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Gravidez precoce e consciência
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Publicado em 20/02/2012 às 15h51Paulo Antolini - paulo.salvio@terra.com.br
Gravidez precoce. Antigamente esta frase expressava apenas o engravidar muito cedo e sem estar devidamente casada. Pré-adolescentes ou recém-entradas na adolescência que engravidavam, porém sem maridos. As fofocas corriam pelos bairros, ares de reprovação nos rostos e vergonha incondicional para a família que passava pela situação.
Muito se devia à falta de informações, pois as jovens garotas não recebiam orientação de nada que se referisse ou estivesse contido dentro do assunto sexo. O assunto sexo era tabu, que significa qualquer coisa que se proíbe supersticiosamente, por ignorância ou hipocrisia. Muito foi por ignorância dos pais, que desconheciam como abordar o assunto com suas donzelas.
No dicionário, precoce significa: Que floresce, frutifica ou amadurece antes da estação própria; temporão. Desenvolvido, ou que ocorre antes do tempo natural. Em resumo, fora de hora. Moças solteiras, virgens, não podiam sequer perguntar algo a respeito.
O tempo passou, muitos tabus foram quebrados, alguns foram vencidos pela sabedoria evolutiva, mas infelizmente outros apenas foram destroçados e em seus lugares ficou o nada. Faz parte da evolução e esse fato não elimina o preço que se paga.
Em pleno século 21, onde as informações fluem com uma facilidade, transparência e precisão tão grande, esse fato continua a ocorrer e em uma quantidade surpreendente. Jovens que iniciam suas vidas sexuais muito cedo, recebem orientações de pais, médicos, psicólogos, orientadores e, mesmo assim, engravidam precocemente.
E quando acontece essas jovens futuras mamães passam por um período inicial de extrema revolta, pois não se conformam que possa ter acontecido com elas. Os jovens futuros papais colocam-se como infortunados pela sorte, muitos afirmando: “Foi na única vez que não nos prevenimos, não usamos o preservativo, etc”.
Vocês já se perguntaram o que faz com que jovens com instrução, conhecimento e orientação continuem a agir como se nada pudesse acontecer com eles, só com os outros ? Com certeza há vários fatores que induzem as pessoas, não só aos jovens, mas adultos também a acharem que podem agir porque as consequências só serão as boas, as prazerosas. A falta de consciência faz com que se raciocine só com a percepção dos aspectos positivos da situação, desconsiderando completamente as possibilidades consideradas de risco.
Conversar com jovens que estão a passar por isso é constatar o inconformismo e revolta consigo mesmos, pois sabiam de tudo e ainda assim fizeram da forma como não deveriam.
Mas o tema não se restringe apenas às mães com pouca idade. Mulheres adultas, já na maioridade, passaram dos vinte e um anos, algumas já formadas, com vida profissional em pleno desenvolvimento, de repente se veem surpreendidas por uma gravidez fora de hora. Também o lado masculino se vê surpreendido.
Ambos, homens e mulheres que não tinham nenhuma intenção de assumirem a condição de pais veem suas vidas alteradas completamente pela nova situação. É preciso ressaltar que muitos casais assumem a responsabilidade, mesmo não tendo sido desejada e um percentual desses casais constrói famílias duradouras. Mas em quase sua totalidade, tem suas vidas modificadas em função de não terem tido a consciência dos atos que praticavam, achando que com eles isso não ocorreria.
“Foi uma vez só” não é desculpa nem justificativa, é sim uma afirmação do fizemos. Basta uma vez para acontecer. Os acontecimentos ocorrem quando há uma condição para que ocorram. Isso vale para tudo, dirigir em alta velocidade, envolver-se em briga, dirigir quando embriagado.
Agir com consciência é uma retórica que precisa ser vivenciada, precisa sair do discurso e dos textos e passar a ser vivida em nosso dia a dia. Isso possibilita que se faça as coisas na hora certa e nas condições adequadas, evitando consequências que geram conflitos, mudanças de vida e criação de vínculos indesejáveis e perturbadores.
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