Na área pública, jargão corrente: “Precisamos aumentar a arrecadação, pois está faltando recursos para...” e assim por diante. Tenho me deparado também com muitas queixas nesse sentido, tanto no meio empresarial, envolvendo indústrias e comércios, mas também no âmbito familiar. Pois bem, em todos os casos verificamos que na grande maioria das vezes não há a falta de recursos, mas sim a má utilização dos mesmos. Não falamos apenas de recursos financeiros e sim de todos os tipos de recursos.
Deixemos a área pública de lado, pois há outros interesses em questão. Vamos nos ater nas iniciativas privadas e nas famílias, cujo interesse é fazerem o melhor para si mesmos. Ambos querem poder crescer, progredir.
No mundo empresarial, seja indústria ou comércio, onde o objetivo maior é lucro, vários são os pontos onde não se tem dado atenção e que está levando grande parte dos recursos, principalmente financeiros. As faltas de informações precisas, de sistemas de informações gerenciais consistentes alimentam a vaidade humana do “eu acho que..., eu tenho certeza que...”, convicções baseadas em inferências e interpretações que adulteram as conclusões, levando a decisões que se revelam danosas aos resultados.
Funcionários são sacrificados ou pior, desperdiçados por uma postura parcial e prepotente por parte das chefias, que avaliam seus subordinados não pela competência, mas pela simpatia ou proximidade que possam ter com eles. Como conseqüência vivem buscando no mercado o que já possuem dentro de seus domínios e não conseguem reconhecer.
Exemplo vivo é a atuação de consultores, normalmente muito bem pagos e que resolvem grandes impasses apresentados pelos contratantes apenas reunindo os funcionários envolvidos e escutando suas colocações, coordenando as reuniões apenas para impedir que ocorra a imposição de bloqueios por parte dos participantes. Este é o grande trunfo dos consultores: Saberem utilizar dos recursos disponíveis dentro de cada contexto e não aceitarem os “acho que...”, os “eu tenho certeza...”. Eles vão atrás dos fatos, eles fazem constatações, não aceitam inferências e interpretações.
Com uma fachada “descascada” e manchada, grande loja comercial reclamava do pequeno fluxo de clientes, com tamanho volume de mercadorias e opções para os mesmos. Todas as sugestões de funcionários para que ao menos se pintasse a frente foram desprezadas. Pago para um especialista, ele exigiu que a loja tivesse sua frente pintada e que se mantivesse acesa as luzes interiores; também já solicitado pelos funcionários, metade sempre apagadas por “medidas de economia”. O resultado foi imediato e o faturamento da loja mais que duplicou. O que foi pago para o especialista daria para pagar mais de dois anos de energia e algumas pinturas da fachada.
E quantas famílias estão vivendo “no vermelho”, tendo várias pessoas trabalhando e se cotizando na manutenção da casa e mesmo assim “não dá!”? Levantado com elas o montante de entrada e feito o levantamento das saídas mensais, após uma análise das necessidades, em sua grande maioria detectamos que não há falta de recursos, há sim péssimas decisões. A preocupação com o “status” é a principal fonte de “roubo de recursos” Poderia dizer “desvios”, mas é tão grande que “roubo é mais adequado. Vou citar um único exemplo: Família que pagava uma fábula de manutenção de um clube que utilizavam apenas no carnaval. Consultado o clube sobre ingressos de não sócios nas quatro noites e multiplicado pelo número de pessoas que iam aos bailes, ver a expressão da família frente ao que economizariam no ano foi patético.
Quanto desperdício de comida, roupas e outras coisas mais não engrossam a lista dos fatores que empurram as pessoas para os “estouros” e a (então falsa) falta? Muitos que relutam em se “fazerem caber” dentro do que entra, quando o fazem percebem que perderam tempo em não terem a iniciativa antes.
Verifiquem se seus recursos estão sendo realmente aproveitados? Perceberão que estão até sobrando.