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Sobrecarregar os filhos
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Publicado em 28/03/2011 às 14h33Paulo Antolini - paulo.salvio@terra.com.br
Em pleno século 21, onde não faltam informações, continua a ocorrer nos conflitos entre casais, a manipulação dos filhos como forma de agredir ao outro ou de se conseguir esse ou aquele intento.
Quando se fala nesse assunto, a primeira impressão é de que estamos nos referindo a casais que possuem pouca ou nenhuma instrução, que vivem uma condição quase de miséria e um meio social inexistente. Mas o que acontece é exatamente o contrário, casais da classe média alta, com formação universitária, estabilidade financeira e profissão de grande projeção e responsabilidade se veem envoltos nesta situação.
Está para ser aprovada uma lei que penaliza o pai ou a mãe que falar mal do outro para os seus filhos.
Quero abordar o aspecto do comportamento humano desta situação. Pais que sentindo seu orgulho ferido, revidam ataques sem se preocuparem com as consequências para seus filhos. Impressionante que mesmo tendo os dois chegado à conclusão de que não é mais possível viverem juntos, negam-se a deixar o mesmo espaço, indo cada um viver sua vida e buscando desta forma preservarem as relações com os filhos.
Pediatras, assistentes sociais, escolas, psicólogos são testemunhas de atrocidades que os casais cometem, dizendo que estão tentando proteger as crianças. Os menores problemas que se detectam nessas crianças é o transformarem-se em manipuladoras. Este é um dos menores efeitos, pois há outros muito mais sérios e graves nessa idade. Perda da capacidade de concentração, necessidade de extravasar a revolta provocando então coleguinhas, desacatando professores, apresentando sintomas de doenças físicas quando são questionadas ou repreendidas, quando aparentemente bem de saúde passam a sofrer convulsões, ou até mesmo vômitos ao estarem quase terminando de comer. Enfim, uma infinidade de distúrbios são acionados em socorro dos indefesos filhos.
Pais que se entendem como adultos e responsáveis, precisam ter em mente que seus filhos em pequena idade são como uma folha de papel em branco, lisa e pronta para registrar todas as informações que consideram relevantes. No momento que entram em guerra, com as crianças no meio, ao saírem do embate, não mais se consegue devolver às crianças a mesma condição de antes em sua formação de personalidade e caráter, tal qual a folha de papel, que riscada, amassada e até rasgada, não mais será a mesma apenas porque se apagou com borracha os riscos, se alisou para tirar as rugas, dobras e vincos e mesmo após colada com durex ou outro material, por mais especial que seja, estará danificada. Essa folha passou a ser cheia de marcas, vincos, sombras e dificuldades de flexibilização, pois algumas dobras caem bem onde se encontra a colagem.
Pais que não sabem o quanto gastarão no futuro em tratamentos, o quanto irão sofrer por verem seus filhos com determinadas dificuldades ou desvios de comportamento, não admitindo que a origem de todo o problema se deu não por terem se separado, mas pela forma como ocorreu a separação.
Há também aqueles que brigam desesperadamente com exigências inoportunas e, quando enfim, conseguem, ou seja, o outro para de brigar e cede, então perdem totalmente o interesse, deixando mesmo até de ir visitar os filhos. Não queriam direitos de permanência de maior tempo com eles, queriam sim infernizar a outra parte. Quando a disputa cessa, como criança birrenta, perde a graça fazer o que reivindicava.
Pais que, com a guarda dos filhos, querem ter o mesmo comportamento de quando solteiras ou solteiros, saindo a qualquer hora, deixando-os aos cuidados de estranhos ou do irmão mais velho, sem idade para assumir tamanha responsabilidade.
Se uma relação se deteriora, se não mais existe um sentimento que possa ser manifestado e respeitado, é hora de se pensar em separação, mas antes de tudo, hora de redobrar os cuidados para que seus filhos saiam com o mínimo de marcas desta fase difícil e dolorosa da família.
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