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Hugo Cabret celebra a magia do cinema
Superprodução de Martin Scorsese pode surpreender no Oscar, apesar de não ser grande favorito
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Atualizado em 20/02/2012 às 14h46Publicado em 17/02/2012 às 15h16Marcos Kimura - cultura@tribunadeindaia.com.br
Chlöe Grace Moretz (Isabelle) e Asa Butterfield (Hugo Cabret) trabalhando no relógio da estação
DivulgaçãoChlöe Grace Moretz (Isabelle) e Asa Butterfield (Hugo Cabret) trabalhando no relógio da estação
A invenção de Hugo Cabret vem sendo considerado pela crítica como um dos melhores entre os filmes indicados ao Oscar, com 11 indicações (o recordista do ano). No entanto, ele é considerado azarão, mesmo levando a grife de Martin Scorsese. O problema é que foi mal de bilheteria porque a maioria não soube definir se era uma fantasia infanto-juvenil ou uma obra adulta. Não deve ter sido por outro motivo que a ótima conclusão da saga Harry Potter ficou fora da reta final do prêmio da Academia de Hollywood.

Hugo Cabret (Asa Butterfield, de O menino do pijama listrado) é um garoto que vive clandestinamente numa estação de trem em Paris, na virada dos anos 20 e 30, fazendo secretamente a manutenção dos grandes relógios – seu pai era relojoeiro – e praticando pequenos furtos para sobreviver. Seu inimigo é o inspetor da estação vivido por Sacha Baron Cohen (o Borat), que o vê como um trombadinha. Um dia, quando o guarda o persegue, ele acaba esbarrando com um velho dono de uma loja de brinquedos, que não é ninguém menos que George Méliès (Ben Kingsley, de Ilha do Medo e A Lista de Schindler), um dos pioneiros da Sétima Arte. Entra em cena a cinefilia de Scorsese, que tenta mostrar aos mais jovens quem foi esse precursor da fantasia no cinema.

O autor do livro original, Brian Selznick (que vem a ser sobrinho-neto do produtor de ...E o vento levou, David O. Selznick) fala da ideia para a obra: “Lembro de ter visto Viagem à Lua, o fascinante filme de Georges Méliès, de 1902. O foguete que voava direto para o olho do homem da lua se fixou firmemente na minha imaginação. Queria escrever uma história sobre um garoto que conhece Méliès, mas não sabia qual seria a trama. E então os anos se passaram. Escrevi e ilustrei mais de 20 livros. Aí, em 2003, li Edison’s Eve, de Gaby Wood. É uma história sobre autômatos, e para minha surpresa, um capítulo falava de Méliès. Na hora imaginei um menino subindo num monte de lixo e encontrando uma máquina dessas.”

O diretor Scorsese, entretanto, encontrou outra motivação para adaptar a história para o cinema. “Foi principalmente a vulnerabilidade de uma criança solitária que me chamou a atenção”, conta Scorsese. “Hugo vive sozinho entre as paredes de um tipo de mecanismo gigante – a estação de trem – e ele está tentando estabelecer uma ligação com o pai, já falecido.”

Além de Butterfield, Baron Cohen e Kingsley estão no elenco Chlöe Grace Moretz (a sensacional Hit Girl de Kick-Ass – Quebrando tudo), como a afilhada de Méliès e companheira de aventuras de Hugo, Isabelle; Emily Mortimer (Ilha do Medo) no papel de Lisette, objeto de afeto do inspetor; Ray Winstone (A Lenda de Beowulf) como o tio de Hugo, Claude; e as participações especiais de Jude Law como o pai do herói; e Christopher Lee no papel de Monsieur Labisse. O veterano intérprete do Conde Drácula confessou a Martin Scorsese que fazer um filme com ele era o que faltava ao seu currículo: “Provavelmente, tenho mais créditos em filmes que qualquer um vivo na indústria hoje, é o que me dizem. Mas sempre senti que a minha carreira não estaria totalmente completa sem que eu fizesse um filme seu, porque já trabalhei com John Huston, Orson Welles, Raoul Walsh, Steven Spielberg, Tim Burton, Peter Jackson e muitos, muitos outros, mas nunca com você!”

A invenção de Hugo Cabret concorre ao Oscar de filme, diretor, roteiro adaptado, direção de arte, fotografia, figurinos, edição, trilha sonora original, som, mixagem de som e efeitos visuais. Salvo uma zebra enorme, deve ficar só com prêmios técnicos.

Desta vez, o Motoqueiro Fantasma tentará evitar que o demo possua um garoto
DivulgaçãoDesta vez, o Motoqueiro Fantasma tentará evitar que o demo possua um garoto

Méliès, o inventor da fantasia
Diz à lenda que logo depois de assistir a uma sessão dos filmes dos irmãos Lumière, o mágico George Méliès teria manifestado o desejo de comprar o equipamento. “A nossa invenção não está à venda. Pode ser explorada durante algum tempo como uma curiosidade científica, mas não tem o menor futuro comercial. Seria a sua ruína”, foi à resposta que recebeu. Os Lumière erraram no atacado – em 20 anos o cinema já iria se transformar numa indústria milionária –, mas acertaram no varejo – Méliès morreu na miséria. Antes disso, porém, ele insistiu na ideia e adquiriu um aparelho de um inventor rival, o inglês Robert William Paul, que não era tão bom, mas nada que ele não pudesse consertar, já que além de ilusionista era um talentoso mecânico.

Se os irmãos Lumière fizeram de sua invenção o registro da realidade, Méliès transformou-a no entretenimento capaz de fazer o espectador viajar na fantasia. Inadvertidamente descobriu a trucagem, quando uma câmera que havia instalado na rua parou de funcionar por instantes e depois voltou a rodar. Quando revelou a película, Méliès viu que uma carruagem havia desparecido subitamente e diversos elementos haviam mudado de lugar. Esse acidente fez com que criasse a dissolução, quando alguma coisa desparece aos poucos e dá lugar a outra coisa no lugar; a dupla exposição, que é usado para colocar um cenário no lugar de um fundo de uma só cor (Méliès usava preto, mas depois passou-se a usar verde) e o stop and motion (animação usada em King Kong, por exemplo), que foram à base de todos os efeitos especiais posteriores até o surgimento da computação gráfica.

Fez grande sucesso com filmes como Viagem à Lua, baseado em H.G. Wells, e Viagem ao fundo do mar, inspirado em Julio Verne, mas ele não resistiu à rápida evolução da linguagem cinematográfica e acabou falindo. No entanto, antes de morrer pobre, em 1938, foi reabilitado pelos surrealistas e acabou recebendo a Legião de Honra em 1931.

O Motoqueiro Fantasma retorna
Quem viu O Motoqueiro Fantasma e ficou sabendo dessa continuação deve ter se perguntado: “Para quê?” Foi mais um festival de canastrice de Nicolas Cage, que evidenciou ainda a falta de talento de Eva Mendes e do diretor Mark Steven Johnson, que já havia acabado com O Demolidor.

Agora trocaram Eva pela muito menos famosa Violante Placido (Um homem misterioso) e o cineasta pela dupla Mark Neveldine e Brian Taylor, de Adrenalina 1 e 2 (aquele com Jason Statham envenenado) e Gamer (uma bobagem com Gerard Buttler).

Em O Espírito da Vingança, Johnny Blaze, a identidade secreta do Motoqueiro, está escondido em um lugar remoto no leste europeu, quando é procurado pelos seguidores de um culto secreto, que pedem sua ajuda para salvar um menino do Diabo (Ciarán Hinds, de O Ritual). Disfarçado em uma forma humana, este quer se apoderar do corpo de seu filho, mortal, no dia do aniversário do garoto.  Relutante em princípio, Johnny acaba concordando ao constatar que esta é a única chance de salvar o menino, além de representar uma oportunidade para tentar se livrar de sua própria maldição.

Os diretores Mark Neveldine e Brian Taylor confirmaram que planejam mais um filme. “Temos tido conversas sobre uma se- quência. Sabemos que Nicolas Cage quer fazê-la; ele está muito animado sobre isso. Só precisamos ver o quanto este filme vai bem”, afirmou à dupla. O original, arrecadou US$ 228,7 milhões, pouco mais que o dobro do valor do orçamento. Já esta sequência teve um orçamento mais modesto, de US$ 75 milhões.
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