Ricardo MirandaUmidificadores e vaporizadores começam a faltar nas farmácias
O tempo seco provocado pela falta de chuvas – que em Indaiatuba se estende há 46 dias – tem impulsionado as vendas de produtos relacionados à saúde. Soro fisiológico e colírios são itens bastante procurados em farmácias, assim como os aparelhos que melhoram a qualidade da respiração, como os vaporizadores e umidificadores, que estão em falta.
Desde o início do mês de agosto, quando não chovia na cidade há duas semanas (hoje já são 46 dias sem chuva), a procura por produtos que proporcionam uma melhora na qualidade de respiração aumentou 60% em Indaiatuba.
Nas farmácias e drogarias dos bairros e região central, os umidificadores e vaporizadores, eletroportáteis bastante utilizados para elevar a umidade do ar, estão se tornando produtos difíceis de serem encontrados.
Proprietário da Drogaria Itaici, Renato Duarte Del Santos, revela que os fabricantes de umidificadores não estão conseguindo vencer a procura pelos aparelhos, que começam a faltar nas prateleiras. “Nenhuma distribuidora tem o umidificador para vender à pronta entrega”, conta. “Nas fábricas, o prazo de envio do produto é de 15 dias e os clientes acabam não esperando todo esse tempo. Como eu não posso me comprometer com o cliente, pois não sei se vou conseguir cumprir, acabo perdendo as vendas.”
De acordo com Geraldo Martini, dono da Droga Treze, mesmo com o aumento de 100% nas vendas, sua loja ainda possui o aparelho para venda imediata. O farmacêutico ainda revela que o crescimento na demanda não fez com que o preço do umidificador subisse.
Outros
O período de estiagem também faz com que a procura por produtos que são utilizados no nariz e olhos cresça. Somente no mês de agosto, o soro fisiológico, colírio e água boricada tiveram um crescimento de 60% nas vendas.
Segundo Fernanda Gobbo, farmacêutica responsável pela Superfarma, além de ser prejudicial para o sistema respiratório, a baixa umidade e o período de seca proporcionam um aumento nas doenças contagiosas. “Algumas doenças como a catapora, que são transmitidas pelo contato, acabam se propagando pelo ar durante esse período”, explica. “Você não precisa ter contato, mas, somente de estar ao lado de uma pessoa infectada pode ser contaminado pelo vírus, que acaba passando pelo ar.”
Para amenizar os efeitos do período de seca, Fernanda garante que o soro fisiológico e o colírio são os mais vendidos. Na farmácia onde é responsável, em julho foram vendidos 60 frascos de soro. No mês de agosto, até a manhã de ontem, já haviam sido vendidos 90.
Na Drogaria Itaici esse número é ainda maior. Dos seis frascos vendidos por dia antes do início da estiagem, esse número passou para 12 em agosto, o que faz com que a media mensal seja de 360.
Em contrapartida, pelo fato de vender colírio somente com a prescrição médica, neste estabelecimento o produto não apresentou aumento de vendas.
Chuva é prevista após feriado
De acordo com as estatísticas utilizadas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), a previsão é de que só volte a chover na cidade depois do feriado do dia 7 de setembro.
Não chove em Indaiatuba desde o dia 16 de julho, mas, mesmo assim, o nível dos reservatórios que abastecem a cidade continua estável. Segundo dados da autarquia, a falta de chuva só deve começar a preocupar o serviço de abastecimento se o período de seca for
mantido por mais 20 dias.
De acordo com o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a massa de ar seco vai continuar atuando na região central dos pais e manterá o tempo ensolarado em São Paulo durante a semana. A umidade do ar continua muito baixa, em torno dos 20% à tarde - em nível de atenção - podendo atingir o estado de alerta, persistindo nos próximos dias.
Na região de Campinas, o tempo segue estável com sol até o fim da semana. Não há perspectiva de alteração das condições do tempo até o sábado. Há alta possibilidade de focos de fogo.
Ainda segundo o Cepagri, a última chuva registrada em Campinas foi no dia 15 de julho, completando 46 dias de estiagem. É o terceiro episódio, desde 1989, sendo superado pelo evento de 1999, com 62 dias sem chuvas, seguido pelo episódio de 2002, com 50 dias sem chuvas.