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Falta de pediatras no Haoc revolta usuários
Pai chegou a esperar seis horas e filho saiu sem receber atendimento na sexta-feira
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Publicado em 02/09/2010 às 11h36Rodrigo Gatti - rodrigo@tribunadeindaia.com.br
Sem médicos, atendimento no pronto-socorro do Haoc pode levar horas
Ricardo MirandaSem médicos, atendimento no pronto-socorro do Haoc pode levar horas
A falta de profissionais pediatras na saúde pública indaiatubana voltou a ser alvo de críticas dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Em um dos casos denunciados para a Tribuna, um pai ficou seis horas esperando atendimento pediátrico no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) na última sexta-feira, dia 27, saindo de lá sem ser atendido. Em outro, uma mãe recorreu à unidade hospitalar duas vezes em uma semana e também foi avisada da falta de profissionais. O jornal já havia denunciado o problema em maio.

A ausência de pediatras pode ser sentida há, pelo menos, cerca de 11 dias. Mais exatamente no dia 20, quando a recepcionista Natanny Martins Pereira de Faria, de 22 anos, precisou levar seu filho de 1 ano e 3 meses ao pronto-socorro do Haoc, chorando devido à fortes dores no ouvido. “Quando cheguei ao hospital a atendente disse que não tinham pediatra e não sabia se iria ter naquele dia”, conta. “Então eu resolvi não ficar esperando e fui até o Mini-Hospital (Unidade de Pronto Atendimento Doutor Mário Paulo, no Jardim Morada do Sol), mas lá estava lotado”, lembra.

Sem alternativa, a recepcionista precisou emprestar dinheiro de parentes para pagar uma consulta particular no Hospital Santa Ignês. Assim, Natanny passou a dar um antibiótico receitado pelo médico do hospital particular, porém, na quarta-feira, dia 25, seu filho voltou a chorar por causa da dor de ouvido.

Quando chegou ao Haoc novamente para tentar atendimento, Natanny recebeu a mesma notícia que havia ouvido cinco dias atrás. “Disseram que estavam sem pediatra e que o hospital tinha chamado um profissional do Rio de Janeiro, mas que não sabiam quando ele chegava”, recorda. “Me acho no direito de reclamar de uma situação dessas, nós pagamos nossos impostos e nunca temos certeza do que vai acontecer. Se nós, usuários, não reclamarmos, quem vai fazer isso?”, questiona.

Espera
A falta de pediatras também revoltou o consultor de seguros Leonilson Balabem, de 37 anos, que precisou levar seu filho de 6 anos, com febre alta, para o PS do Haoc na última sexta-feira, dia 27.

Balabem esperou seis horas e, cansado da espera, saiu sem ter o seu filho atendido. “Cheguei às 15h e disseram que não tinha pediatra para atender, mas que ia chegar um. Era 21h e meu filho ainda não tinha sido atendido. Acho esta situação um absurdo”, opina o pai.
Com a situação, Balabem levou o garoto até o Mini-Hospital, no Jardim Morada do Sol, e conseguiu atendimento em duas horas. Mesmo assim, segundo o consultor de seguros, quem atendeu seu filho foi um clínico geral e não um especialista em pediatria.

A Tribuna foi até o PS do Haoc ontem, dia 30, e havia um pediatra atendendo as crianças que chegavam ao local. A dona de casa Talita da Silva Franco, de 24 anos, levou seu filho de 3 anos, que sofreu um acidente de carro recentemente, para ser atendido. “Tem muita criança para ser atendida e tem um pediatra só atendendo”, conta. “Eu mesma chegue às 11h e meu filho só entrou para ser atendido às 14h, ficamos três horas esperando atendimento”, relata.

O atendimento também foi confirmado pela dona de casa Rafaela Ferraz Esteves, de 21 anos. Ela, que precisou de pediatra na semana passada no Haoc e não encontrou, ontem, dia 30, conseguiu receber atendimento. “Na semana passada eu tentei por três dias e não tinha pediatra. Hoje estão atendendo, tanto que está cheio de crianças no PS”, comenta.

Haoc diz que não há falta total de pediatra
O Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), através de sua assessoria de imprensa, informa que em nenhum dia houve ausência total de pediatras no atendimento do pronto-socorro. De acordo com a assessoria, sempre há dois profissionais atendendo no período diurno e um durante a noite.

A assessoria informou que “existe uma dificuldade real, não apenas em Indaiatuba, mas em todo o Estado de São Paulo, para se encontrar profissionais pediatras no mercado, já que é uma das áreas que menos paga na medicina”, conta.

Conhecendo a dificuldade de contratação de pediatras, a assessoria do Haoc ressalta que “nos próximos dias”, a diretoria do hospital se reunirá com o secretário municipal de Saúde, José Roberto Destefenni, para discutir medidas na tentativa de contratar mais profissionais e suprir o déficit.

A Secretaria Municipal de Saúde informa, via Assessoria de Comunicação Social, que, pelo convênio do Sistema Único de Saúde (SUS), são contratados dois médicos pediatras para trabalhar das 7h às 19h e um para o horário das 19 às 7h. Para cada um, são pagos R$ 800 por plantão durante a semana e R$ 850 aos finais de semana. Quando há falta de médicos, o valor é descontado no acerto de contas entre o Haoc e a Prefeitura.

Ainda segundo a assessoria da Prefeitura, o quadro de médicos pediatras plantonistas do Pronto Atendimento do Mini Hospital no Jardim Morada do Sol também está “completo”. Assim como no Haoc, são dois médicos para o período diurno e um para o noturno. A assessoria ainda ressalta que, neste período de baixa umidade relativa do ar, a procura por atendimento no Mini Hospital aumentou em 30%.

A assessoria confirma que o secretário municipal de Saúde, José Roberto Destefenni, se reunirá esta semana com a direção do Haoc para discutir saídas para o problema.
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