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Meu cachorro tem dono de estimação
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Publicado em 04/04/2011 às 11h54Paulo Antolini - paulo.salvio@terra.com.br
Se fosse possível transformar as ondas mentais de uma boa parte de animais, não só cachorros, mas também de gatos, pássaros e outros bichos, com certeza ouviríamos eles se referindo aos seus cuidadores como sendo estes últimos de estimação. Os animais é que parecem ser os donos, pois seus cuidadores ficam boa parte do tempo à sua disposição.
Quando se adquire um animal de estimação, deve-se ter a consciência de dar a eles os cuidados necessários para uma boa existência, mas isso não significa tratá-los como se fossem filhos, seres humanos. Colocá-los para dentro de casa e permitir com que ocupem todos os espaços da mesma.
A presença de um bichinho de estimação é muito boa, pois inclusive ajuda em muito a recuperação do cansaço e do estresse diário. É um incentivo, em caso de ser um cachorro, para um passeio, de forma descompromissada, onde nossa mente vai se reorganizando e acalmando. Animais de estimação são fiéis companheiros, mas quando se dá a eles um status que não possuem, tornam-se então um problema.
Nos dias de hoje, onde grande parte da população mora em apartamentos, portanto sem quintal, e com isso a confusão se agrava. Um cliente me perguntou, após seu médico ter detectado que seu problema alérgico provinha do contato tão intenso com seu cão, um pequeno rottweiler, que tinha como dormitório um tapete aos pés de sua cama: “Aonde vou colocá-lo para dormir?”
Vamos imaginar que temos uma casa cuja garagem tem largura para um carro de tamanho médio. Se formos comprar uma caminhonete ou uma van, temos que saber que teremos que arrumar outro local para guardá-la. Da mesma forma temos que saber que tipo de animal podemos ter no local onde moramos.
Não são apenas animais grandes em espaços pequenos que ocasionam problemas, também os de pequeno porte. A sabedoria do simples reconhecer do que pode e o que não pode; onde pode e onde não pode, faz toda a diferença. Fugir dessa simplicidade significa confundir querer com poder, no sentido de mando, com não poder, no sentido de não ser adequado, com o sentido de não ter autoridade para fazer.
Na escala da evolução, nós humanos habitamos o topo da classificação. Mas estamos nos deparando com inversões impressionantes. Seres humanos sendo comandados pela vontade de seus bichos de estimação.
“Não posso sair, quem vai cuidar dele?”; “Se deixar meu cachorrinho preso, quando voltar ele destruiu tudo”. “Quando fico algumas horas fora, meu gatinho some. Parece que ele está me dizendo que eu o abandonei e ele está me castigando”, foi o que me disse uma das pessoas que tem sua vida totalmente organizada para dar atenção absoluta ao seu bichinho de estimação.
Tamanha inversão, onde a dedicação, para alguns chamada de extremada, está acima de qualquer questionamento por parte destas pessoas, se deve a um fator que poucos reconhecem e assumem: o grande vazio afetivo de suas vidas.
As razões, os motivos que levaram a isso podem aí sim, serem muitos.
As frustrações com os resultados que as pessoas estão obtendo na vida e a dificuldade de lidar com isso, favorecem o desvio de atenção e ação para o cuidado e dedicação exagerada aos pequenos seres que, impossibilitados de mostrarem suas verdadeiras vontades, estão perdendo suas características naturais. E uma coisa é certa, os bichinhos estão sofrendo muito com isso, pois estão sendo impossibilitados de terem suas manifestações instintivas.
Ter um animal de estimação é recomendável e saudável, mas se impor qualquer restrição maior do que o bem cuidar, se impedir seus donos de poderem determinar suas vidas, com certeza, já não é mais aconselhável. Voltem e verifiquem seus relacionamentos com os humanos.
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