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Indaiatuba soma 21 mortes de bebês este ano
Dificuldade de encaminhamento de crianças com problemas no coração está entre as causas
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Atualizado em 17/09/2012 às 11h33Publicado em 14/09/2012 às 18h10Emily Mendes - emily@tribunadeindaia.com.br
Bianca Rodrigues Pereira é mais uma vítima de cardiopatia congênita
Álbum de FamíliaBianca Rodrigues Pereira é mais uma vítima de cardiopatia congênita
O número de mortes de crianças até 1 ano em Indaiatuba chega a 21 este ano. Os dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde mostram que até início de agosto, o Município registrou 20 óbitos, o que representa uma taxa de 12,11 óbitos para cada mil nascidos vivas. Porém, no último 1º, mais uma morte foi registrada na cidade, o que pode aumentar o índice para 12,71.

O balanço não só chama a atenção pelo número, mas alerta o Município para as causas, uma vez que a cidade vem com um histórico negativo de mortalidade em 2011.

Das 1.651 crianças nascidas vivas este ano, 21 vieram a óbito. A maior causa de mortes foi a septicemia (infecção generalizada), com quatro mortes. Ainda somam-se aos casos, três crianças que morreram por prematuridade e três por imaturidade extrema (idade gestacional inferior a 28 semanas).

Outros óbitos ocorreram por decorrência de hipóxia intra uterina, bronquite aguda, insuficiência cardíaca, insuficiência respiratória, asfixia ao nascer, síndrome do desconforto respiratório e hérnia diafragmática. Outros três casos de bebês que faleceram do Município ainda estão sob investigação e as causas básica das mortes não foram determinadas.

Apesar da expectativa da Saúde de que a cidade alcance menores índices de mortalidade este ano (em 2011 foram 43 casos), uma análise aparente nas taxas deste ano apontam um aumento significativo das mortes de crianças entre junho e agosto. Até maio, o Município registrava nove mortes de crianças de zero a 1 ano. Em três meses, a cidade duplicou o número de mortes.

O segundo maior registro de falecimentos em 2011 é também uma das maiores preocupações do Município atualmente. Do total de mortes registradas, pelo menos três crianças morreram por cardiopatia congênita. No ano passado, sete crianças morreram por disfunção no coração e a principal causa é a falta de encaminhamento para hospitais referência.

Cardiopatia
Fora do coeficiente geral divulgado pela Saúde, aparece o caso da menina Bianca Rodrigues Pereira, nascida no dia 1º deste mês.

A menina ficou internada por dois dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), mas por falta de leitos na região, acabou não resistindo.

De acordo com a mãe da menina, a empresária Eliana Rodrigues, 29 anos, Bianca nasceu no dia 22 de agosto e apesar de ter atingido o peso suficiente para ter alta, era preciso monitorar o aumento de peso da menina no decorrer do tempo.

Além de perceber que a filha dormia mais que o normal, Eliane diz que Bianca não ganhava peso. Na última visita ao médico, Bianca registrou perda de peso, o que chamou a atenção dos pais. Na tarde do dia 31, ela foi levada ao hospital para ser diagnosticada a causa.

Após um raio x, a menina foi diagnosticada com problemas no coração e internada com urgência. “Soubemos que o caso era grave e logo ela foi para a UTI Neonatal”, conta a mãe. “Soubemos que ela precisaria de uma vaga em outro hospital da região, para que pudesse passar por cirurgia que não era feita aqui”, lembra a mãe.

No dia seguinte à internação, Bianca começou a apresentar complicações e teve uma parada cardiorrespiratória. A menina acabou em óbito às 17h30 do sábado, dia 1º. Para a mãe, a indignação foi pela falta de leito no Estado, pois foi tentada uma vaga em um hospital referência para a menina. “O caso dela era grave, mas a gente se revolta, pois a hora que precisa do governo, a gente não tem retorno”, desabafa.

A Assessora de imprensa do Haoc foi procurada para comentar o caso, mas até o fechamento da matéria não deu retorno.

Falta de leito na região é a principal causa de mortes
Analisando a taxa de mortalidade infantil do Município, o secretário de Saúde e presidente do Comitê de Mortalidade Infantil, José Roberto Stefani, atribui o aumento dos falecimentos de crianças de zero a 1 ano à falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e atendimento de alta complexidade na região.

Sem condições de oferecer tratamentos de cirurgias para casos mais graves, como a cardiopatia congênita, o Município fica a mercê das vagas de transferência em unidades referência da região, feita por meia da Central de Regulação de Serviços de Saúde (Cross), da Secretaria Estadual de Saúde. O que, segundo o secretário da pasta, tem sido a “grande dificuldade”.

Um dos principais embates foi a redução de leitos particulares na região. As vagas anteriormente destinadas somente a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) tiveram que suportar os novos números. Como exemplo, Stefani cita duas clínicas em Campinas especializada em UTI Neonatal que não realizam mais o atendimento.

O óbito da menina Bianca Rodrigues Pereira também é usado de exemplo. “Não foi possível conseguir uma vaga em um dos hospitais com a urgência necessária e ela veio a óbito”, explica. “O caso dela era bastante grave, fizemos tudo que estava ao alcance”, reforça.

Devido ao índice de mortalidade infantil por cardiopatia congênita registrado em 2011, o Município passou por uma auditoria feita por representantes do Departamento Nacional de Auditoria do Ministério da Saúde no início deste ano. A avaliação final concluiu o aumento dos índices de mortalidade em 2011, já previsto nos balanços feitos pela pasta. De acordo com o secretário, a cidade deve passar por uma nova auditoria nos próximos meses.

Infecções
Das 20 mortes, Stefani diz que oito eram de difícil sobrevivência por nascerem com menos de 1,5 quilo.

Outros cinco casos, o presidente da Comissão de Mortalidade explica que foram causados por septicemia, algum tipo de infecção generalizada, ou problemas de bronquite aguda ou ainda outros problemas respiratórios comuns principalmente no período de seca.

Apesar de o maior responsável pela morte de bebês no Município este ano, as infecções são justificadas de quadro para quadro, o que, segundo Stefani, independe do atendimento. O secretário ainda cita a prematuridade e chama atenção para os problemas com drogas. Segundo o secretário, têm sido recorrentes os casos de mães viciadas que chegam para o parto sem nunca ter passado pelo pré-natal. Números de mães infectadas por sífilis também têm aumentado consideravelmente.
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