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O fazer com amor
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Publicado em 12/12/2011 às 16h20Paulo Antolini - paulo.salvio@terra.com.br
Ela queria que a ajudasse a encontrar a atividade que iria realizá-la, pois a que estava exercendo atualmente, embora lhe deixasse grande espaço de tempo livre, a remuneração fosse razoável, sentia-se irritada todas as vezes que era obrigada a sentar-se para fazê-la. Procrastinava. Sempre que possível deixava para depois, ai era uma pressão pela data da entrega. Já estava em cima da hora e com tudo por fazer. Apesar disso, fazia bem-feito.
Constantemente era elogiada pelas colocações que fazia em seus relatórios, pois possibilitava à empresa o aprimoramento dos procedimentos e melhorias dos resultados. Pelo peso do mal-estar, ela não se sentia merecedora.
Em um trabalho de coach, ficou combinado que ela faria oito sessões e depois seria avaliado os resultados. Ela falou muito de tudo o que gostaria de fazer e o que já estava fazendo. Muito dedicada aos aspectos místicos da nossa existência, coordenava um grupo de estudos espirituais, assim como se sentia muito satisfeita em cuidar de sua família e casa.
Um pouco antes do término da primeira sessão foi-lhe pedido que estabelecesse dias e horários para sua atividade profissional. Era necessário que ela criasse uma rotina e precisava para isso ter disciplina. Ao terminar o horário definido, deixasse o restante para o próximo horário e então fosse fazer as outras atividades. Foi-lhe pedido que, ao se sentar para iniciar o trabalho, respirasse fundo e olhasse aquela atividade com amor, colocasse em suas ações amorosidade pelo que estava fazendo, pois mesmo achando ser uma atividade chata, ela lhe fornecia os proventos necessários além do que ainda tinha o reconhecimento de seus superiores. Mesmo que fosse por pouco tempo, pois estaria verificando quais outras possibilidades poderia abraçar, fizesse com amor e boa vontade.
Nas duas sessões seguintes foram trabalhados aspectos outros, pois situações familiares muito sérias haviam ocorrido e não seria possível trabalhar o que havia sido proposto sem antes dar atenção ao tumulto emocional que ela estava vivendo.
Na quarta sessão, antes de ser questionada sobre como estava com o trabalho, ela já começou a contar o quanto estava se sentindo bem com suas atividades profissionais. Disse que no dia seguinte à primeira sessão estabeleceu seus horários e ao sentar frente ao computador, percebeu que não eram as atividades que a deixava irritada e insatisfeita, mas sim o cobrar-se sair logo delas para dedicar-se às outras coisas de sua vida, o que acabava não acontecendo, pois não existia a tranquilidade interior necessária para desfrutar de paz interior e consequente satisfação, quando tinha o tempo que reivindicava.
Ao assumir amorosamente suas atividades, tudo mudou. Colocar carinho no que fazemos, eis o segredo. Até quando vamos repreender alguém, desde um filho até um funcionário ou mesmo colega, fazê-lo com amorosidade.
Muitos se queixam com o famoso: “Quando vi já tinha explodido”. Por que isso ocorre? Por não se deter nas coisas que faz, por não se dedicar com a atenção devida, reconhecendo os próprios sentimentos, identificando o que estão sentindo na hora em que está acontecendo os fatos e lidando com essas emoções sem distorcê-las.
Basta identificar o que esta ocorrendo e lidar com carinho. O basta não significa falta de esforço ou grande facilidade. Significa estar atento e não deixar passar, não deixar para depois. É preciso dar atenção e agora, no momento em que ocorre. Ai se consegue lidar de uma forma mais adequada.
Muitas emoções que sentimos não procedem. Como pouco nos perguntamos porque estamos sentindo isso, agimos levados apenas pelas emoções que, sem fundamentos, nos geram grandes dificuldades.
Se você antes de sair precisa fazer algo que não queria, em vez de fazer com irritação, faça com carinho. Será mais rápido e melhor feito. Com raiva não dará certo no início, terá que ser refeito e demorará muito mais, ainda recebendo críticas pelo malfeito.
Fazer as coisas com amorosidade é, acima de tudo, amar a si mesmo.
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