Relato de uma mãe indignada
Aconteceu comigo e pode acontecer com outras pessoas. Estive no hospital dia 4 de setembro com meu filho, com febre alta e vômito. A médica pediu raio X, diagnosticou pneumonia. Passada uma semana, ele começou a ficar ruim, com febre alta, vômito e diarreia. Corremos lá novamente, deram soro e o diagnóstico deles era virose e mandaram para casa. No dia seguinte, a mesma coisa: voltamos lá e soro nele. A febre abaixou e mandaram para casa. Quando foi à noite, a febre voltou, a diarreia também e o vômito também não parava. Fomos no Haoc, passamos na médica e o mesmo diagnóstico: virose. Mas no dia seguinte o quadro continuou. Fui no Mini-Hospital, a médica deu soro e eu disse para ela que ele tinha pneumonia. Ela disse que o peito dele estava limpo.
No mesmo horário teve troca de plantão e veio a Dra. Sônia, que já conhecia de vista. Lá dentro ela examinou meu filho e disse: “Mãe, os pulmões dele estão borbulhando de secreção. Vamos fazer um raio X”.
Mas como o raio X estava quebrado, mandaram esperar a ambulância, que demorou uma hora para chegar. Quando chegou, fomos até o Hospital Dia e perguntei para a pessoa da ambulância se ela ia esperar e ela negou, dizendo que eu ia ter que solicitar outra ambulância depois. Isso porque a ambulância tem obrigação de esperar para levar o paciente de volta.
Meu filho estava com soro pendurado no braço e fraco, mas não tiraram o soro dele nem nada. O rapaz do hospital dia ficou indignado pois aquilo poderia dar infecção, já que estava ao ar livre.
Não demorou muito a ambulância chegou para me pegar e a pessoa que estava nela tinha que ia me levar até o Mini-Hospital, mas antes tinha que pegar um paciente idoso de maca no Jardim dos Colibris. Quando eu entrei na ambulância, duas funcionárias do Hospital Dia pediram carona até o Jardim Hubert e eles deram. Então foi uma via sacra: Hospital Dia, depois passaram no Oliveira Camargo para pegar uma sonda que demorou 40 minutos, depois deixaram as duas funcionárias no Hubert, depois eu no Mini-Hospital e o paciente do Colibris foi o último.
Quando essa ambulância me pegou no Mini-Hospital, perguntei se minha mãe podia ir junto e eles disseram que não. Agora, dar carona pode. Ficar esperando mais de uma hora pode também. Fiquei indignada com isso. Eu com meu filho de 2 anos com febre alta tendo que esperar a mulher pegar a sonda durante 40 minutos. Não consegui me segurar direito na ambulância com ele no meu colo e a bolsa que carregava. Se minha mãe estivesse junto, ajudava.
E não parou por aí, não. A médica viu o raio X e disse que não tinha mais pneumonia. Levei ele para casa com o mesmo diagnóstico de virose. No outro dia continuou. Como minha mãe é estourada, me disse: “Vamos no Haoc”. Chegou lá e falou para a médica: “A senhora pode me escutar. Não vim aqui trazer meu neto para dar soro e levar para casa. Quero saber o que ele tem”.
Ela escutou tudo que aconteceu e encaminhou para uma amiga chamada Renata Guerra. Foram examinando e depois ela pediu um ultrassom, exame de sangue e outros. Depois ela veio falar comigo que seria necessário internar. Eu só chorava pensando o pior. O diagnóstico foi colite. Meu filho não conseguia nem falar de tão fraco que estava. Ele ficou cinco dias internado e nos exames deu que a infecção já estava no sangue. Mais um dia sem diagnosticar e era óbito.
Por isso sempre digo: temos que gritar mesmo, falar as coisas para o pior não acontecer. Fico indignada com tudo o que aconteceu, desde o diagnóstico dele até a história da ambulância, que é para levar pessoas doentes e não servir de táxi. Ainda bem que Deus é grande e colocou perante meu filho médicos maravilhosos que se interessaram pelo caso dele.
Luciana Oguma