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Histórias cruzadas é um dos favoritos ao Oscar 2012
Drama sobre a segregação nos anos 60 caiu no gosto dos americanos e tem quatro indicações
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Atualizado em 20/02/2012 às 14h44Publicado em 17/02/2012 às 15h11Marcos Kimura - cultura@tribunadeindaia.com.br
Emma Stone com as colegas indicadas Octavia Spencer e Viola Davis
DivulgaçãoEmma Stone com as colegas indicadas Octavia Spencer e Viola Davis
Histórias cruzadas estreou nos EUA em agosto do ano passado, custou US$ 25 milhões e arrecadou quase US$ 170 milhões. Um evidente sucesso, então por que a demora? É que dramas sobre a segregação não dá muito retorno no mercado brasileiro. A distribuidora esperou o filme entrar na corrida do Oscar para usar esse apelo como chamariz de bilheteria. São apenas quatro indicações (contra 11 de A invenção de Hugo Cabret, por exemplo), mas em duas é barbada e na principal – filme – é o favorito do público americano. Num ano em que os outros dois mais fortes concorrentes foram vistos por relativamente pouca gente, sua popularidade pode pesar. A coadjuvante Octavia Spencer, que concorre com a colega de elenco Jessica Chastain, ganhou tudo até agora (Globo de Ouro, Prêmio do Sindicato dos Atores, Bafta) e não deve ser diferente no dia 26. Viola Davis concorre com o que está sendo chamada de melhor performance de Meryl Streep nos últimos anos (o que não é pouca coisa), ganhou o Prêmio do Sindicado dos Atores (SAG), mas perdeu dela no Globo de Ouro e no Bafta (natural, afinal, Meryl concorreu interpretando a icônica premier britânica Margaret Thatcher). No Oscar, no entanto, Meryl não ganha há 30 anos, apesar das suas 17 indicações, que têm servido mais para valorizar as vencedoras, uma vez que ela já é uma lenda viva da atuação cinematográfica.

Em Histórias Cruzadas, a atual queridinha da América Emma Stone (de Zumbilândia e A Mentira) é Skeeter, uma estudante recém-formada no Mississipi dos anos 60 (alguém lembra de Mississipi em chamas?) que quer ser escritora e tem a ideia de relatar o que pensam as empregadas domésticas negras, a começar da mulher que a criou, Aibileen (Viola Davis), que é sua melhor amiga. A proposta é mal recebida não só pelas patroas brancas, mas também pelas serviçais, que temem as inevitáveis represálias. A teimosia da jovem e o apoio de sua ex-babá acabam fazendo uma pequena revolução na comunidade. Octavia Spencer é uma das governantas que aceitam dar seu depoimento, mesmo arriscando o emprego e Jessica Chastain (atriz da moda, que esteve em A Árvore da Vida) faz uma recém-casada com um homem muito rico que precisa de ajuda para ser uma boa dona de casa. A bela e outrora promissora Bryce Dallas Howard faz o papel ingrato de uma jovem patroa ambiciosa e insegura que desconta na serviçal. Outras presenças ilustres no elenco são Sissy Spacek (Carrie, a Estranha) e Cicely Tyson (Tomates verdes fritos), uma das atrizes pioneiras no ativismo antipreconceito, e que foi citada por Viola Davis na premiação do SAG como o modelo no qual ela se inspirou na profissão.

O filme é baseado no best seller do New York Times de Kathryn Stockett. Com três milhões de cópias impressas, o livro permaneceu na lista de best sellers do NYT por 103 semanas, seis das quais ocupando o primeiro lugar. Tate Taylor dirigiu e escreveu o roteiro, que foi imposto pela a autora Kathryn Stockett, de quem é amigo de infância em Jackson, no Mississipi, onde a história se passa. O Q.I. (quem indica, no jargão tupiniquim) não para por aí: Octavia Spencer também é amiga de longa data do diretor Tate Taylor, e o conheceu quando ambos trabalharam em um filme. Os dois acabaram virando colegas de quarto em Los Angeles por quatro anos. Além disso, o produtor Brunson Green (também de Jackson, Mississipi) também tem amizade há muitos anos com Taylor e Spencer e os três costumavam sair juntos, ocasionalmente com Kathryn Stockett, a autora (será essa uma característica das sociedades escravocratas?).
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