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Oração
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Publicado em 02/05/2011 às 11h34Paulo Antolini - paulo.salvio@terra.com.br
Há muitos anos, escutei de um padre, já com uma idade muito avançada, beirava seus 80 anos a seguinte afirmação: “Oração, meu filho, significa a hora da ação” e completou: “Quer que Deus lhe ajude, então em vez de só ficar pedindo, faça alguma coisa a seu favor”.
Já se vão mais de 30 anos e nunca me esqueci de seus cabelos brancos, suas mãos já tremulas, mas sempre estendida para segurar entre elas as mãos de quem o procurava. Ele era um padre especial, pois sendo católico, nunca criticou nenhuma outra religião e chegava a dizer que conhecia alguns ateus que eram melhores que muitos religiosos.
Meses atrás, lendo uma obra havia uma pergunta: “Você é praticante?” de uma pessoa para outra que se dizia religiosa. A outra respondeu que sim, que ia toda semana ao local de orações, fazia tudo que era pedido e orientado. Na sequência veio a explicação de que ser praticante não é cumprir com os dogmas das religiões, mas sim ter a ação efetiva em seu comportamento de vida cristã.
Lembrei-me imediatamente desse padre, pois com outras palavras já havia dito isso. Em momentos de grandes agitações e dificuldades, raras são as pessoas que não se lembram da existência de um “Ser Maior”, “Energia Superior” que nos rege e acompanha, energia essa que não apenas transcende, mas existe em cada um de nós.
Orar é entrar em sintonia, em conexão com essa “Energia Suprema”, mas não em palavras e sim em ações. De nada vale os pedidos de socorro quando na verdade, a postura é de espera e abandono. Muitos não percebem, mas usam a oração como uma desculpa para não realizar o que se faz necessário.
João precisa de emprego. Demitido no último corte já se passaram seis meses e nada de um novo trabalho. Mas ele esta orando. Rezando muito para que apareça um trabalho e que seja ainda melhor que o anterior. Perguntado onde tem ido, que empresas têm levado seu currículo, enviou alguns pela internet e também falou com alguns amigos. E tem rezado muito.
José foi demitido no mesmo corte que João, já está trabalhando, pois na semana seguinte à sua demissão, visitou empresa por empresa de vários distritos industriais, e após muito buscar, foi chamado e contratado. Logo em seguida recebeu um chamado de outra empresa que havia passado e informou ao João que lá estavam precisando de alguém, mas João não foi, pois ficava fora de mão, teria que levantar mais cedo. Conversando um dia com José, perguntado se ele tinha se apegado às orações para conseguir trabalho, ele me respondeu que, ele acreditava sim em Deus, mas chegava tão exausto de suas andanças que nem se lembrava de orar.
Cada gesto que praticamos pode ser uma oração ou uma blasfêmia. Depende do que fazemos.
Quando nos dispomos a orar, a primeira coisa que deve ser feita é o aquietar a mente, condição para que possa haver uma verdadeira introspecção e sintonia com o que consideramos um “Plano Superior”. Em seguida, nossos pedidos devem ser de condições para que possamos nós mesmos realizar o que necessitamos. O que assim faz pede trabalho para poder corresponder com seus compromissos financeiros. Quem não está muito próximo do fazer, pede dinheiro para poder pagar suas contas. Lembra nossa época de crianças, pedindo aos pais para comprar nosso lanche.
É mais do que importante, é imprescindível que tenhamos e cultivemos um estado de fé, estado esse que nos mantêm impulsionados na superação dos obstáculos tão naturais em nosso dia-a-dia. Mas a fé sem a ação nada representa. É como o fumante que afirma saber que fumar é prejudicial à saúde, mas fuma dois ou três maços por dia.
Deus não é nosso empregado para ficar nos dando tudo que pedimos. Não adianta pagar com donativos. Precisamos, sim, agirmos na direção do que poderá trazer a solução de nossos problemas. Aí sim, a ajuda vem.
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