossolan Garcia, ligada à Secretaria Municipal de Saúde, tenham participado da comissão que avaliou a irmã e esposa de Costa, e o marido da funcionária. “Quando essa promoção foi anunciada, nós fomos contra, pois, além de entendermos que o funcionário público não deve ser avaliado por uma prova e um boletim de merecimento, já imaginávamos que seria algo de cartas marcadas onde, de cinco vagas, três seriam preenchidas por pessoas ligadas à administração”, argumenta. “O resultado comprova isso. O Núncio participa da comissão e avaliou a mulher e a irmã. A Graziela avaliou o próprio marido”, cita a presidente, sugerindo favorecimento.
Sobre a criação do boletim de merecimento, após afirmar que ele “não é sério”, a presidente revela que qualquer sindicalista “abomina qualquer avaliação de fé” realizada contra o funcionalismo. “Se um chefe tem alguma coisa contra o funcionário e não sabe separar o pessoal do profissional, o servidor vai ser prejudicado”, argumenta.
Mudança
Por conta disso, Jaciara acredita que o plano de carreira do funcionalismo é que deveria determinar a progressão dos trabalhadores. “Uma progressão automática, por tempo de trabalho, seria uma solução. A partir de um determinado tempo, cinco, dez anos, o servidor mudaria de classe. Agora, prova e merecimento não dá para aceitar”, critica.
Outro argumento que será usado pelo Sindicato para tentar anular o concurso é o fato de a Prefeitura ter vedado aos chefes a divulgação da nota de merecimento. Sem saber esse número, ela entende que os servidores foram prejudicados por não conseguirem respeitar os cinco dias estipulados pelo edital do concurso para recorrer do resultado.
De acordo com a sindicalista, na lista de servidores aprovados para a classe C, que vai garantir um aumento de 50% sobre os salários, todos têm algum tipo de ligação com membros da Prefeitura ou do Legislativo.
A presidente afirma que na quinta-feira, dia 23, se reunirá com o advogado do sindicato para definir as bases da ação.
A reportagem da Tribuna tentou, durante toda a segunda-feira, dia 20, questionar algum representante do Executivo sobre as declarações da presidente, mas até o fechamento da matéria não obteve retorno.